Onde estaria o vinil no futuro do mercado de música?

Leio e ouço muitas pessoas dizendo que vinil é um modismo. Que não durará muito, que logo logo todo esse boom do bolachão irá acabar e voltaremos às vendas do início do final dos anos 90 quando, praticamente, se extinguiu.

Esse pensamento é um exercício de futurologia tão grande quanto o que farei adiante. Pode ser que estejam certos, mas as pistas que temos hoje nos indicam completamente o contrário. O vinil tem e terá um espaço cada vez maior na indústria fonográfica!

E quais seriam os motivos que me dão quase que uma certeza neste último pensamento?

No dia 1 de junho deste ano aconteceu o Hi-Res Symposium* da DEG (The digital Entertainment Group), nas instalações da Capitol em Hollywood. Estavam presentes representantes de gravadoras e eletrônicos como Sony e Capitol Studios e produtores e engenheiros da Academia Americana de Gravação. O assunto deste simpósio: discutir o futuro do áudio digital de alta resolução!

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Separamos 3 grandes momentos deste simpósio:

1 – Marc Finer (Diretor Sênior da DEG) explanou durante este seminário sobre uma recente pesquisa da CTA (Consumer Technology Association) sobre o consumo de música e esta pesquisa teria indicado que “90% dos consumidores citaram a qualidade do som como o mais importante”, e que “mais de 60% estavam dispostos a pagar mais para obter um som melhor”.

2 – Outro momento importante foi o painel intitulado “As perspectivas para o Hi-Res Music” moderado pelo mesmo Finer, com os painelistas Nate Albert (Executive VP, A&R Capitol Records), Jim Belcher (VP, Technology & Production, Universal Music Group) e Maureen Droney (Managing Director, The Recording Academy). O resultado do debate foi que a música armazenada em arquivos para manter a qualidade deveria ser na maior resolução possível e que novas gravações devem ser produzidos em uma resolução de 24 bits, independentemente da taxa de amostragem, mas que ela também deve ser pelo menos 48 kHz. Também mencionado frequentemente foi a importância do ressurgimento do vinil para o consumidor que tem interesse por um som com melhores padrões de excelência.

3 – E o mais interessante foi uma sessão de audição onde o engenheiro de áudio da Capitol, Steve Genewick, fez uma comparação de uma transferência de vinil de um mono de Frank Sinatra para a primeira versão em CD e depois para uma versão mais recente também em CD e, finalmente, para uma transferência para um arquivo 192/24 bit. Um dos jornalistas lá presente, Michael Fremer, indagou que tipo de plataforma giratória, cápsulas e pre-amp foram utilizados para a transferência e Genewick não soube responder. Provavelmente, diria o jornalista, era nada de especial, mas ainda soava melhor o vinil e o arquivo de altas taxas do que ambas as versões do CD.

Michael Fremer frisa que como alguém que lutou para salvar o vinil e ao ver críticas à resolução do CD, o Hi-Res Syposium era música para seus ouvidos. Outra observação que faz é que as gravadoras estão ouvindo e discutindo. Não sabe se ouvem diretamente os consumidores. Isso só o tempo dirá. Mas, para aqueles que se preocupam com a qualidade do som, estes são o melhores dos tempos.

Quais as conclusões que podemos tirar disso?

Primeiro que a indústria já sabe que o ouvinte de música quer uma música de qualidade e uma boa percentagem destes permite gastar mais por ela.

Segundo que num simpósio que fala de áudio digital, falar de vinil poderia soar estranho, mas, por ser voltado para o áudio de qualidade, quando menciona e demonstra o vinil superior ao CD em situações semelhantes à demonstrada sobre o disco de Sinatra, tem como motivação, obviamente, a procura pela qualidade. Isso quer dizer que o vinil é uma das respostas ao consumidor de música que está atrás de uma audição que lhe permita alcançar padrões mais elevados.

Terceiro que neste mesmo evento, empresas como a Sony demonstraram produtos que estão sendo elaborados e alguns já à venda, especificamente para o áudio de qualidade. Entre eles está, inclusive, um toca-discos desta multinacional que transforma o som do vinil num arquivo Hi-Res (já sendo vendido na Europa e em outros países fora deste continente).

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Novo toca-discos Sony

Como conclusão final, podemos fazer agora o nosso exercício de futurologia:

Uma questão não é imaginação, é fato: o amante de música quer uma música de qualidade e até se predispõe a pagar mais por ela. Alguém poderia dizer que isso advém de uma pesquisa do Tio Sam, mas, basta olharmos o mercado de vinil brasileiro que cresce mais de 15% ao ano para verificarmos que esta situação não é específica dos americanos e nosso mercado de CD decresce nesta mesma proporção, ou seja, uma considerável parte do brasileiro amante da música compra vinil, mesmo que seja muito mais caro aqui do que nos EUA ou Europa. Porém, se o preço cair um pouco, com certeza, teremos muito mais compradores, mesmo que com a queda obtenha-se um preço ainda maior que o do CD.

Dentro do quesito “música de qualidade” está a criação e a propagação via streaming de músicas com arquivos maiores, portanto, mais ricos em detalhes e isto é um desejo do consumidor. Agora, como farão é outro problema! E isso é problema deles!

Por fim, começamos a ver claramente que a indústria fonográfica, ao contrário de anos anteriores em que se propunha muito mais a busca por maiores lucros, passa a fazer outra busca: aquela pela qualidade. Também pudera, foi essa procura por lucros maiores que fez ela quase sumir e se escafeder…

Acredito que pelos inúmeros tombos que esta indústria passou e pelo aprendizado que isso lhe proporcionou estamos vivendo realmente uma época de redefinição do mercado de música e neste ponto está o vinil firme e forte. A revisão da indústria fonográfica de suas atitudes se enquadra a partir de: a) o streaming – afinal, não foram as gravadoras e selos que passaram a oferecer música por este instrumento e sim outro tipo de empresas, B) o aumento das vendas de vinil e a queda das vendas de CD e C) ao perceber que o consumidor também mudou e ele, por incrível que pareça, está largando a pirataria de MP3 via downloads na Internet por sistemas (streaming, youtube e etc) pagos ou gratuitos bancados por propaganda, portanto, totalmente legais e lucrativos.

Obviamente que essa pequena análise e discussão de fatos são apenas pistas e não respondem todos os fenômenos e possibilidades da indústria fonográfica. Mas, neste exercício de futurologia, embasado nas questões aqui apresentadas, é que vamos captando aos poucos o que o mercado de música está procurando, propondo e suas possíveis tendências. Com isso tudo, até agora, vejo vida longa para o vinil! E você, o que acha?

* Hi-Res é áudio em alta resolução e seria um áudio digital em qualidade melhor que a do CD

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