Não! O disco de vinil não é modismo! Algumas questões para pensarem sobre o assunto

Nas últimas semanas, li pelo menos umas 3 reportagens falando bem do disco de vinil e no final sempre um “senão”, um “porém”, um “vai que é modismo” ou um “isso não durará muito”.

Que engano destes excelentes jornalistas de canais como O Globo e UOL/Folha de São Paulo.

Fico a pensar se realmente conhecem a história do vinil no Brasil, o que essa história carrega como legado para os dias de hoje e todas os melindres e meandros do consumo de música no país…

Então, vamos dar apenas 5 questões para pensarem sobre o assunto:

Primeiro e talvez o mais fundamental: o Brasil foi um dos últimos grandes consumidores de música do mundo a largarem o hábito do vinil para o CD. Chegamos a ser o maior consumidor dos disquinhos pretos de plástico do planeta! Este fato pode ter sido motivado pelo nosso menor poder aquisitivo perto dos grandes como EUA e países europeus e, por isso, enquanto estes países já estavam com CDs nos seus players, nós ainda escutávamos bolachão. Ora, este “acontecimento” fez com que o LP se mantivesse muito mais tempo nas nossas vidas, se impregnando no nosso consciente coletivo e, portanto, o “passado” é mais recente e a idade do acesso não é tão velha. Sem contar que fomos também um dos pioneiros na produção de vinil. Assim, o “objeto vinil” é algo bastante presente e longevo na nossa cultura.

Segundo, a pesquisa do UV já começa a nos dar frutos – saiba mais sobre a pesquisa clicando aqui e que tal aproveitar e responde-la aqui? Os amantes do vinil abaixo dos 27 anos superam os da faixa de 53 anos em diante. Óbvio que esta pesquisa – que ainda está em andamento – não tem caráter científico, pois é uma pesquisa feita em Redes Sociais , mas, não podemos negar que nos dá pistas…

Juntando a primeira e a segunda questão, podemos dizer que falar de vinil não é falar de uma época remota e só para pessoas de idade avançada. Por conseguinte, existe uma juventude consumidora de vinil, que entende e gosta dessa tecnologia mesmo após seu ápice.

vinil nao morreu

Terceiro, nunca largamos o vinil! Enquanto a indústria fonográfica jogava pesado no CD, os consumidores de gospel, de músicas de religiões de descendência afro, de músicas regionais (como forró e gauchesco), DJs e os incrédulos que o vinil acabaria, continuaram a consumir estes discos. Depois, quando não tínhamos mais fábricas nas Terras que Cabral Descobriu, o consumo de usados e as compras no estrangeiro continuaram fomentando esse formato.

Quarto, quando dizem que o vinil é para um nicho de mercado, respondo que excetuando o streaming gratuito e a pirataria, qualquer forma de compra de mídia de música é hoje de nicho. CD? Cai a 14% ao ano e só compra quem é fiel ao formato – não tem mais outro consumidor. Streaming pago no Brasil é muito relacionado, por incrível que pareça, ao plano de telefonia celular que o sujeito tem. Então, cresce o streaming pago na mesma proporção que crescem as ofertas de planos de telefonia – apesar de que está iniciando um tipo de “divórcio’ nesta relação e o streaming pago começa a dar os primeiros passos sozinho, mas, nem a indústria fonográfica sabe o que fazer com este streaming e as próprias empresas ainda não tem esse modelo perfeitamente rentável e maduro. E, ao contrário do CD, o vinil cresce e espantosamente aumentam as vendas mesmo sendo 4 vezes (ou mais) caro que um CD.

A compra por download no Brasil jamais alavancou!

Então, como concluímos? O vinil nunca saiu de cena! Só saiu da mídia! Só deixou de frequentar as páginas dos jornais e revistas!

Falar que o vinil é modismo, que há um porém nessa “onda”, é subestimar o conhecimento, pois ele nunca foi embora!

Obviamente, acredito que o vinil dificilmente terá os números do passado, pelo menos nas Terras Tupiniquins, pois é um artigo caro e tem gargalos que ajudam a frear sua subida – esbarra na falta de oferta de toca-discos e sistemas de som decente e de preço acessível para venda; no dólar alto e na capacidade pequena de produção causada pelo número de fábricas incipientes. E olhem, com todos estes gargalos, o vinil cresce a cada ano praticamente na mesma proporção que o CD decresce.

A quinta e última é um aviso: o consumo de música dos dias de hoje é plural! É multiplataforma! Não estamos mais nos tempos em que a indústria fonográfica é quem determinava as regras do mercado musical, por sinal, os maiores e mais famosos streamings de música nem pertencem às grande gravadoras! E muitos artistas são cultuados por causa da sua força na Internet! Esta indústria, perdeu as rédeas e quem ganhou fomos nós, que podemos escolher como e onde queremos escutar nossas músicas!

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