Pesquisa UV: Perspectivas e perfil do e-commerce brasileiro de vinil

Esta é a nova pesquisa do UV sobre o e-commerce brasileiro de vinil. Foi realizada entre os dias 19 de fevereiro e 09 de março de 2017 e anteriormente já tínhamos feito a enquete sobre “O perfil do fã e colecionador de discos de vinil” (agosto de 2016), juntando as duas poderemos ter um panorama bastante interessante deste universo brasileiro do vinil.

Foram convidadas lojas que vendessem vinis para participarem com as seguintes características: tivessem página – Fanpage – no Facebook (não valia perfil pessoal) e cada uma delas deveriam conter um mínimo de 3 mil curtidores.

Utilizamos uma metodologia nada convencional, porém, bastante realista a partir da inserção que as Redes Sociais (neste caso particular, o Facebook) têm na relação entre consumidor e loja, nos permitindo responder (ou no mínimo nos dando pistas) os objetivos da pesquisa que eram: compreender o perfil do e-commerce brasileiro de vinil e as perspectivas deste mercado.

Numa pesquisa prévia no Facebook utilizando a ferramenta “procure coisas, pessoas e locais” com as palavras chaves “disco de vinil” e “vinil” direcionadas para a categoria “páginas”, foi encontrado um universo de 23 lojas que se encaixavam nas características procuradas (haviam mais, contudo nem todas participaram – abaixo explicamos os critérios utilizados). As enquadradas foram contatadas e convidadas a participarem.

Os motivos de não contatarmos todas as encontradas foram:

A) 2 delas tiveram os e-mails retornados e não conseguimos achar outro endereço eletrônico de contato na web.

B) Grandes lojas que vendem vinil como Saraiva e Livraria Cultura ficaram de fora, já que não encontramos endereços de e-mails que pudéssemos convidá-los (não os encontramos na web durante nossas rápidas pesquisas para listarmos os endereços eletrônicos) – algumas possuem apenas formulários para contato e não deixam expresso um endereço alternativo (e-mail direto).

C) Algumas páginas que aparentemente são lojas de discos também ficaram de fora por não explicitarem sua função como vendedora de discos no Facebook na aba “Sobre” – este fator nos dificultava detectar se a atividade desta Fanpage era comercial ou não.

Assim, todas as lojas que não tivessem um e-mail como forma de contato e/ou que não deixavam claro que eram uma loja de discos na aba “Sobre” ficaram de fora da pesquisa.

O questionário da pesquisa foi feito na plataforma Google Formulários e no contato com os lojistas foi indicado um endereço para que o respondessem – somente os lojistas convidados tinham conhecimento deste endereço. O e-mail enviado para convite tinham os remetentes escondidos na correspondência na forma de CCO (com cópia oculta).

A pesquisa não teve  quaisquer dados coletados dos participantes, inclusive, suas identificações, pois, foi formulada para ser totalmente anônima. Desta forma, desconhecemos quais foram as lojas que de fato responderam o questionário (exceto aquelas que deixaram suas identificações por desejo próprio na parte da pesquisa que tinha uma caixa aberta para colocarem eventuais críticas, elogios, indagações ou algo que achassem pertinente sobre as perguntas).

O questionário ficou aberto no período de 19/02 a 09/03 e entre estes dias foi encaminhado um lembrete para que os respondentes que ainda não tivessem participado fossem alertados.

O nível de resposta foi alto (40%) perto do que se espera normalmente em pesquisas feitas online a partir de convites por e-mail ou outras formas digitais de contato – segundo Fred Reichheld em The Ultimate Question 2.0: How Net Promoter Companies Thrive in a Customer-Driven World, 20% já seria um número aceitável. Assim, a pesquisa tem uma mostra bastante razoável do que venha a ser o perfil e as perspectivas do comércio brasileiro de vinil .

