O perfil do fã e colecionador de discos de vinil – pesquisa 2017

Em julho de 2016 lançamos a nossa primeira pesquisa sobre o perfil do fã e colecionador de discos de vinil. Ela foi muito importante, já que nos mostrou o caminho que este tipo de colecionador e fã estava trilhando até então e, por isso, nos deu bastante pistas para compreendermos o universo desta camada de amantes da música.

Neste agosto de 2017 estamos lançando os resultados da segunda pesquisa e ambas foram realizadas em períodos semelhantes (a 1ª pesquisa teve a coleta de dados na última semana de julho e a pesquisa de agora na última semana do mesmo mês e na primeira de agosto).

O intuito desta nova pesquisa é verificar se houve alguma diferença, no intervalo de um ano, nas preferências e nos modelos de fãs e, caso tenha existido, se alguma coisa foi significativa, bem como, perceber se já existem pistas para termos uma espécie de retrato do padrão típico do amante dos discos – mesmo sabendo que o intervalo de tempo e a quantidade de levantamentos realizados ainda são incipientes para tal resposta

 

Compreenda a metodologia:

Esta pesquisa tem caráter científico limitado, visto que foi um levantamento na web sem delimitar a amostra e muito menos determinar o universo, apesar de que poderíamos dizer que o universo sejam os leitores de assuntos ligados a discos de vinil na web e em especial no Facebook. Mas, mesmo sendo elaborada desta forma, ela nos dá sinais importantes para a análise do objeto estudado e nos permite visualizar alguns indicadores, pois, hoje em dia este tipo de perquirições científicas são muito utilizados.

Foi elaborada por um Cientista Social*, doutor e professor universitário, portanto, tem caráter investigativo envolto nos métodos usuais de pesquisa acadêmica

Foram 660 respostas (espontâneas) oriundas de curtidores e não curtidores do UV no Facebook, bem como, possivelmente alguns leitores e leitoras do Portal UV. Portanto, não foi uma pesquisa específica de frequentadores dos sítios do Universo do Vinil na Internet. Este fator é importante, pois ele mostra que não houve um direcionamento único do público de respondentes, excetuando que sua grande maioria é frequentador do Facebook.

Na pesquisa de 2016 foram 702 respondentes e nesta 660. São quantidades bastante parecidas e isso facilita a comparação entre ambas.

Para determinar que a direção de respondentes fosse além dos curtidores e frequentadores das páginas do UV, foi utilizado o artifício da promoção paga da postagem no Facebook com 2 situações a) direcionada a curtidores e amigos dos curtidores do UV e b) direcionada a não curtidores do UV. O direcionamento da promoção do caso “B” foi para um público que já tinha preestabelecido na Rede Social em questão que eram fãs de música. A comprovação deste direcionamento está nas curtidas dos anúncios veiculados durante a semana, onde, se percebe que um número substancial não é de curtidores da página.

Resultados:

