Na guerra pelos formatos de áudio de qualidade quem ganhou foi o vinil

Como aconteceu a guerra entre os formatos de mídias de música que foi vencido pelo MP3? Será que você imagina que os movimentos internos das grandes empresas de eletrônica e música ficaram parados, quietos e calados logo que a Philips lançou o Compact Disc (CD) e o vinil foi anunciado como morto?

Não!

Houve um tempo que teve uma guerra acirrada para desenvolverem novos tipos de arquivos de música e que, felizmente ou infelizmente, quem ganhou foi o MP3 e a as empresas envolvidas não conseguiram prever que este modelo de compressor de arquivos de áudio com pouca qualidade iria sobressair neste verdadeiro embate entre grandes indústrias pelo melhor formato de áudio digital, afinal de contas quando o CD veio a conhecimento público, ele conseguiu ganhar do seu maior rival que eram os discos de vinil e isso acabou por assinalar – para a indústria – que as pessoas queriam novos tipos de mídias musicais que mantivessem um áudio de qualidade.

Ledo, engano! Hoje, nós já sabemos do final dessa história e, quem diria, o CD cai da preferência do público, o MP3 parou de ser desenvolvido e um modelo bem diferente (inclusive na forma de comercialização) vem ganhando cada vez mais adeptos e se tornando o carro-chefe da indústria da música: o streaming! E ao mesmo tempo, aquele que estava dado como morto se mostra como uma real alternativa para a volta dos lucros destas grandes empresas que perderam bilhões de dólares, tempo e prestígio numa guerra insana e autoflageladora: os discos de vinil.

Compensa, utilizando as palavras de Melissa Schilling, percebermos como aconteceram os movimentos destes embates. Melissa anuncia que um de seus exemplos favoritos para discorrer sobre como as empresas se tornam incapazes de preverem o futuro e compreenderem o mercado é, justamente, pelas indústrias de eletrônicos de consumo e gravação, que competiram na procura da melhor fidelidade de áudio por décadas.

Nas palavras de Schilling :

Em meados da década de 1990, as indústrias estavam ansiosas para apresentarem um formato de áudio para a nova geração pós CD. Em 1996, a Toshiba, Hitachi, Time Warner e outros formaram um consórcio para apoiar uma nova tecnologia, chamada DVD-Audio, que oferecia fidelidade superior e som surround. Eles esperavam fazer confronto em torno da Sony e da Philips, que possuía o padrão do Compact Disc que extraia uma taxa de licenciamento para cada CD e player vendido.

Sony e Philips, no entanto, não iriam ficar fora dessa briga. Eles contra-atacaram com um novo formato que desenvolveram em conjunto, Super Audio CD. A mentalidade da época era que fabricantes, distribuidores e consumidores perderiam muito se apostassem num formato errado. No entanto, a Sony lançou os primeiros players Super Audio no final de 1999; os tocadores de DVD-Audio atingiram o mercado em meados de 2000. Uma guerra de formatos dispendiosa parecia inevitável.

Você pode estar coçando a cabeça neste momento, perguntando-se por que nunca ouviu falar sobre esta luta de formatos. O que aconteceu?

Simples: foi o MP3 que aconteceu! E isso não estava nos planos e nem na imaginação de muitas destas empresas!

Enquanto os gigantes da eletrônica de consumo perseguiam novas qualidades de fidelidade de áudio, um algoritmo que ligeiramente fazia perder a fidelidade em troca de um tamanho reduzido de arquivos de áudio estava decolando. E, logo após a plataforma de compartilhamento de arquivos – Napster lançada em 1999 – passar a se tornar conhecida e oferecendo este tipo de arquivo, os amantes das melodias começaram a fazer downloads ilegais de milhões de músicas, e os serviços semelhantes a Napster brotavam como ervas daninhas e a indústria fonográfica ia à bancarrota.

Você pode estar inclinado a pensar que a Sony, a Philips e o consórcio DVD-Audio não tiveram sorte. Afinal, quem poderia ter previsto a chegada do MP3 (quer entender melhor os diferentes arquivos digitais de áudio, leia aqui) e sua “vitória” perante os modelos de qualidade superior de áudio? Melissa Schilling explica isso e numa visão própria (leia aqui seu artigo – em inglês) tenta mapear como ocorreram as falhas das grandes empresas de gravação e comércio de música sobre a compreensão das tendências e as razões do surgimento e preferência do MP3 pelo público. Mas, nós nos “despedimos” da escrita desta autora para não perdermos nosso foco.