Agradecemos aqueles que ouviram nosso chamado respondendo a pesquisa e que compreenderam a importância deste tipo de enquete que ajuda a desvendar o vinil como produto comercial. Lamentamos os ausentes, porém, para ambos, participantes ou não, acreditamos que esta pesquisa lhes servirá para, pelo menos, poderem confrontar suas realidades com as conclusões exibidas, alimentando-os com informações para tomadas de decisões e para comparações do seu negocio perante os resultados aqui obtidos ou, no mínimo, lhes apresentar algumas curiosidades sobre seu ramo.

Vamos aos resultados:

(Os gráficos estão no final do artigo)

1 – Este não é um mercado recente, como podemos observar ele contém lojas com mais de 02 anos em atividades no Brasil e 25% das empresas têm mais de 06 anos. Portanto, o mercado já tinha verificado o “retorno” do vinil antes mesmo do boom de matérias que têm saído na grande mídia ultimamente.

2 – No e-commerce brasileiro prevalece a venda de discos novos.

3 – 50% das lojas participantes da pesquisa vendem vinil, CD e DVD, portanto, mídias físicas de música; 37,5% só vendem vinil e apenas 12,5 diversificam seu comércio vendendo vinil com outros tipos de produtos.

4 – 75% das lojas vendem mais de 05 (cinco) vinis por dia

5 – 75% das participantes não têm lojas físicas

6 – 25% que possuem lojas físicas e virtual estão dividios quanto a situação de qual loja vende mais, a física ou a virtual. 33,3% disseram que é a virtual, os outros 33,3% que é a física e os 33,3% restantes que ambas vendem bem

7 – Quanto ao número de pessoas empregadas, mesmo que pequeno, percebe-se que o e-commerce brasileiro de vinil é empregador nato, pois 50% tem um empregado ou mais e apenas 12,5% tem apenas o proprietário atuando (as restantes foram declaradas como empresas familiares, portanto, é um empreendimento em que a família atua).

8 – O comércio virtual de vinil brasileiro tem atuação no exterior, onde 87,5% das lojas recebem pedidos de fora e a venda mínima é pelo menos bimestral, chegando 42,9% a apontarem que possuem praticamente um pedido por mês para o estrangeiro.

9 – O vinil como comércio na Internet é lucrativo, a maioria respondeu ter lucro, porém, uma parcela acredita que poderia ter uma margem maior de lucro.

10 – O mercado de vinil está em expansão segundo 62,5% dos respondentes e 37,5% dizem que está estagnado, mas não houveram respostas como estando em decadência.

11 – Aqueles que disseram que o mercado está estagnado afirmaram que vão diversificar seus produtos para a venda ou estão aguardando uma mudança para melhor, acreditando estarmos numa fase, pois creem no potencial do vinil. Não houveram respostas quanto a mudar de ramo ou fecharem lojas.

12 – Quanto ao número de  títulos ofertados no mercado atenderem as expectativas, obteve-se como resposta que poderia ser melhor ou ainda não está bom. Isso mostra que a quantidade de oferta de álbuns novos não agrada os lojistas.

13 – 100% disseram que as redes sociais (a presença no Facebook, Instagram e semelhantes) ajudam nas vendas. Mas, como colocado acima, havia um espaço em que o respondente poderia deixar alguma observação e um deles afirmou que ajudam muito pouco, pois, reverter curtidas em vendas é algo muito difícil em contrapartida outro disse que o Facebook é fundamental para suas vendas.

Conclusão:

O e-commerce brasileiro de vinil é uma atividade que está se mantendo. Achar um universo em torno de 30 lojas no Facebook (porém, como explicado nem todas entraram na pesquisa) com mais de 3 mil curtidores é um número bastante interessante sobre a presença deste tipo de comércio nas redes sociais e haviam lojas que sabemos venderem bem, mas não tendo o mínimo de 3 mil seguidores ficaram de fora. Isso não desqualifica a pesquisa, mas demonstra que a relação entre redes sociais e comércio de vinil ainda não é uma relação unânime e elevada no sentido de investirem em conquistar mais curtidores. Duas respostas antagônicas (já descritas no parágrafo acima) mostram verdadeiramente que as redes sociais ainda são uma incógnita sobre seus resultados. Porém, como 100% disseram acreditar na importância destas redes, podemos deduzir que mesmo que minimamente elas auxiliam este mercado.

