O mercado de música mundial entre a expectativa e a decadência

O primeiro semestre de 2016 já acabou e agora começam a aparecer os primeiros números sobre o mercado de música, principalmente o americano que é mais organizado neste quesito.

A poderosa associação das grandes gravadoras das terras do Tio Sam (RIAA) mostra uma realidade que nos remete ao início dos anos 2000 (vide aqui o relatório completo) quando o advento da pirataria de CDs e downloads de MP3 ilegais fizeram um estrago enorme nesta indústria musical e mudou radicalmente o cenário e sua forma de agir (leia mais sobre isso aqui). Estamos, portanto, novamente assistindo esta indústria se adaptar ao novo e, neste caso, o novo são as relações com as empresas de streaming, a derrocada das mídias digitais como CDs, DVDs musicais e downloads legais de álbuns completos ou singles, bem como o impasse do vinil frente a questão da oferta e da procura ou, até mesmo pode ser, uma freada nas vendas.

Vejamos o que está acontecendo:

  1. A primeira questão é a queda anual ininterrupta das vendas de CDs. Alguns especialistas começam a indicar que esta mídia que está em pleno declínio começa sua caminhada para fim. Seria mais ou menos a história do gato que subiu no telhado, afinal, são anos e anos caindo uma média superior a 10%. Inclusive este fato mudou drasticamente a forma como as gravadoras trabalham com os artistas nos dias de hoje. Antigamente o elenco das gravadoras era muito maior e se investia muito mais no artista. Hoje, são raros aqueles que conseguem assinar contratos e grande parte é praticamente um sócio – ambos entram com dinheiro e repartem os possíveis lucros ou é o artista quem banca de fato seu disquinho digital.
  2. A segunda questão são os downloads definitivos e legais de música. A queda vem sendo vertiginosa nos últimos 3 anos o que fez a “quase inventora” disso, Apple, via iTunes, mudar sua forma de comercializar, criando em seu portfólio de vendas um modelo parecido ao Spotify, Deezer, Radio e etc.
  3. A briga pelo uso dos direitos autorais no Youtube faz com que este lance cada vez mais filtros para descobrir as obras que são emitidas em sua plataforma via usuário comum, indicando uma perspectiva para o fim deste tipo de uploads sem autorização, dificultando cada vez mais a veiculação de música gratuita sem os devidos direitos.
  4. Os maiores “vendedores” de música hoje são os serviços de streaming e estes não pertencem às grande gravadoras e seus conglomerados da indústria de entretenimento. Pela primeira vez na história as grandes precisam procurar parcerias com estes serviços e acabam ficando reféns ao invés de serem protagonistas como no passado recente. Obrigando-as a se reinventarem e diversificarem suas formas de administração da gestão entre seu artista e as empresas de streaming.
  5. As vendas de vinil no mercado americano caíram 9% no primeiro semestre de 2016 frente ao mesmo do ano de 2015. Este é um resultado que já prevíamos, pois a grande demanda e a falta de fábricas suficientes para a produção de vinil vem criando dificuldades em entregar as encomendas e, assim, abastecer o mercado. Há atrasos enormes nas entregas gerando grande frustração e decepção neste mercado. Neste caso vale ressaltar que diferente do CD a queda de 9% do vinil é sobre os 14% de aumento do mesmo período do ano passado, portanto, ele cresce 5%. Já o CD vem caindo ano após ano e as quedas são sucessivas.
  6. Ainda falando do vinil, o ano de 2017 será o derradeiro para entender se este tipo de mídia está realmente fixado ou entrará no rol do declínio de vendas de álbuns (como os CDs e downloads pagos), pois, as novas fábricas já estarão em funcionamento (como recentemente a Laser Disc na Argentina, a Vinil Brasil, as plantas da GZ Media nos EUA e Canadá e etc) e saberemos ver se sua produção de fato conseguiu suprir o mercado.

Clique nas imagens para ver as tabelas da RIAA com os últimos números

Qual conclusão podemos chegar com isto tudo juntando a situação brasileira?

A primeira é que o mercado de mídias musicais físicas está em sinal de alerta. O CD e o Vinil (particularmente este último no primeiro semestre de 2016, pois nos anos anteriores não havia queda semestral), cada um com seus motivos, encontram-se em dificuldades.

O disquinho digital vem desde o início dos anos 2000 caindo vertiginosamente e já não é o formato que mais rende lucros.

A alta demanda dos últimos anos do vinil com a falta de fábricas estão contribuindo para uma certa desmotivação e isso já começa a aparecer nos números do primeiro semestre de 2016, porém, ainda é cedo para falarmos em uma queda anual das vendas de vinil, já que ainda não temos o resultado das novas plantas que já começaram a produzir, como por exemplo no Brasil, a Vinil Brasil. No caso brasileiro soma-se a “intrigante” (entre aspas, já que todos nós sabemos os motivos) inexistência de toca-discos de qualidade a preços acessíveis e isso é fator de impedimento para o aumento do vinil nas nossas terras tropicais.

Porém, o sinal de alerta é claro. Durante 3 meses o UV semanalmente monitorou a quantidade de álbuns à venda no catálogo da loja da Polysom e o que antes era realizado em 5 a 6 páginas da loja virtual está, ultimamente, em 3 a 4 páginas (até a escrita deste artigo) com títulos ofertados ao consumidor. Nossa questão é se isso foi gerado pela baixa demanda e a consequente não reposição dos estoques ou se está sendo gerado pela alta? Já que a fábrica não consegue repor seus títulos, pois, precisa dar conta dos pedidos terceirizados? Fica a questão!

Nas Terras Tupiniquins a ausência de toca-discos de qualidade com preço acessível e o alto valor dos vinis – inclusive os usados – vem gerando verdadeiros desconfortos e isso pode e já está afetando este mercado, afinal, o consumidor precisa de um tocador para escutar seus discos e a crise financeira brasileira afeta diretamente a compra de artigos de entretenimento. A sorte é que existe um típico comprador de vinil que é mais abastado ou é colecionador “de carteirinha” e estes não se afetam com crise mantendo vivo o mercado, porém, pensar em trazer outros tipos de compradores, como o consumidor normal da classe média que ainda não está na onda do vinil é um caso mais difícil nestes tempos que vivemos e para traze-lo? Só com tocadores de qualidade e com valor ajustado ao seu orçamento e uma revisão dos preços dos vinis usados e novos. Porém é fundamental que tenhamos fábricas suficientes para abastecer a demanda. Sem isso, com certeza, o vinil entrará num estágio conflituoso e difícil e o público cativo é exigente e ávido e não quer saber dos problemas das fábricas. Ele quer é seu vinil tocando no seu toca-discos!

Esperemos o final de 2017 para sabermos o fim desta história, pois neste ano de 2016 as novas fábricas de vinil estão se adaptando ou terminando de serem implantadas e que o mercado passe a se redesenhar para a realidade do vinil brasileiro, principalmente colocando à venda toca-discos e aparelhos de som de qualidade e com preços alcançáveis pelo bolso das classes menos abastadas. É desalentador ver um tocador de vinil com preço de 297,97 dólares no exterior (equivalente a aproximadamente R$ 1000,00) ser vendido aqui por mais de R$2800,00 (veja o exemplo do Audio-Technica AT-LP120 e compare – clique nos links – na Amazon e nas Americanas). Isso é uma piada de mau gosto!

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