A fita cassete é o maior barato!

Literalmente o maior barato! E este é o tema desta nossa Conversa de Vinil da semana!

Nos últimos tempos tem saído na mídia estrangeira vários artigos sobre as fitas cassete ou K7, principalmente depois que foi mostrado um aumento substancial no seu consumo no mercado americano, juntamente com as peças de publicidade do filme Guardiões das Galáxias que vem fazendo uma verdadeira ode às fitinhas e ao som dos anos 80.

Não vamos nos ater a pensamentos de volta ao passado ou que nos anos 80 o som era bom, que tudo era bom e aquele blá blá blá saudosista! Nada disso! Até mesmo porque, o UV não é saudosista. Somos fãs dos discos de vinil e de todo som analógico por um simples motivo: gostamos do que vem para nossos ouvidos e acreditamos piamente que o som analógico é melhor que o digital. Porém, também sabemos que não podemos dizer que todo analógico é melhor que o digital. Em ambos modelos tem coisa boa e muita, mas muita porcaria por aí. Então, fechamos assim: gostamos do analógico e ponto! Cada um na sua! Certo?

Mas vamos voltar para as fitinhas.

Muita gente tem bastante preconceito sobre elas e no outro bocado das gentes têm aqueles que são fãs incondicionais da mídia.

O preconceito às fitas é totalmente explicável. Muitas foram gravadas e feitas de qualquer jeito, com material de segunda que geravam um som ruim e uma qualidade duvidosa. Sem contar que para escutá-las era necessário um player de primeira linha e isso sempre foi caro e o mercado encheu as prateleiras com tape-decks que emitiam uma sonoridade repleta de chiados e não obedecendo o som original das fitas construídas da melhor forma possível.

Uma boa fita tocada num bom player ocasionará um som agradabilíssimo. Podem ter certeza!

Nesta certeza que ela é legal e ao mesmo tempo tem um timbre e uma sonoridade diferente das outras mídias, uma parcela de artistas, sobretudo do rock alternativo, resolveu adota-la como uma forma verdadeiramente representativa de suas obras. O K7, principalmente nos EUA, é bastante utilizado por estes que fazem o ritmo rock’n’roll ganhar vida. Lá nas Terras do Tio Sam tem sido quase um sinônimo a relação entre fita cassete e rock.

Porém, existem alguns motivos a mais que o mero gostar das fitas: elas são, de fato, mais baratas!

Chris Zaldua – escritora e DJ de San Francisco nos EUA – foi mais a fundo para explicar esta relação de quase amor entre o rock e as fitas K7 e nos levou a essa afirmativa acima. Na análise dela, as fitas têm merecido destaque para o pessoal deste ritmo por alguns motivos: um, para mostrarem a questão do alternativo no limite até mesmo da oferta de mídia consumível para audição, daí as fitinhas serem um prato cheio; dois, por serem ótimas na relação custo benefício. A junção destes 2 fatores mostram a fórmula casadoira das fitas com o rock.

A DJ fez um comparativo entre os preços e diz:

“Produzir discos de vinil não é barato. Prensando 500 discos de vinil na cor preta com capa em quatro cores no Erika Records (para escolher um exemplo aleatório) do sul da Califórnia, custará cerca de US $ 2.300 ou $ 4.60 por unidade (esse número poderia aumentar ou diminuir com base em vários fatores, é claro). Ao duplicar cassetes no US Cryptic Carousel (outro exemplo aleatório), produzir 500 fitas com cartões J sai aproximadamente $ 1,275 ou US $ 2,55 por unidade – quase metade do custo. Além disso, porque o vinil envolve uma boa dose de trabalho preparatório antes que um único registro possa ser pressionado, as fábricas mais prementes exigem uma tiragem mínima de 500 unidades. Em tiragens menores podem atribuir uma sobretaxa e isso torna o disco de vinil menos rentável. As duplicadoras de fitas não têm tal sobretaxa, tiragens de 100 ou 200 unidades – perfeito para música não convencional e incomum – é muito normal nestas fábricas. Sem contar, é claro, o longo tempo de espera das fábricas de discos que andam sobrecarregadas”.

Zaldua matou a charada! E este modelo comercial em poder encomendar tiragens menores e por serem mais baratas não é uma situação típica americana do norte, ocorre em todo mundo e no Brasil também. Porém, aqui temos algumas dificuldades que não ocorrem no País da Estátua da Liberdade, entre elas o número de locais que gravam fitas ainda é muito pequeno e a pior, totalmente escondidos (sabe-se lá os motivos) da grande mídia e até mesmo para sabermos onde se encontram.

Mas, a tendência destes problemas nacionais é acabarem, ainda mais motivados pela influência que ocorre no mundo todo do aumento da procura pelas fitas cassetes e em matéria de tendência, nós, brasileiros, jamais ficamos para trás, principalmente quando o assunto é música, afinal, somos um dos maiores consumidores do mundo.

Não se espantem quando começarem a ver K7s vendidos nos supermercados, nas grandes cadeias de lojas e livrarias e nos comércios de discos (aliás, nestes últimos locais já estão à venda). A predisposição do mercado de música para as fitas é grande e a oferta, especialmente do rock alternativo, tende a aumentar nos próximos anos e se fixar como meio propagador de música. Estamos só no início e quem viver, verá!

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