  • 99% dos respondentes são brasileiros
  • 87,3% são dos sexo masculino
  • os fãs menores de 18 anos correspondem a menos de 2%; a grande faixa de fãs é a de 38 a 42 anos (18,5). Há um bom contingente de fãs a partir dos 23 anos e a soma de 18 a 23 anos de idade corresponde quase que a mesma de 38 a 42 (17,6%).
  • 63% dos respondentes têm renda acima de 3 mil Reais
  • 62,8% tem escolaridade a partir do ensino superior. Sendo importante destacar que 26,4% do total tem nível acima da graduação completa
  • 80% dos participantes gostam de vinil faz mais de 2 anos
  • 97,3% têm discos em casa
  • Com mais de 1000 discos de vinil em casa é a fatia correspondente a 14,7% e abaixo de 50, 14,4%. A média de discos dos fãs está entre 100 a 1000 discos.
  • 48,4% dos respondentes compram mais de 12 discos por ano (ultrapassando a média de 1 por mês)
  • para 81,5% dos fãs tanto faz comprar discos novos ou usados
  • Bem como 87,7% não têm preferência entre nacionais e importados
  • O local de compra de discos pelo fã é tanto nas lojas físicas quanto na Internet e 35,8% dos compradores adquirem importando discos em e-commerce internacional
  • Dos 2,7% que responderam o questionário dizendo que não têm discos em casa, 31,3% admitem que não têm dinheiro para comprá-los e 25% estão esperando os preços baixarem
  • Dos tipos de mídias de música, 27,3% só compram discos de vinil; 57,3% compram tanto vinil quanto CD e/ou DVD. O streaming pago já chega a mais de 35%. A compra de CDs e DVDs piratas é muito baixa entre os fãs de discos de vinil, porém, o download ilegal ainda é uma prática existente e significativa (38,5%).
  • 94,2% têm toca-discos em casa
  • Dos que não têm tocadores de vinil em casa, 52,4% estão esperando ter dinheiro para comprar e 28,6% estão na eminência da compra.
  • 46,9% têm mais de um toca-discos em casa
  • 43,2% dos proprietários de toca-discos não sabem a idade dos seus aparelhos, pois, foram comprados usados. 39,9% têm tocadores há mais de 2 anos
  • Os fãs de discos de vinil escutam seus discos com uma certa regularidade e o ato da audição dos discos ser raro é de apenas 5,5% dos respondentes.
  • 76,1% dos participantes da pesquisa escutam os discos de forma variada, sendo sozinhos ou acompanhados
  • Dos que não têm toca-discos em casa, 52% escutam em outros locais – normalmente em cada de parentes, namorados(as) e amigos
  • O estilo de música predileto dos fãs de discos de vinil é o rock internacional (89,9%). Como esta pergunta poderia ter mais de uma respostas, os 5 maiores estilos de preferência são (na ordem): rock internacional (89,9%); rock brasileiro (67,8%); MPB (66,6%); blues (56,7%) e jazz (47,5%).

Comparando a pesquisa de 2016 com a de 2017:

  • Os fãs de discos de vinil continuam sendo em sua grande maioria homens, porém, houve um aumento de 1% nos fãs do sexo feminino.
  • Entre os fãs, a faixa de idade de menores de 18 anos, permanece praticamente a mesma, porém, a faixa entre 23 a 27 começa a ter um número maior de interessados a partir da pesquisa de 2017
  • A faixa de renda continua  a mesma, sendo superior a 3 mil Reais
  • A escolaridade do fã aumentou substancialmente. Em 2016 eram 53,1% com curso superior ou além da graduação, em 2017 são 62,8% nesta mesma situação
  • A compra via importação em e-commerce estrangeiro teve uma alta de praticamente 10% dos respondentes
  • O download ilegal de música entre os fãs de discos de vinil vem caindo. Teve uma queda superior a 4% entre 2016 e 2017
  • Houve um aumento perto de 3% no tocante à existência de toca-discos nas residências dos respondentes e isso é comprovado também no tempo que este tocador existe nas casa. A questão com players de vinil com um ano de existência em 2016 era de 8,1% e em 2017 é de 11,4%
  • Entre os estilos de música, o rock internacional continua o predileto. Houveram mudanças nas porcentagens, porém, na ordem de ritmos preferenciais não houveram mudanças significativas

Neste intervalo de 01 ano entre uma pesquisa e outra,  foram poucos os momentos que a mudança gerou um panorama que fosse mais significativo. São 05 os casos mais importantes:

  • a faixa de 23 anos até 27 vem aumentando, porém a de 18 anos para baixo está estável
  • no aumento da escolaridade do fã
  • na aquisição de discos via lojas estrangeiras.
  • na aquisição de toca-discos para as residências
  • na diminuição da “aquisição” de música via pirataria

Estes 5 fatores mostram que o fã do vinil é antes de tudo bem qualificado e junto ao quesito da renda, demonstra que está acima da média da maioria da população brasileira.

À medida que o jovem sai da adolescência e se torna um jovem adulto, ele tende a gostar mais de discos de vinil.

