Quantos vinis são vendidos no Brasil e há empecilhos para que as vendas aumentem?

Infelizmente, como por exemplo nos EUA, Alemanha e Itália, não temos estatísticas sobre as vendas de vinil. Como ilustração para entendermos o desenvolvimento do vinil em outros países, na Itália a FIMI (Federazione Industria Musicale Italiana) até faz o ranqueamento semanal dos mais vendidos. A ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Discos) sequer menciona as vendas de vinil nas suas tabelas e estudos sobre o mercado fonográfico e, muito menos, faz menção dos disquinhos pretos na sua página.

Esta situação da indústria brasileira pode nos fazer pensar sobre três questões. A primeira é que o número de vendas de vinil seja, de fato, incipiente e difícil de calcular; a segunda é que esta indústria ainda não conseguiu compreender a volta do vinil e a terceira é que ABPD tem uma representatividade na realidade brazuca do mercado de música que não engloba toda a heterogeneidade deste seguimento.

Então, vamos lá, tentar entender estes três itens, mas começando de trás para frente:

O terceiro item é um fato importante para compreendermos os números do vinil brasileiro. A ABPD é uma associação que nos dias de hoje não tem uma amplitude capaz de compreender totalmente a complexidade do mercado de música, pois ela se atém apenas em 9 gravadoras e não alcança os selos independentes e, ate mesmo grandes, como Biscoito Fino, por exemplo. Além disso apenas quatro gravadoras não são especialistas num estilo de música ou num mercado específico, o que dificulta, por parte dos seus membros, um retrato de todo o universo do comércio e indústria da música.

Gravadoras afiliadas:

  • MK Music (especialista no segmento gospel)
  • Music Brokers (especialista em coleções e coletâneas)
  • Paulinas COMEP (música católica)
  • Line Records (especialista no segmento gospel)
  • Som Livre (música em geral)
  • Sony Music (música em geral)
  • Universal (música em geral)
  • Walt Disney Records (especialista em obras de filmes e personagens do conglomerado Walt Disney)
  • Warner (música em geral)

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O segundo item é sobre a indústria fonográfica em geral.

O fenômeno da música na atualidade é extremamente diversificado, complexo e o formato de comércio e distribuição vai além do streaming, downloads e vendas de CDs e DVDs em lojas físicas e pela Internet. Como exemplo desta afirmativa existe a comercialização de mídias a preços baixíssimos, quando não distribuídas gratuitamente, onde o lucro obtido pelo artista não advém da venda e sim da promoção que este ato alcança para obter vantagens financeiras no momento dos shows. Outro exemplo é o próprio vinil. O bolachão está, de fato, à margem no mercado brasileiro. Nas Terras Tupiniquins há poucas gravadoras que realmente investem no Vinil.

Esta indústria ainda não conseguiu compreender totalmente a volta do vinil e a representatividade econômica deste mercado, mas existem fatores agravantes na realidade brasileira capazes de influenciarem para que elas assumam mais ou menos o vinil: a falta de fábricas de vinil e de toca-discos suficientes para atenderem o mercado e a alta do dólar.

Como todos sabem, existe apenas uma fábrica de vinil no Brasil em funcionamento (Polysom) e outra nas vésperas de começar suas atividades (Vinil Brasil). Mesmo com o início da Vinil Brasil, percebe-se que ambas não conseguirão dar conta deste mercado, pois segundo as próprias fábricas, a produção da Polysom para 2016 será por volta de 150 mil discos e a Vinil Brasil poderá produzir até 300 mil (quando estiver em pleno funcionamento). Isso nos dá a conta de apenas 450 mil discos por ano! Número este que ainda não absorverá a demanda brasileira (falaremos mais sobre isso abaixo). Sem contar a alta do dólar!

Com o dólar alto a importação de vinil passou a ser um grande problema, bem como, a importação dos equipamentos de som e acessórios para os disquinhos.

As bolachas precisam ser tocadas em players que faz tempo que não são fabricados no Brasil. Portanto, a reposição de toca-discos é um fator que encarece e dificulta este mercado. Por exemplo: um toca discos Pro-Ject Essential 2 (uma das marcas mais tradicionais hoje em dia) que custa 299 Dólares, com a cotação mais ou menos de 3,58 Reais por Dólar, mais 60% de imposto sobre importação, IOF (o valor varia de estado para estado) e frete, pode chegar a R$ 2342,75 (valor calculado via Tributado – calculadora de Impostos de Importação, com frete médio de 110,00 Dólares). Na conversão simples, este mesmo toca-discos sairia por R$ 1464,22! Uma diferença enorme! Sem contar o lucro que as lojas colocam nestes equipamento – já vimos este Essential 2 por R3549,00! Ou seja, um toca-discos com uma qualidade boa, não chegando a ser um excelente no nível requerido pelos audiófilos mais exigentes, é para poucos na realidade brasileira!

O dólar alto sobre os discos, nem se fala. O novo disco do Eric Clapton (I Still Do) que custa 28,49 Dólares na Amazon, caso comprado diretamente, sairá a R$282,47. Se achar e comprar em lojas brasileiras, só Deus sabe o preço … Numa conversão direta com frete a 9 Dólares, sairia por R$134,21.

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Toca-discos, vinis e acessórios que dependem do preço do dólar, somados aos impostos de importação e IOF estão ajudando profundamente para que as vendas de vinil não cresçam ainda mais no país. E isto afeta não apenas os consumidores, mas toda uma cadeia de mercado que emprega pessoas e sustenta famílias!

Então, vamos para o primeiro item referido acima:

O número de vendas de vinis novos no Brasil é mesmo muito pequeno perto da demanda para compra de discos que existe e frente a outros países. Para se ter uma ideia, nos anos 80 e 90 já fomos considerados como um dos 10 maiores mercados de discos do mundo!

Como não temos dados suficientes para dizer exatamente a conta (não existem estatísticas oficias) podemos partir do princípio que a única fábrica em funcionamento produziu 130 mil cópias em 2015; podemos também estimar que foram importados o mesmo número, assim, temos, arredondando, mais ou menos 300 mil vinis novos vendidos no país no ano passado! Esse número pode variar para cima ou para baixo dependendo da estimativa de importação.

Quanto aos vinis usados, aí sim, podemos ir a números bem maiores. Calculando pelo número de Feiras de Vinil que já vimos pipocar publicidade pela web (fizemos uma conta rápida aqui e lembramos de, pelo menos, umas 30 cidades fazendo feira – de Caruaru a São Paulo) mais as vendas pela Internet e lojas físicas, o número deste mercado pode chegar a mais de 500 mil vinis comercializados (um cálculo por baixo!)! Para se ter uma ideia o Mercado Livre em 2014 e repetindo em 2015 disse que a parte de discos de vinil era responsável por mais de 25% de toda a área de comércio de artigos musicais representando a maior fatia de envolvimento desta comercialização.

Pois é, mediante isso, podemos dizer, sem sombras de dúvidas que o Brasil comercializou mais de 800 mil álbuns e esse número pode ser maior ainda mediante a falta de estatística.

A ABPD nos mostra no último balanço sobre 2015 (lançado em abril de 2016) que o mercado de CDs brasileiro caiu 15% em relação a 2014. O disco de vinil é exatamente o contrário, pelo que a Polysom anuncia (e olhe que ela não divulga todos os seus números) as vendas de vinil vem subindo praticamente estes mesmos 15% ao ano ou mais!

Uma coisa é certa, o brasileiro reencontrou o vinil e hoje não larga mão dele! Mas, que este mercado precisa de um empurrãozinho… Ah! Isso precisa!

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