Entendidos os acontecimentos e os movimentos e já saindo das palavras de Melissa e agora nos transportando para nossa própria reflexão, perguntamos: como o streaming e o vinil se tornaram os queridinhos dos consumidores de música depois de toda essa guerra e mesmo de terem gritado aos 7 cantos do mundo que o vinil estava mortinho da silva? Vamos tentar responder:

Primeiro: a portabilidade. O MP3 era portátil e poderia ser consumido em qualquer lugar, mas era necessário um player próprio. No momento que os smartphones passaram a oferecer os serviços de streaming no próprio aparelho e não precisavam mais utilizar a memória interna para manterem os arquivos de música, a opção inteligente seria a de abandonar o MP3. E é isso que vem acontecendo.

Segundo: por mais que as empresas pensem que sua busca pela melhor qualidade de áudio tenha morrido e tenha sido em vão, isso não aconteceu. Ainda tinha um público ávido pela qualidade e ele se mantinha fiel ao disco de vinil e esse público foi se expandindo à medida que os referidos discos voltavam para o conhecimento das pessoas.

Este conhecimento pode ter sido iniciado com o Record Store Day e é bem provável que tenha sido, sem contar o papel preponderante dos DJs e dos colecionadores que jamais abandonaram os disquinhos pretos de plástico. Os bolachões não tinham morrido, porém, estavam esquecidos pelas páginas de jornais e revistas, programas de TV e o noticiário em geral.

Uma grande crítica que o UV faz é que esta mídia oficial comprou a ideia da morte do vinil, embarcou na onda de que o CD era a melhor e única escolha e passou a se lançar contra o MP3 associando-o à pirataria. Até que um dia a Apple vendo que o MP3 era importante, resolveu fazer seu player para arquivos compactados de música, o Ipod (ela não usava o MP3, mas sim o AAC, porém, via seu Itunes, oferecia a conversão necessária) e este era um tempo que ninguém sonhava com o streaming e muito menos com um modelo de telefone celular que fosse um smartphone.

Mas, a empresa da maçã não fica só por aí com os arquivos digitais de música e passa a comercializar álbuns inteiros e músicas separadas via seu Itunes (essa comercialização não foi invenção dela, outras empresas já faziam isso, porém, foi a que se despontou neste quesito), além de desenvolver um aparelho de telefonia celular (Iphone) que pudesse conectar a seu vendedor de músicas. Estava feita a revolução e a indústria fonográfica já estava perdida e sem saber o que fazer.

O resto é história, todo mundo já sabe o desfecho e os caminhos do DVD-Audio, além do Super-Audio, e a compreensão de que o vinil nunca morreu e hoje ele é tão importante para a venda e consumo de música que vem sendo recheado de novos empreendimentos para auxiliar seu crescimento, como novas fábricas de discos, desenvolvimento de variados modelos de toca-discos e o surgimento de uma nova indústria de eletrônicos e consumíveis focada nos discos e seus acessórios.

Na briga pelo áudio de qualidade, quem ganhou foi o vinil! Essa é a moral da história!

_______

Todo domingo às 19h na Rádio UFS FM 92,1 tem o programa Conversa de Vinil
Você pode escutá-lo pela web em radio.ufs.br ou a partir do podcast, clicando aqui

Quer saber mais sobre o “ressurgimento” do Vinil? Clique aqui!
Quer saber sobre a qualidade sonora do Vinil, do CD, do streaming e do MP3? Clique aqui!
Sobre os toca discos? Clique aqui!
Cuidados com seus discos? Clique aqui!
Como e onde comprar? Clique aqui!

Quer interagir? Utilize a seção contato, clicando AQUI!

Faça o download gratuito do livro Conversa de Vinil: o universo dos discos de vinil ou o adquira no formato papel para ajudar o UV a se manter sem a necessidade de propagandas ou patrocínios clicando AQUI

 

Website Malware Scan