Toca-discos: a triste realidade brasileira

Recebemos o e-mail abaixo de um um leitor com alto cargo em uma famosa marca de produtos eletrônicos de consumo, principalmente de áudio. Não vamos dizer qual é a marca, muito menos quem nos enviou, até mesmo porque não solicitamos autorização para expô-los aqui no nosso UV, inclusive, nome não importa e sim o conteúdo deste e-mail que demonstra claramente a realidade brasileira no tocante aos toca-discos. Vejam com seus próprios olhos partes desta correspondência (se referindo ao nosso artigo sobre preços de toca-discos no Brasil).

E adiantamos a nossa conclusão: A cadeia do vinil sem facilitações para importação ou fabricação de toca-discos ou vitrolas, bem como nossa minguada produção de vinis novos, nos deixam órfãos de todo este sucesso que os bolachões veem fazendo no exterior. Sem uma nova política de importação para discos e toca-discos, vamos só assistir ao coroamento que o vinil faz internacionalmente. Infelizmente, estamos à margem desta grande festa do vinil e como consequência disso o sumiço dos discos usados das prateleiras com o preço sendo aumentado colossalmente!

Vamos ao e-mail:

“Pela primeira vez vi alguém fazendo os cálculos corretamente, muito diferente de tantos outros artigos que já vi, incluindo em telejornais de grande audiência da TV
Apenas complementando, normalmente os toca-discos são importados via distribuidores, que os revendem aos lojistas, financiando a operação de toda a cadeia do segmento. Na importação, os impostos (cumulativos) são:
Imposto de Importação: 20%
ICMS: 18% (21.95% por dentro)
IPI: 30%
PIS: 2.10%
COFINS: 10.65%
Alguns destes impostos se transformam em crédito que podem ser abatidos quando efetivamente o produto é vendido ao lojista e de acordo com o regime tributário do importador. Outros não retornam jamais!
Na venda ao lojista, incide novamente o ICMS, IPI, PIS e COFINS … e ainda o CSSL e IRPJ (uma vez que 99% dos distribuidores não são Microempresas do Simples Nacional).
Considerando estes e os demais custos portuários e de legislação, custa mais para o distribuidor importar do que se importado diretamente pelo consumidor (ao invés de 100% … custa 125%)
A matemática dos impostos é tão absurda, que mesmo multiplicado o valor do produto no exterior por 4 (sim, quatro)… não se obtém uma margem de lucro bruta (antes das despesas fixas) maior que 20%.
Não está em nossos planos a importação de toca-discos. Não há como obter retorno de investimento frente aos impostos e custos atuais e ao mesmo tempo responsabilizar-nos pela Assistência Técnica, Suporte, Promoção e Marketing de toca-discos (seguramente, o produto que mais paga impostos no segmento musical – grifo nosso).
Este impostos foram instituídos exatamente para proteger as indústrias que fabricavam toca-discos no Brasil. Elas faliram ou desativaram a produção, mas os impostos foram mantidos!
Brasil, o país dos impostos!”

Pois é… essa é nossa realidade!