Uma história interessante e sem desfecho: quando o Vinil e a Polysom iriam virar Patrimônios do Brasil

Antes de qualquer coisa, um aviso: este é um assunto que merecia uma grande campanha e pesquisa! Alguém se habilitaria a começar?

Vamos lá:

No dia 13 de novembro de 2007, no Circo Voador, no Rio de Janeiro, durante a gestão de Gilberto Gil à frente do MinC (Ministério da Cultura), houve uma cerimônia de apresentação de propostas para a preservação pelo IPHAN (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) da única fábrica brasileira de discos de vinil, a Polysom, que estava em pleno processo de falência e tornar o disco de vinil um “Patrimônio Imaterial Brasileiro”.

Sabemos que o único desfecho disso é que a fábrica fora comprada tempos depois pela gravadora Deck Disc e passou a produzir também para outros selos e hoje está a mil por hora.

Pesquisando pela Internet nos deparamos com reportagens até na Rolling Stones falando sobre isso e nos sites do IPHAN e do Ministério da Cultura (MinC) pouca coisa se encontra, exceto os primeiros passos dados por Gil. Também foi encontrada uma reportagem do Instituto do PVC (pois, é a matéria prima do Vinil)

Vejam com seus próprios olhos o que encontramos nestes dois órgãos (não foi uma pesquisa profunda):

Preservação da Polysom *

Brasil quer voltar ao LP *

Polysom do Brasil *

Discos de Vinil *

Ministério da Cultura anuncia estímulo à produção de discos de vinil no país *

* Para ler estes artigos, deve o leitor colocar na busca do MinC – clicando aqui – os títulos com *.

Na Rolling Stones, a reportagem fala de uma “força-tarefa” para criarem propostas encabeçada pelos Racionais MC’s, o (na época) senador Eduardo Suplicy, o ministro da Cultura (da época também) Gilberto Gil e o IPHAN. O que chama a atenção não é o problema da fábrica, afinal, isso foi resolvido, porém, a questão de tornar o disco de vinil um Patrimônio Imaterial Brasileiro parece que foi esquecido.

O conceito de patrimônio Imaterial é importante para preservar um bem cultural. Segundo o IPHAN, Patrimônio Imaterial são os bens culturais de natureza imaterial que dizem respeito àquelas práticas e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas; e nos lugares (como mercados, feiras e santuários que abrigam práticas culturais coletivas) e isso deve ser preservado pelo Estado em parceria com a sociedade.

Como muitos sabem, a produção de Vinil pode estar em crescimento, mas ela tem um limite que é o número de fábricas (menos de 50 no mundo todo) e pouco pessoal qualificado para tal. Produzir Vinil não é simples e demanda conhecimentos técnicos que não se aprendem mais e muito menos se fabrica em escala peças e máquinas para as indústrias.

Outro fator importante a se levar em conta é que foi o Vinil quem, de fato, popularizou a audição de músicas nos domicílios em um formato diferente do rádio (que foi o pioneiro). O vinil está no imaginário coletivo das pessoas e se encontra como uma espécie de representação social da música.

Sou completamente a favor em tornarem o disco de vinil um Patrimônio Cultural Imaterial, afinal, por mais que pensemos que este formato está com vigor pleno, não podemos esquecer que ele sofre com as minguadas fábricas e com pouquíssima mão de obra especializada. Para se ter uma ideia sobre isso, o músico e DJ Michel Nath da Vinil Brasil (que se tornará a segunda fábrica brasileira) precisou contratar técnicos da antiga RCA que estavam a mais de 20 anos lidando com outros afazeres, pois, não existe mais formação para novos trabalhadores do ramo e isto ocorreu com a Polysom também!

O Vinil é um formato que amamos e está aí com força aparentemente total, mas é frágil na sua cadeia produtiva e para continuar existindo, compreendendo suas dificuldades e importância, precisa de apoios e políticas públicas diferentes das outras formas de arquivar e escutar música.

Quem sabe não estaria na hora de se levantar novamente a bandeira para o disco de vinil tornar-se um Patrimônio Imaterial Brasileiro? E, também, não estaria na hora de se tirar o imposto de importação dos vinis, agulhas, cápsulas e toca-discos já que as minguadas fábricas (de tudo que envolve o vinil) e produções localizadas em poucos países e com os impostos altos (leia mais sobre impostos aqui e sobre o preço de agulhas e cápsulas aqui)  retira-se possibilidades do brasileiro curtir seu disquinho numa boa sem precisar gastar fortunas? E estes dois atos, juntos, não popularizariam mais o Vinil e, assim, ajudaria o artista, pois, o Vinil é uma das poucas mídias que hoje dá alguma grana e satisfação para eles, sem contar que vem alavancando muitas carreiras de artistas independentes?

Está dado o recado!

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Todo domingo às 19h na Rádio UFS FM 92,1 tem o programa Conversa de Vinil
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