A Nova Era do Vinil – parte 1: o enraizamento do vinil na cultura da música e no mercado fonográfico

Até pouco tempo atrás muitos diziam da volta do vinil ou ainda estávamos na afirmação para o público em geral que o vinil não morreu. Agora, o UV indo para seu ano 3 (em outubro), somando todos os conhecimentos que acumulamos antes de resolvermos criar nosso portal e 2017 indo para os finalmentes, podemos constatar que o vinil vive uma nova Era de Ouro e ela tão cedo acabará. Aliás, ela não acabará! A tendência é mantermos essa mídia – que tanto gostamos – em patamares de saídas e investimentos que mantenham suas vendas entre 10 a 20% do total do mercado fonográfico – e este é um número que representa ganhos excelentes para este mercado, sem contar o todo que vive no entorno dos discos, como a indústria de eletrônicos para áudio e acessórios.

Este artigo será publicado em 2 partes e na Conversa de Vinil de 24 de setembro (A Nova Era do Vinil – parte 2: dilemas e obstáculos para a longevidade da cultura do vinil) apontaremos os pontos que ainda precisam melhorar para que a longevidade da mídia se reafirme e esta Nova Era do Vinil seja mais veemente, assim como a conclusão deste grande escrito que foi dividido em 2 momentos.

Apreciem sem moderação!

Mas, o que nos faz afirmar que vivemos numa Nova Era do Vinil?

Antes de qualquer coisa, é importante salientarmos: essa Nova Era não se equipara à antiga de meados dos anos 90 para baixo. Neste período, os discos de vinil eram senhores absolutos nas vendas de música e reinavam como grandes imperadores da indústria fonográfica. No tempo de hoje, há diferenças não apenas no número de vendagens (vendemos bem menos que no período mencionado) como também na forma de se entender a cultura do vinil – na hodiernidade, essa cultura não se restringe na aquisição do álbum para escutar em casa ou em outros locais, ela se diferencia, pois há uma espécie de culto e salvaguarda da mídia preta de plástico, bem como, um entendimento maior sobre suas qualidades perante as outras mídias.

Apontamos algumas características que reforçam a afirmativa que vivemos numa Nova Era do Vinil:

  • Crescimento ininterrupto nas vendas mundiais de álbuns novos de vinil desde o ano 2000 e a manutenção deste crescimento, não se restringe a poucos países – é um acontecimento mundial. São, portanto, 17 anos que os discos fazem a alegria de muita gente!
  • Superaquecimento do mercado de discos usados.
  • Investimentos da indústria eletrônica em toca-discos e acessórios, assim como o crescimento das vendas destes aparelhos
  • Ainda na indústria eletrônica, o investimento não é apenas em tocadores de vinil (toca-discos e vitrolas), mas também em pre-amps, receivers com entrada phono (coisa até pouco tempo atrás, praticamente inexistente) e outros tipos de eletrônico para áudio com peculiaridades voltadas para o vinil.
  • As vendas de agulhas e cápsulas são as maiores da história atual, sem contar, o lançamento de novos modelos.
  • Aberturas de novas fábricas de vinil – até 2 anos atrás tinham menos de 65 fábricas e hoje estamos com 71 (com anúncios apontando a abertura de mais 8 até final de 2018) e com suas localizações abrangendo mais países.
  • Recriação da indústria para maquinário de fábricas de discos – 2017 marcou a entrada definitiva destas indústrias (um grande feito, pois até 2016 as novas fábricas de vinil eram abertas com maquinário reaproveitado dos anos 90 para baixo).
  • Estilos musicais como rock e músicas nacionais (por exemplo, MPB, chanson française e outras) têm privilegiado lançamentos em discos de vinil e alcançando bom número de vendas.
  • A presença de mais jovens adquirindo e gostando dos vinis, portanto, não é uma mídia que se restringe a faixas etárias mais velhas (o que poderia nos dar a entender que o vinil seria uma espécie de saudosismo).
  • A reedição de clássicos de variados gêneros musicais são sucesso de vendas e se confirmam como um excelente mercado para a indústria fonográfica.
  • A supremacia da qualidade dos discos de vinil frente a outras mídias, mostrando que a produção do áudio de qualidade superior (ou premium, como muitos preferem chamar) encontrou um terreno muito mais fértil nas mídias analógicas
  • Motivados pelo item acima: altíssimos investimentos no mercado audiófilo com a fabricação de discos e fitas de rolo de valores caríssimos e com a demanda em alta.
  • Selos e gravadoras independentes se especializando em mídias analógicas e com a saída de seus produtos alcançando bons resultados.
  • Entendimento por parte dos artistas que o vinil é importante para suas carreiras, como algo que marca sua obra e, por isso, passando cada vez mais a lançarem seus trabalhos em vinil.
  • O streaming que hoje está em alta, acabou somando para os discos de vinil, ao se mostrar como um bom local para a escuta preliminar das obras e assim facilitando a escolha para a aquisição dos álbuns em vinil. Nesta nossa época, muitos escutam primeiro no streaming e depois passam a adquirir a música em vinil como forma de prestigiar seus artistas favoritos ou terem em mãos uma mídia de qualidade das suas preferências musicais, sem ter que ficar à mercê dos contratos destes serviços de streaming que podem, sem aviso prévio, retirar de seus catálogos as músicas preferidas.

Estas foram algumas características que nos fazem afirmar que hoje vivemos uma Nova Era do Vinil, não estamos mais, portanto, no tempo em que precisávamos dizer aos leitores que o vinil não morreu ou que ele estava voltando. Agora, o vinil se enraizou e se manterá para sempre ou, na pior das hipóteses, por muitos e muitos anos nas prateleiras das lojas para vendas, nas residências, nos ouvidos e corações de milhões de fãs desse maravilhoso engenho que transmite música.

Os discos de vinil estão aí, como forma de alegrar nossa vida e como investimento para o mercado fonográfico.

Vida longa ao vinil e à boa música e na próxima Conversa de Vinil de 24 de setembro a segunda parte deste artigo onde abordaremos os pontos que ainda precisam de mais carinho e cuidado para o enraizamento mais profundo dos disquinhos pretos de plástico na cultura musical.

Um detalhe importante: todos estes quesitos apresentados já foram mostrados em separados aqui no nosso Portal ou no nosso Facebook, para lê-los basta usar nossas buscas ou darem uma passeada pelos nossos escritos e posts nos espaços do UV na Internet.

Não perca a segunda parte e a conclusão deste nosso escrito sobre a Nova Era de Ouro dos discos de Vinil. Leia clicando AQUI

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