De fato, houve por parte daqueles que disseram que iriam comprar toca-discos assim que conseguissem dinheiro ou que já estavam na eminencia da compra, uma real aquisição. Não era apenas um desejo!

A pirataria via download vem diminuindo ano após ano entre os fãs de discos, bem como a compra de CDs e DVDs ilegais não é uma prática significativamente existente.

Considerações finais:

Infelizmente a resposta internacional foi aquém da esperada, mas pode ser explicada pelo pouco tempo que o Universo do Vinil passou a ser frequentado por leitores de outros países lusofalantes. O fato é que dos nossos mais de 50 mil seguidores no Facebook, praticamente 15% são de outros países e esperamos que no ano que vem haja uma resposta mais salutar destas pessoas.

Excetuando os fatores acima na relação entre a pesquisa de 2016 e a de 2017, a análise dos resultados continua praticamente a mesma. Porém as mudanças nos 5 quesitos listados podem demonstrar novos caminhos para o comércio e a questão cultural da presença dos discos de vinil na vida das pessoas.

O fato do adolescente assim que se torna jovem adulto passar a gostar de discos de vinil demonstra que é uma mídia que atrai jovens, porém, não atrai os adolescentes e pode estar ligado ao poder aquisitivo, pois, é uma parcela da população que normalmente não está inserida no mercado de trabalho. Outro fator meramente especulativo está coadunado à questão da necessidade da instantaneidade das coisas do mundo por parte do adolescente e, neste caso, vinil realmente não combina, já que suas características para manuseio, cuidado e o próprio ato da audição demandam cuidados nada instantâneos e imediatos.

O vinil ainda é eminentemente masculino, mas um aumento de 1% entre a pesquisa do ano passado com a de agora demonstra que existe uma caminhada feminina entre os fãs.

A lista dos modelos de toca-discos nas residências não teve mudança radical e continuam os usados os preferenciais e as marcas são praticamente as mesmas. Porém, está havendo de fato aquisição de tocadores de discos entre os fãs. 3% a mais dos que gostam de discos passaram a ter toca-discos em casa. Talvez a crise da economia brasileira e a questão dos impostos e altos preços tenham atrapalhado um aumento mais substancial.

Não tem como negar e isso é tendência mundial: o fã de vinil é eminentemente roqueiro! E no caso brasileiro, o jazz, blues e a MPB estão na preferência. Funk, sertanejo e gospel em nenhuma das 2 pesquisa completam uma casa de 2 dígitos nas estatísticas. Mas, no caso do pop internacional houve um aumento interessante. Este ritmo em 2016 tinha 18,9% da preferência e em 2017 passou a 40,8%. É difícil compreender os motivos de um aumento tão grande num determinado estilo musical, mas pode estar ligado ao “aprendizado” da compra de discos em lojas de e-commerce internacional e na maior exposição deste tipo de música nos meios oficiais de comunicação.

Em sua maioria o fã de vinil é homem com curso superior e renda familiar acima de 3 mil Reais (a média da renda familiar nacional segundo o IBGE é de R$ 1.052,00), compra vinil regularmente em lojas físicas e pela Internet e os tem em quantidade em casa e passou a adquirir mais títulos importando de e-commerces internacionais. Ao compreender que o fã do vinil também adquire CD e DVD musical e legalmente, pode nos fazer pensar que a falta de títulos em vinil continua sendo um empecilho para aumentarem as compras.

Levando em consideração que existe uma expressiva parcela com renda inferior a R$ 3000,00 e somando àqueles que ainda não adquiriram vinil por falta de um maior poder aquisitivo, nos inclina a imaginar que o preço do vinil ainda não consegue chegar a todos que dele gostam, podendo atrapalhar o enraizamento mais profundo e a consequente distribuição desta cultura nas distintas classes sociais e faixas etárias. Se alguém pensa que vinil é uma tendência elitista por causa do seu preço existente hoje em dia, se engana ao ver o grande número de fãs nas classes economicamente desprivilegiadas.