Outro ponto fundamental é que, muito provavelmente, uma possível expansão deste comércio esteja ligada ao número ainda descontente de álbuns novos disponíveis para os lojistas. Um destes chegou a colocar no espaço para livre expressão que o valor da importação dificulta o aumento da oferta, onera os discos e a produção interna não acompanham o tamanho do nosso mercado.

O e-commerce de vinil pode ser apenas um nicho de mercado porém emprega e ajuda as famílias proprietárias no tocante à renda, atuando inclusive no auxílio à empregabilidade na cadeia do vinil (fábricas de discos, de eletroeletrônicos, acessórios e etc.) . Obtêm-se lucro, mesmo que não seja o lucro esperado, mas ele existe e isso é sinal, como adiantado em algumas questões da pesquisa, que é um tipo de comércio que pode estar em expansão. O que atravanca a expansão pode estar ligado à crise econômica (no caso da pista dada por aqueles respondetes que disseram que o mercado não está melhor por ser uma fase) e à falta de títulos suficientes para cobrirem a demanda e consequentemente freando o consumo.

O e-commerce de vinil não é um tipo de mercado muito recente. Se levarmos em consideração que de acordo com o SEBRAE  a maior taxa de mortalidade das empresas ocorrem nos 2 primeiros anos (apesar de não termos dados sobre quantas empresas vendedoras de vinil tenham saído do ramo nos seus 2 anos iniciais) podemos compreender pela pesquisa que aquelas com as características das participantes, ultrapassaram este período e estão, portanto, mais adaptadas às intempéries da economia brasileira.

O vinil novo é um produto primordial – ou no mínimo bastante importante – para as vendas destas lojas. Algumas se diversificam com CDs e DVDs e pouquíssimas apresentam outros tipos de mercadorias. Isso quer dizer que a venda de mídia física é muito real no mundo virtual e o vinil usado aparentemente não é o protagonista neste tipo de mercado (apesar de ser significativo).

Por fim, percebemos que a presença na web de lojas de vinil é concreta e isso mostra a força do vinil na cadeia da industriária da música. Não perguntamos quantos vinis vendem, mas sim a quantidade média de vendas, se observarmos que afirmaram vender mais de 5 vinis/dia e que também fazem vendas para o estrangeiro, dá para compreendermos que existe uma movimentação de aproximadamente 100 a 150 vinis/dia ou 3.000 a 4.500 por mês ou mais. Se fizermos um exercício de imaginação (isso não é um dado científico, mas sim uma especulação) somando as grandes cadeias (como Saraiva, Cultura e outras), as lojas físicas que não são objetos de análise desta pesquisa, outros tipos de mercados que vendem vinis e aquelas que ficaram de fora por não se enquadrarem na nossa metodologia, poderemos idealizar números muito grandes de vendas deste produto musical. Outrossim, não podemos afirmar que mesmo o mercado estando em expansão ele é passivo de novas lojas. Este propósito de abertura fica à cargo da vontade do investidor e não temos qualquer pergunta, portanto, qualquer resposta que avalie o grau de saturação ou de crescimento deste mercado.

Acreditamos que com esta pesquisa estejamos contribuindo para a percepção do comércio de vinil no Brasil, mesmo que seja na vertente e-commerce. Isso ajuda a vermos que o vinil é presente na indústria da música, emprega e movimenta o mercado fonográfico, mas ele poderia ser melhor se houvessem mais títulos e possibilidades de importação com valores menores, porém, estas duas últimas afirmativas são vistas a “olhos nus” e não precisaríamos de pesquisas para chegarmos a esta conclusão, contudo, estes dados mostram que esta realidade não é apenas no senso comum, ela é fato e isso atrapalha.

Vida longa a este comércio!! O vinil mais que nunca está aí, firme e forte!

Os gráficos da cada pergunta:

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