A morte do MP3 e a universalização do AAC da Apple

Recentemente o mundo foi pego de surpresa ao anunciarem que as pesquisas que envolvem o compressor de arquivo digitais para música (MP3) seria descontinuada e as patentes colocadas à disposição.

A mídia especializada indagava qual o motivo deste abandono. O primeiro e, talvez mais importante motivo seria que os engenheiros que desenvolveram o MP3 estavam trabalhando com informações incompletas sobre como nossos cérebros processam informações sonoras e, portanto, o próprio MP3 estava trabalhando em suposições falsas sobre holisticamente como ouvimos, e à medida que a pesquisa psicoacústica evoluía e também as tecnologias que usamos para ouvir música iam sendo melhor trabalhadas, mais informações iam sendo agregadas sobre a engenharia do MP3.

Desta forma, novos formatos e produtos de áudio, com informações mais ricas e com melhor fluxo estão chegando ao mercado e o MP3 está sendo abandonado em detrimento ao AAC da Apple.

Então é o fim de uma era? Não! Ainda podemos usar os MP3s, mas quando as pessoas que passaram a melhor parte de uma década criando-o dizem que o gabarito está equivocado, devemos provavelmente começar a prestar atenção…

Parte das informações dos parágrafos acima não foram escritos por este que está digitando estas palavras, mas sim, veio da mídia especializada norte-americana e europeia, portanto, há uma pergunta cabível e que impressiona sobre a construção errônea do MP3: como uma geração inteira o usa indiscriminadamente e o elegia como um arquivo de excelente qualidade para escutar música? E neste raciocínio, a nossa Conversa de Vinil vem perguntar também: será que esta geração conhece a fundo outras mídias e as compara? Ou houve um trabalho de convencimento por parte da indústria fonográfica de que o padrão digital seria o melhor para escutar uma melodia e assim o MP3 sobressaiu?

Recentemente um estudo chamado The Effects of MP3 Compression on Perceived Emotional Characteristics in Musical Instruments (Os efeitos da compressão MP3 sobre características emocionais percebidas em Instrumentos musicais) analisou amostras de música comprimidas e não comprimidas em várias taxas de bits com mais de 10 categorias emocionais e descobriu que a compressão MP3 reforçava características emocionais como misterioso, tímido, assustador e triste e enfraqueceu aspectos positivos como feliz, heroico, romântico, cômico e calmo. Não estaria esta pesquisa elaborada pela Audio Engineering Library correta nos seus resultados? Afinal ela vem se encontrar com alguns argumentos da pesquisa psicoacústica elaborada pela equipe desenvolvedora do MP3 que anteriormente era pouco abrangente e profunda e nada assertiva.

Mas, vamos analisar um outro ângulo, o financeiro. Todo mundo sabe que em matéria de música digital a Apple é uma das maiores e mais poderosas empresas do mundo (se não for a maior e mais importante desta área). A simples troca do MP3 como modelo padrão pelo AAC não seria algo para perguntar se foi realmente uma substituição apenas embasada nas pesquisas sobre a relação homem X música X máquina X sentidos?

Mesmo lendo vários artigos da imprensa internacional sobre o abandono do MP3 pelos seus desenvolvedores, nós do UV ainda ficamos nos perguntando se todas as respostas sobre sua morte é, de fato, capaz de nos dar as respostas cabíveis.

Pesquisas da psicoacústica são verdadeiras e podem interferir na oferta de alguma mídia musical? Sim e é lógico que sim! Afinal, são resultados de anos e anos de desenvolvimento em novas tecnologias que podem desvendar o funcionamento do cérebro, e todos nós sabemos que a área do corpo humano com menos conhecimento é a do cérebro, portanto, muitas indagações sobre o funcionamento cerebral ainda estão carentes de respostas. Por outro lado a dúvida sobre a influência econômica da Apple é inegável. A troca do MP3 pelo AAC nos deixa uma pulga atrás da orelha e não é uma pulguinha quando conhecemos o poder econômico e político de empresas com a Apple, Microsoft, Facebook e similares – são empresas profundamente poderosas na atualidade.

Fica no ar os verdadeiros motivos sobre o fim do MP3, mas, ao mesmo tempo nos dá uma pista sobre o aumento do uso dos discos de vinil nos últimos anos. Afinal, quando indagamos às pessoas sobre os motivos que as levam a continuar com os vinis ou abandonar o formato digital em detrimento dos bolachões muitas dizem que o vinil é “quente” ou que ele é o “verdadeiro som” e coisas semelhantes. Assim, não estariam certas as pesquisas sobre a psicoacústica sobre os MP3 e por isso seu abandono? Não podemos afirmar, mas podemos dizer que os discos de vinil são realmente mídias que mesmo a imprensa os dando como mortos e acabados estão aí firmes e fortes e o que deveria ser seu maior sucessor acaba de ser velado e enterrado.

Assim vai um dos maiores ícones da era da música digital. Foi bom enquanto durou e agora vamos esperar as consequências disso e só a história poderá nos responder.

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