Músicos e política dá para misturar? E isso é assunto do UV?

Pois é, começamos uma Conversa de Vinil das mais mais “cabeludas”. É como mexer num vespeiro propositalmente e esperar as ferroadas, mas quem fala de música, músicos, indústria fonográfica e mercado está sempre tocando no assunto política, seja ela econômica, seja cultural – mas ambas são políticas – porém, jamais tocamos na política que muitos imaginam ser a única: a política partidária. Essa última não nos compete e muito menos nos interessa.

Levando a ferro e fogo a última frase do parágrafo acima podemos estender para as atuações dos artistas. Para nós, a forma de atuação deles de acordo com suas preferências partidárias pouco nos importam, e não deixamos cair na tentação de avaliarmos suas obras pelas suas ações ideológicas.

Casos famosos já existiram e acabaram “matando” excelentes artistas por causa de boatos (ou verdades). Jamais vamos esquecer o que acometeu Wilson Simonal que praticamente caiu no ostracismo por causa de verdades (ou mentiras) sobre sua atuação durante o Regime Militar e hoje nos encontramos em situação muito semelhante.

Na lista de artistas ligados à música que entraram na discussão política (pela sua simples vontade de quererem expressar o que pensam) estão: Chico Buarque, Lobão, Caetano, Zezé de Camargo, Gil e alguns outros. E isso é direito TOTAL deles e é também direito nosso de querer continuar escutando-os ou não, mas “matar” suas qualidades por questões ideológicas é sandice!

Lobão tem, para mim, 2 dos melhores discos de rock de todos os tempos (que infelizmente não saíram em vinil): Noite e o A Vida é Doce

Caetano, Gil e Chico além de uma incontável galeria de excelentes álbuns são respeitados no mundo inteiro e carregam na sua bagagem uma atividade que lhes caiu no colo sem querer: elevam o nome da MPB no mundo todo como uma arte de primeira qualidade e, por isso, acabaram fazendo (e continuam fazendo) uma excelente propaganda sobre os produtos culturais “Made in Brazil”. Muita gente pega carona no “mercado” que eles (juntamente com alguns outros) “abriram” no exterior – e isso é muito bom para o país!

Zezé de Camargo era mais quietinho, vamos dizer assim, mas recentemente disse algumas coisas que muitos “lhes jogaram pedras”, mas não podemos perder de vista que ao lado de Chitãozinho e Xororó (muito mais essa dupla que a dele) foram, de fato, aqueles que cimentaram o sucesso da música sertaneja de hoje.

Estes foram só alguns exemplos para mostrarmos alguns artistas que levam sua vida fora dos palcos com algumas (ou muitas) discussões ideológicas e são eles (junto com outros que não citamos) que nos fazem refletir sobre o que queremos, apoiamos ou não, por isso, acabou existindo um tipo de plateia que não traz nenhuma qualidade para o debate: a que defenestra a obra!

Não somos isentos de desejos e sentimentos e entre eles estão a raiva, o ódio e o amor. Escutar um disco de um artista nos faz sermos acometidos por uma avalanche de situações psíquicas e emocionais das mais variadas e muitas delas jamais gostaríamos de estar sentindo naquele momento. A música nos remete (e arremete) a uma outra dimensão e essa não conseguimos controlar. Talvez este seja o grande barato da música: ela dá onda – usando um jargão muito popular!

Quantos de vocês ao escutarem uma música que os toca no intimo já começam a balançar os pés ou mãos involuntariamente? Quase a totalidade dos humanos!

Quantos de vocês vão praticamente às lágrimas quando escutam uma música que lhes lembra um amor rompido ou impossível? Ou esta música os faz cercar de um sentimento de raiva que quase são capazes de saírem pelas ruas como o personagem do filme “Um dia de fúria”?