O grande número de pessoas que responderam comprar em lojas físicas nas duas pesquisas realizadas, indica o real rejuvenescimento do mercado de discos.

As marcas de toca-discos fora de fabricação continuam predominando (Technics; Gradiente – Garrard; Philips e se juntarem todas as vintage veremos que é a franca maioria). Em 2016 a marca campeã entre as novas foi a Audio-Technica, porém em 2017 passou a ser a Numark.

Entre novos modelos de toca-discos, além da Numark e Audio-Technica, marcas como Crosley, CTX, Imaginarium e Ion predominam nos lares dos fãs de vinil e algumas situações ligadas a estes últimos aparelhos podem atrapalhar a experiência com o disco, se tornando um problema. O levantamento continua nos indicando que muitos tem mais de um em casa e continua havendo uma desproporcional relação entre a venda de discos e a venda de toca-discos, afinal, um não pode viver sem o outro e deveria ser um mercado visto praticamente como único apesar do crescimento nas vendas de 3% entre o ano de 2016 a 2017.

Os fãs de vinil são rockeiros por excelência e depois vem o blues, MPB e jazz e podem continuar indicando às gravadoras e selos que esta é uma tendência incrustada na preferência do fã.

Padrões:

Ainda é muito cedo para falarmos de padrões ou que exsta um modelo típico do fã de discos de vinil. Foram realizadas apenas duas pesquisas num intervalo de um ano, porém, algumas pistas já existem para visualizarmos características que se repetem em ambos levantamentos nos levando a pensar em situações padronizadas no tocante a um modelo:

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Quer comparar esta pesquisa com os resultados da realizada em 2016, clique aqui
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  • O vinil está muito mais no coração de um público masculino
  • Vinil e rock são equações que se completam
  • Existem ritmos que não trazem apelo para os que gostam de discos de vinil. Funk, sertanejo e gospel não fazem parte do universo dos amantes de vinil
  • Vinil não é um modismo de uma determinada classe social ou faixa etária já que está presente em todas as idades e estratos sociais, apesar de que é muito mais presente numa classe mais privilegiada e de maior grau de ensino que a média brasileira
  • O amante típico do discos de vinil gosta desta mídia já faz um tempo, não é um adepto do agora, o que pode afastar pensamentos de que isso é um modismo, além do que, 20% dos respondentes sempre gostaram dos bolachões
  • Não existe diferença para o fã do vinil entre discos novos e usados, ambos fazem parte do seu arsenal de compra
  • O amante do vinil se desdobra para adquirir discos e toca-discos. É um comprador em potencial
  • O fã do vinil não é adepto da pirataria
  • O típico fã dos disquinhos pretos de plástico não é radical no tocante ao uso de outras mídias. Ele tem sua preferência pelo vinil, mas utiliza do streaming e compra CDs e DVDs musicais

 

Gráficos (clique para ampliar)

Principais marcas de toca-discos na ordem da quantidade de vezes que aparecem na pesquisa:

  1. Gradiente
  2. Technics
  3. Sony
  4. Philips
  5. Numark
  6. CCE
  7. Audio Technica
  8. Crosley
  9. CTX
  10. Sharp
  11. Aiwa
  12. Teac
  13. Polivox
  14. Pioneer
  15. Garrard
  16. Imaginarium
  17. National
  18. Telefunken
  19. Denon
  20. Sanyo
  21. Lenco
  22. Stanton
  23. Rega
  24. Ion
  25. Sansui
  26. BSR
  27. Toshiba
  28. Teleotto
  29. Raveo Aria
  30. Pro-ject
  31. Gemini

 

Caso queira ler a pesquisa de 2016 na integra, clique aqui

 

* A pesquisa foi realizada pelo Prof. Dr. Glaucio Machado – Cientista Social, professor na UFS, editor do UV, colecionador e pesquisador sobre a indústria fonográfica e a cena vinil e produtor e locutor do Programa Conversa de Vinil da Rádio UFS FM.

 

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