1967 – 50 anos!

Existem alguns períodos que parece que o universo conspira a favor do ser humano, oferecendo-lhe melhorias, glórias, vitórias contra os males do mundo e etc.

1967 parece ser um destes anos onde os deuses convergiram energias para o deleite do amante da música, seja a brasileira, seja a de outros países. E agora em pleno 2017 temos a distância histórica capaz de poder enxergar a representatividade deste longínquo meia sete para os dias atuais e esta chega a ser tão veemente que até o nome do nosso país mudou. Éramos A República dos Estados Unidos do Brasil passamos a ser a República Federativa do Brasil.

Sim, já estávamos nos anos da ditadura militar, um período que provavelmente acharíamos como uma fase que pouco ofertaria um campo fértil para as artes brasileiras, mas, no caso da nossa música, não foi bem isso que aconteceu e nos proporcionou discos e surgimento de artistas tão sensacionais que são, depois de 50 anos, profundamente aplaudidos e escutados até hoje e internacionalmente falando também foi recheado de significados. Sem contar apenas 4 exemplos de pessoas nascidas neste ano que dá para percebermos o quanto marcará a música atual: Kurt Cobain e David Guetta; Marisa Monte e Marcelo D2 – obviamente, cada um no seu estilo.

1967 – internacionalmente falando – é o ano de álbuns de estreias de The Doors (The Doors), The Velvet Underground (The Velvet Underground and Nico), Leonard Cohen (Songs of Leonard Cohen), Pink Floyd (The Piper at the Gates of Dawn), David Bowie (David Bowie), Jimi Hendrix (Are You Experienced) e até mesmo de uma publicação especializada em música: a revista Rolling Stone Magazine. Mas, não para por aí, é também o ano do primeiro disco internacional dos Bee Gees (Bee Gees’ 1st), do nascimento do grupo Gênesis que mais tarde ainda nos daria Peter Gabriel e Phill Collins e da “inauguração” de um estilo de shows em alta escala no formato de festivais (que, por sinal, influenciou os festivais de música eletrônica dos dias de hoje) que foi o  Monterey International Pop Music Festival onde estiveram presente mais de 200 mil pessoas!

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band certamente não é o álbum de estreia dos Beatles (foi seu 8º), mas foi considerado pela Revista Times como “uma evolução histórica no progresso da música” e a New Statesman afirma que a música pop foi elevada ao nível da arte com este disco, sem contar que foi o primeiro LP de rock a ser o Disco do Ano no Grammy e conquistar quatro prêmios em outras categorias.

E no Brasil?

Se 1967 fosse uma prova da escola já começaria ganhando um 10 por ter sido o ano do III Festival de Música Popular Brasileira – realizado pela TV Record – que lançou Edu Lobo para o grande estrelato com seu Ponteio, juntamente com Capinan. Mas, foi além! Quem é fã de Caetano Veloso e Gal Costa saiba que este foi o ano que surgiu o álbum Domingo que lançaria ambos no cenário nacional; Louvação de Gilberto Gil foi o álbum de estreia do grande cantor baiano e Jackson do Pandeiro com A Braza do Norte. E depois todo mundo já sabe o que aconteceu: Caetano, Gal, Gil e Jackson do Pandeiro se tornariam grandes representantes da música popular brasileira.

Mas, vocês acham que fica por aí? Não! 1967 também traria Travessia, o LP inaugural de Milton Nascimento. Dá para imaginar a MPB sem Jackson, Milton, Caetano, Gil e Gal? Realmente não dá!

Vamos aos discos mais importantes da música brasileira lançados em 1967:

  • Chico Buarque – Chico Buarque de Holanda volume 2 (RGE)
  • Antonio Carlos Jobim – Wave (A&M)
  • Jorge Ben – O Bidú: Silêncio no Brooklin (Rozenblit)
  • Paulo Diniz – Brasil, Brasa, Brasileiro (Som – foi o disco de estreia do cantor pernambucano)
  • Erasmos Carlos (2 LPs neste ano) – Erasmos Carlos e O Tremendão (ambos RGE)
  • Os Incríveis – Para os Jovens Que Amam os Beatles, Rolling Stones e… Os Incríveis (RCA)
  • Roberto Carlos – Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (CBS)
  • Nelson Gonçalves – A Volta do Boêmio (RCA – O disco também representou uma retomada na carreira de Nélson, que havia se envolvido com drogas e chegou a ser preso em 1965)
  • Elis Regina e Jair Rodrigues – Dois Na Bossa Nº 3 (Philips).
  • Edu e Bethania é um álbum de estúdio feito em parceria entre Edu Lobo e Maria Bethânia (Elenco).
  • Nara Leão (2 LPs neste ano) – Nara e Vento de Maio (ambos Philips)
  • Vinicius de Moraes – Vinícius (Elenco) e a trilha sonora “Garota de Ipanema” (Philips – com arranjos de Eumir Deodato e a regência de Antônio Carlos Jobim)
  • Dalva de Oliveira – A Cantora do Brasil (Odeon)

E o aclamadíssimo e mundialmente famoso Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim  (Reprise Records) que marcaria a parceria de Sinatra com Jobim e daria à música brasileira um maior destaque no cenário mundial.

É muita coisa, não acham? 1967 nem é um ano de muita representatividade é O ANO! Com letras maiúsculas e ponto de exclamação no final!

Então…parabéns 1967 pelos seus 50 anos!

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