Melhorando a acústica do seu local de audição dos discos

A Conversa de Vinil desta semana vem trazer um assunto pouco falado, porém, muito importante para audição de qualquer mídia musical, portanto, este artigo serve para todos os amantes de música em geral, sejam eles adeptos dos discos de vinil, MP3, CD, seja o que for.

Quem acompanha o UV já sabe que não basta ter um bom aparelho de som e um toca-discos para a música soar da melhor forma possível. É importante que o conjunto, inclusive as caixas de som, sejam de qualidade e o ambiente onde este conjunto está tenha características que auxiliem na boa audição.

Quando falamos de ambiente estamos nos referindo ao local que seu conjunto de som está. No caso de um toca-discos, compreender que ele deve ficar num móvel (prateleira ou algo do gênero) estável e sem possibilidades de qualquer mexida é fundamental, bem como longe de calor e vento forte (lembre-se que a tampa do toca-discos pode servir como uma espécie de paraquedas capaz de catapultar seu tocador ao sofrer uma forte rajada de vento, principalmente se estiver em corredor de corrente de ar próximo a janelas). Todavia, estas dicas já foram dadas no UV, assim como várias e compensa procurar na nossa busca outras que tratam do melhor uso possível do seu aparelho de som, e na nossa Conversa de hoje vamos tratar especificamente em como melhorar a acústica do seu ambiente de audição.

Primeiramente, é importante compreender como o som se propaga nos ambientes. Não vamos entrar aqui em aulas de física, mas ter em mente como que o som se propaga auxilia na adaptação do ambiente que seu conjunto de som está. O som se propaga no ar (no gasoso e no liquido também, exceto no vácuo, porém, isso pouco nos importa agora) em forma de ondas e estas ondas são deslocadas no ambiente pelo ar que nele trafega. Com isso a onda sonora “bate” no que está no ambiente sendo refletida ou absorvida. Para nós, compreender estes 2 aspectos é o que é fundamental.

Segundo o site CTB, podemos observar como o som se reflete e como ele é absorvido:

“A reflexão do som ocorre quando as ondas sonoras encontram uma superfície relativamente lisa e dura. São exemplos de materiais refletores, as paredes de alvenaria, vidro, chumbo, madeira maciça de alta dureza e alguns tipos de borracha; estes materiais possuem um elevado poder refletor do som. Em contrapartida, a sua capacidade de absorção de som é muito baixa. É este o tipo de materiais que devem ser aplicados no exterior de recintos, de forma que o ruído exterior não seja transmitido através das paredes para o seu interior. Um recinto cujas paredes interiores sejam constituídas por materiais de elevado poder refletor apresentará muito más condições acústicas, pelo que será muito difícil, por exemplo, um correto entendimento de uma conversação. A reflexão do som segue leis equivalentes às da reflexão óptica.

A absorção do som ocorre quando as ondas sonoras são absorvidas pelo material que constitui a parede obstáculo. Os materiais absorvedores não permitirem a reflexão nem a transmissão das ondas sonoras, pelo menos em grande extensão. São, por este motivo, adequados para o revestimento de ambientes fechados. A dissipação da energia sonora é função da frequência, sendo mais elevada para altas frequências e bastante mais baixa para baixas frequências. A eficiência de absorção do som aumenta com a espessura e com a superfície de material absorvedor. Vários tipos de madeiras e de materiais celulares à base de borracha e de plásticos (e, especialmente para altas frequências), são exemplos de materiais bons absorvedores do som sendo, por este facto, considerados os materiais adequados para o tratamento de ambientes em que a sua qualidade acústica seja muito importante, como é o caso de auditórios, salas de reunião, teatros, cinemas, igrejas, etc.”.

Entendendo quais os materiais e tipos de construção mais refletem ou absorvem o som fica fácil compreendermos nosso ambiente e “dar um trato”  na reverberação é fundamental. A reverberação é a persistência do som num determinado espaço depois que o som original é removido, ou seja, é ela que mais nos faz ter um som confuso e, ás vezes, incapaz de ser compreendido, já que é ocasionada pela reflexão do som no ambiente. Na prática é o som “ricocheteando” pelas paredes e outros materiais existentes no ambiente.

Com isso, ambiente com paredes muito lisas, madeiras duras, janelas, pilastras, colunas e etc, tendem a piorar a qualidade do som que sai do nosso conjunto. Mas, como resolver isso? Não é tão difícil, pois, existem paliativos para “consertar” os locais. Se você quer justamente o contrário, que é fazer com que o som não saia do ambiente (no estilo  “não quero atrapalhar os vizinhos”), a coisa fica mais difícil. Nesta situação somente blindando o local com paredes duplas, sanduíches de vidros e etc fará com que o som não saia do ambiente. Mas, melhorar a acústica do local já é mais fácil.

O principal é o uso de placas que absorvem o som ou o uso de espumas acústicas. Ocupar espaços de paredes lisas com essas placas ou espumas ajuda muito para a melhoria do som e muitas auxiliam a compor a decoração do ambiente, pois, existem em diversas cores e modelos.

Espumas
Placas

Se você não tem grana para comprar placas que absorvem o som, bem como, espuma acústica, já que isso seria o ideal para ser colocado nas paredes e janelas, existem algumas alternativas como colocação de cortinas e até mesmo o uso de colchões do tipo “caixa de ovo”  (aqueles colchões anti-escaras) à venda em lojas de equipamentos para saúde, mas, lembre-se que quanto maior a densidade mais absorção terá. Evite o uso de caixa de ovos (as de verdade) já que elas servem como esconderijos para insetos. Tapetes também ajudam muito e até quadros feitos em telas para pintura podem dar aquela “freada”  no som tão necessária para evitar a reflexão no ambiente. E é bom ter em mente, exceto se você quer um estúdio, não é necessário cobrir todo o local, bastam algumas regiões.

Colchão anti-escaras
Tapetes

Para saber se deu certo sua engenharia para melhorar acústica do seu local só testando mesmo. Afinal de contas estamos dando a dica de algo alternativo e barato, caso queria algo melhor, somente contratando um engenheiro especialista em acústica de ambientes.

Teste seu conjunto, veja se agora ele soa bem com as modificações que o local sofreu, se não ficar satisfeito vá no erro e acerto. Mude a placa, espuma ou colchão de local e os quadros, veja se a cortina tem um pano realmente absorvedor de som e assim por diante. Vá analisando até chegar ao ponto ideal ou o menos pior. Mas, temos certeza que com estas dicas seu ambiente poderá ter um ganho de qualidade bem superior de quando estava liso e pelado.

Para exemplificar o que escrevemos compensa ver o vídeo abaixo que o músico australiano Joachin Müllner, conhecido como Wikisinger, fez para documentar a forma como o som se propaga. É muito interessante e mostra claramente a acústica de diferentes ambientes:

Caso o vídeo não funcione, vá direto ao Youtube AQUI

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