Qual a grande novidade da Era do Streaming?

Nos do UV falamos 100% de música analógica. É raro quando tratamos da música digital e mais raro ainda fazermos um escrito sobre o streaming de música. Mas, o que nos leva a fazer este registro ?

O motivo é um só: entendermos os movimentos que ocorrem na “nova indústria” da música e as consequências disso.

Este é o tema de nossa Conversa de Vinil desta semana.

Precisamos de um breve histórico para entendermos este “novo” momento: anteriormente eram as gravadoras que organizavam tudo da vida do artista – desde os direitos autorais, até mesmo, quais músicos e músicas iriam fazer parte de um disco e como este disco deveria ser feito e planejado. Em suma, o artista (ou a banda/conjunto) só cantava e todo o tratamento era feito pelo staff da gravadora. A liberdade do artista era praticamente nula (exceto alguns poucos – normalmente, os maiores vendedores de discos – que conseguiam uma maior liberdade na confecção de seus discos e na sua vida profissional). Também é importante lembrarmos que durante anos era meia dúzia de grandes gravadoras que comandavam a indústria fonográfica no mundo todo, ditando o formato deste negócio.

Com o aparecimento da música digital (o CD) veio a quase quebradeira geral das gravadoras, pois, a pirataria de arquivos digitais de musicas passou a ser muito grande. Esta indústria fonográfica “oficial” quase se sucumbiu neste momento e perdeu muito, mas muito dinheiro, bem como poder perante toda a engrenagem da indústria fonográfica.

Durante muitos anos a indústria da música procurou um novo formato que pudesse estancar a sangria de divisas ocasionada pela pirataria. Tentou-se de tudo, inclusive, levar várias pessoas aos tribunais para “pagarem” na justiça os downloads ilegais que faziam. Mas, esta atitude também foi em vão, afinal, prendia um e eram milhões de pessoas que faziam os downloads ilegais e este ato até hoje não acabou. Também tentaram colocar bloqueadores de “ripagem” de CD para que este não conseguisse ser passado para arquivos de MP3. Em vão, também!

Como consequência disso, as vendas de CDs despencavam vertiginosamente e esta indústria outrora extremamente lucrativa ia a bancarrota.

Muitas das grande gravadoras, imbatíveis, verdadeiras donas do mundo, foram adquiridas por outras empresas ligadas ao entretenimento e passaram a ser “braços” destas empresas que normalmente uniam as gravadoras às suas outras empresas, como o setor cinematográfico, canais de TV, mídia imprensa, Internet e etc.

As “super-gravadoras” minguavam…

Neste intervalo começaram a aparecer os primeiros sites de vendas de downloads de música – uma tentativa de monetizar o download, bem como, de oficializá-lo. Mas, este modelo nunca supriu o rombo já feito nas finanças das gravadoras.

Acanhadamente começaram a surgir serviços de “aluguel” de arquivos que você podia escutar por um determinado tempo e ele simplesmente parava de funcionar no seu computador ou player de MP3.

Nada disso dava realmente certo!

Estávamos perto de um tempo em que o prognóstico era que a indústria fonográfica iria, de fato, sucumbir!

Até que o modelo de “aluguel” de arquivo começou a ser transformado em streaming de música e isso só foi possível graças ao aumento geral da banda de internet no mundo. Até 2007 (mais ou menos) baixar um único arquivo de MP3 demorava uns bons minutos e um CD completo podia demorar horas e horas!

Com a tecnologia da Internet melhorada, o streaming de música ( e de filme também) passou a ser algo real.

Pulemos para os dias de hoje!

Hoje, o streaming é uma realidade, mas ele ainda está engatinhando na forma de se manter vivo economicamente. E quando falamos de streaming estamos também falando de modelos como o Youtube.

Só que ocorreu o seguinte: os donos dos serviços de streaming não são as gravadoras e muitos destes são ligados a empresas de tecnologia ou outros tipos (Youtube > Google; Google Play > Google; Apple Music > Apple; Prime > Amazon e etc. Recentemente o grupo Warner colocou uma boa grana no Deezer, mas, de fato, não são os donos e sim investidores).