Os exemplos acima mostram a nossa capacidade de sentir a obra quando o artista nos faz lembrar algum acontecimento e o que eles falam ou pregam nos impregnam imediatamente ao escutarmos sua melodia. Vamos, realmente, sentir raiva ou orgulho do artista, isso é fato! Mas, se alguma música nos lembram um amor rompido ou impossível vamos querer defenestrar a obra, xingar, ofender e achincalhar com o artista por causa disso? Não! No máximo vamos procurar não escutar esse som… Afinal, não é culpa dele (ou dela, se for uma cantora) que nos fez nos separar ou não conseguirmos o amor que tanto desejávamos…

Na ideologia é a mesma coisa! Por exemplo, não vai ser Caetano ou Lobão que vão trazer o partido ou a pessoa A ou B para o poder, como não vão ser eles que vão trazer de volta o amor rompido. Foi uma opção pessoal deles entrarem na engrenagem dos fatos políticos ideológicos, porém, seus poderes de protagonistas nestas ações são muito limitados – fazem no máximo um grande barulho. E nós querermos continuar escutando-os ou não é um direito nosso.

Há alguns cantores e grupos que nunca mais entraram no meu toca-discos, player de CD ou na minha assinatura de streaming e, pelo jeito, vai demorar um bom tempo a retornarem, mas jamais irei nas Redes Sociais lhes encher de impropérios. Posso, no intimo, achá-los uns babacas (desculpe a palavra), mas jamais acharei “babaca” um CD como Noite de Lobão ou o vinil Transa de Caetano. São obras primas, com qualidades superiores perante muitos e muitos por aí que esteticamente e artisticamente são apenas medianos e passaram a serem considerados super-heróis e/ou grandes artistas da música! Tenham dó! Isso é demais! Quem é grande é a obra, por isso ela é imortal! E alguns nunca mais fizeram coisa boa e vivem do passado, como se o seu presente tenha sido tão genial quanto aquele de uns bons anos atrás e aproveitam da fama conseguida para entrarem em grupos ideológicos e venderem as novas obras que em situações fora desses círculos não iriam conseguir tantos dividendos econômicos – mas fazer isso é total direito deles! O que não é direito e os alçarmos ao panteão dos Grande Atuais – como também muitos fazem ao mudarem de gênero musical para verem se conseguem alavancar novamente a carreira.

Por fim, sei que as ações dos cantores, cantores e músicos vão marcar para o bem ou para o mau as suas biografias, mas no frigir dos ovos quem marcará, de verdade, é sua obra. É ela que ficará para sempre ou não!

Meu direito de querer continuar escutando (ou não) um artista por causa de suas atitudes polítcos-ideológicos é inquebrável! Não há lei que me obrigue a escutar A ou B! E é simples seguir a MINHA PRÓPRIA lei: basta não ligar o player; desligar a rádio, diminuir seu volume ou mudar de estação no momento em que algum deles entrarem na programação; não frequentar shows dessas pessoas e, também, posso dizer publicamente que não os escuto e ainda dar os motivos (utilizando verdades e fontes fidedignas sem usar do artifício do xingamento puro e simples). Todavia, nunca, nunquinha poderei ofende-los publicamente. Isso sim é uma lei que eu não tenho poder algum! Isso é LEI de verdade, não são costumes sociais. E pode me dar muitos problemas com a justiça por causa disso!

Toda essa explanação serve também para justificar o Universo do Vinil. Nós do UV não avaliamos o cantor, cantora, músico ou membros de bandas pelo que eles fazem ou deixam de fazer fora dos seus discos. Nós, aqui, atuamos sobre a obra. Simples assim: é a obra que nos interessa! O resto não é assunto do UV!

Para terminar, nós pedimos aos nossos leitores que ao fazerem um comentário sobre um artista (seja qual for) não usem de xingamentos, nem de impropérios e mentiras (principalmente se for emitir opinião nos espaços do UV). Sejamos cordeais com aqueles que pode ser que não nos deem mais alegrias, e sejamos inteligentes a ponto de percebermos que eles dão alegrias a outros e nosso dever na sociedade deve ser a salvaguarda da liberdade e das escolhas pessoais (desde que estas não respinguem em atos ilegais).

Bora fazermos dos espaços da música um local mais sadio para a vida?

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Todo domingo às 19h na Rádio UFS FM 92,1 tem o programa Conversa de Vinil
Você pode escutá-lo pela web em radio.ufs.br ou a partir do podcast, clicando aqui

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