E o que o streaming ocasiona de relevante no tocante à cadeia da indústria fonográfica? Ele “quebra” o “atravessador”. Ou seja, as gravadoras não têm mais papel predominante no streaming. Qualquer um que seja dono dos direitos autorais de uma música pode disponibilizá-la neste tipo de serviço. Para as gravadoras resta seu catálogo de músicas (aquelas que elas detêm os direitos) e seu rol de artistas (que é reduzidíssimo perante seus tempos áureos). Com o streaming o artista passou a ter mais liberdade perante seu trabalho. Mas, nem tudo são flores…

Para se ter uma ideia a Apple Music, por exemplo paga numa média mundial $0.005643 dólares – para entender este valor, um centavo de dólar é 0,01 e este valor é uma média mundial, há países que pagam mais e outros menos, porém, sempre valores irrisórios – por música escutada no seu serviço. Imagine quantas vezes um artista precisa ter sua música tocada num streaming que, normalmente, contêm mais de 30 milhões de músicas estocadas para conseguir uma boa grana?

Resumindo: o streaming, por enquanto é bom para a liberdade do artistas, mas não é bom para ganhar dinheiro algum – isso é uma coisa muito difícil e demanda novos aprendizados, novos formatos de propaganda, novas modelos de ações, em suma, tem muita água para rolar ainda…

O streaming é bom para o usuário? Sim e não!

Vamos aos nãos:

Primeiro, pelos motivos que já cansamos de dizer no UV: a qualidade do arquivo não é dos melhores, pois, é um arquivo digital comprimido – como um MP3 – e isto faz perder algumas características e até mesmos timbres e sons da música.

Segundo, que o usuário não é o dono das musicas que estão no seu serviço predileto, por isso, o nome do usuário é “assinante”. Quem tem o poder de manter ou tirar as musicas do serviço de streaming é o proprietário da empresa e quem as colocou à disposição (sejam gravadoras, artistas, selos e etc). Ou seja, é muito relativa e quase mentirosa a propaganda que você pode manter offline as músicas que você “guardou”, já que, se forem retiradas do serviço (seja por qual motivo for), elas também somem das “músicas baixadas”. De fato, o assinante não tem qualquer poder sobre armazenagem de músicas, ele não é dono do arquivo e está sempre sujeito aos desejos, políticas e maquinações dos serviços.

Sabe aquele artistas que você tanto gosta? Ele retirou suas músicas do serviço de streaming. Sabe aquelas músicas dele que você deixou guardadas para ouvir? Pois é… se foram!

Há terceiros, quartos e quintos nãos, mas fiquemos apenas com estes dois para não nos alongarmos muito e vamos aos sins!

Liberdade de poder ouvir em vários equipamentos. No celular, no desktop, no computador e em vários gadgets especiais para streaming. Como diz a propaganda, isso não tem preço!

Mobilidade é outro fator, o streaming te permite uma variedade de formas de escuta e, inclusive, caminhando, dirigindo e etc.

O streaming, de fato, vem trazendo uma nova perspectiva para a indústria da música, porém, ele não monetiza eficientemente o artista e o assinante fica à mercê do poder do serviço em manter ou retirar a música, sem contar o maior mal de todos, a qualidade deixa a desejar. Você até pode pensar que está legal a melodia que está escutando, mas experimente comparar com o que sai de um CD ou de um vinil num bom parelho de som? Ah! Também, como diz a propaganda, isso não tem preço!

Se você gosta de um artista ou de uma música, só tem uma saída: comprar um disco físico (CD ou vinil) ou realizar um download oficial do arquivo (há a saída da pirataria de arquivos musicais e CDs, mas isso o UV não aconselha em hipótese alguma).

Então, para terminar vamos à resposta da pergunta que é o título deste artigo: qual a grande novidade da Era do Streaming?

A resposta é: a mudança dos personagens que “mandam” na indústria fonográfica e como decorrência a reformulação desta indústria que vem, por enquanto, oportunizando uma certa liberdade na escolha da forma e modelo de se escutar música.

E o vinil?

O vinil é visto hoje como a mídia que mais oferece lucro ao artista – mais até que o CD – e isso é um fator muito importante para o artista, banda, conjunto, seja que nome for, já que no streaming a probabilidade de ter ganhos maiores é muito menor que o que se obtinha em épocas anteriores.

E não somos absolutamente contra qualquer forma de escutar música. Nós do UV fazemos apologia ao vinil por gostarmos deste formato e ponto!

O streaming tem qualidades que inexistem em outros formatos, mas, se você tem um artista que você gosta muito, que tal comprar o vinil dele? Você não fica sujeito a ter sua música deletada do serviço de streaming, você oferece a ele ganhos merecedores e ainda fica com um belo objeto que faz soar uma música de qualidade.

Em suma, na Era do Streaming, viva a diversidade e a liberdade de escolha. Foi-se o tempo que quem mandava no mundo da música era ½ dúzia de gravadoras. Agora, vale a sua escolha. Quer vinil? Tem! Quer CD? Tem! Quer streaming? Tem! Quer download de arquivos? Tem! E quer fita K7? Também tem!

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