Qualidade sonora: Vinil, CD, MP3 e streaming

capa-web

O Vinil e o CD (e DVD):

No fundo a qualidade do Vinil e do CD é a mesma (mas eu prefiro o Vinil! Leia o artigo todo que entenderá os motivos da minha escolha), pois, as frequências maiores que o CD diz alcançar e, por isso, os entusiastas dessa mídia insistem em dizer que é melhor, não são audíveis pelos ouvidos das pessoas. Por outro lado, alguns defendem que o Vinil é aquele que tem o som mais próximo do real, já que, a forma de captação e tratamento do som é a que apresenta maior aproximação com a realidade sonora audível pelo humano (o som real emitido no momento da captação) e consegue alcançar graves mais profundos – este caso último eu acredito, pois é bem perceptível o som grave emitido pelas bolachas de plástico.

Mas, ao colocar na balança o Vinil e o CD veremos que em matéria de qualidade sonora a escolha é bem pessoal. Quem gosta de mais agudo e uma sensação de um som mais aberto, terá provavelmente escolhido o CD como seu meio de emitir música preferido. Na outra margem da preferência, quem gosta de mais grave e um som, aparentemente, mais encorpado, com certeza escolherá o Vinil . Mas, tudo isso depende…

Depende de que?

Não adianta discutirmos se o CD ou o Vinil é melhor, porque isso é discutir o ato de escutar a música apenas embasado na mídia. O que, verdadeiramente, não é o caso e existe um enorme número de artigos, inclusive científicos, debatendo qual é o melhor e, no fundo, parece mais uma discussão de torcida de futebol em que cada um argumenta para defender a sua própria torcida e diminuir a do outro.

Ora, o ato de escutar música é a junção de várias tecnologias: o player (tocador de CD, toca discos ou vitrola – vitrola é o equipamento que contém acoplados o toca discos e as caixas de som), a mídia (o Vinil ou o CD); no caso do Vinil, a agulha e a cápsula e as caixas de som. Sem falar na acústica do local, que deve ser levada em consideração para qualquer tipo de audição . Todos estes aspectos vão influenciar diretamente na qualidade sonora da música que você estará escutando, bem como, a forma e como foi tratada e gravada a música na mídia.

Há Vinis que são horrendos, uma verdadeira aberração no modo como a música foi gravada e, assim, projetada para nossos ouvidos, como há CDs da mesma forma. O carinho e a responsabilidade de gravar a música do melhor jeito possível, seja no CD ou no Vinil, depende de como a gravadora ou responsável pela gravação compreendem o usuário final. Resumindo: respeita o ouvinte ou não? É comum pegarmos CDs ou Vinis que “doem” nossos ouvidos ocasionado pela péssima qualidade técnica da mídia. Mas, também, não adianta termos uma excelente gravação nas mãos se nossos sistemas de som não ajudam…

Por isso, falar da qualidade sonora do Vinil ou CD é preciso verificar a qualidade das mídias, dos aparelhos tocadores, das agulhas, das cápsulas e das caixas de som, pois é este conjunto que fará o ato de escutar música ser prazeroso ou apenas “ruidoso”…

Sem contar que ambos podem arranhar e mofar, ou seja, Vinil e CD necessitam de limpeza e cuidados constantes (leia aqui sobre os cuidados com seu Vinil)

Todavia, há fatores que o Vinil ganhará sempre do CD: a parte gráfica e o tempo!

A parte gráfica: não tem como comparar por causa do tamanho. Neste ponto, enxergar e curtir mais as fotos, encartes e notas técnicas num Vinil sempre será uma experiência mais marcante.

O tempo, outra diferença crucial entre o Vinil e o CD: este último tem comprovadamente vida útil bem menor que o Vinil. Você já deve ter se deparado com um CD que perdeu os dados e, talvez, tenha tirado do armário um LP com mais de 30 anos e tocando normalmente…

Mas há um ponto que alguns podem dizer que o CD ganha do vinil: os players para CD são, indiscutivelmente, mais baratos. Porém, se formos para o campo da economia, o streaming gratuito e modelos como Youtube ganham de todos (sem contar aqueles que optam pela pirataria…). Portanto, isso não pode ser parâmetro.

Streaming e MP3 (e o AAC da Apple*):

O MP3 é uma abreviação de MPEG Layer 3, um formato de compressão de áudio digital que pretende minimizar a perda da qualidade em músicas ou outros arquivos de áudio ao compactá-los para serem reproduzidos no computador ou em algum player próprio (os famosos tocadores de MP3). Porém, como o próprio significado diz, o MP3 por compactar, acaba deixando de lado algumas informações da música, já que, diminui de tamanho o arquivo original de áudio. Para se ter uma ideia, um arquivo original de um CD (que, como o MP3, são músicas digitais) pode ser 3, 4, 5 ou mais vezes maior que de um MP3 e, por isso ocasionará mais quantidade de informações no arquivo e, obviamente, ao comprimir haverá perda.

O streaming (pode ser de vídeo ou de áudio) é, no nosso caso, a música digital transmitida pela Internet e faz a reprodução da música à medida que os dados (pacotes, na linguagem técnica) chegam ao usuário por intermédio de alguma interface no computador, smartphone, tablet ou outro equipamento (por exemplo, os Ipods mais modernos).

Muitos atribuem à qualidade sonora do streaming como a mesma do MP3, porém, a grande maioria dos ouvintes sabem que esta qualidade é inferior. Mas, como o MP3 pode ser um arquivo mais ou menos compactado de alguma música, caso a compactação seja maior, menor será a qualidade dela, podendo, inclusive, ser muito pior que a do streaming.

Resumindo:

A qualidade sonora do Vinil e do CD (também do DVD) é, sem dúvida alguma superior à do streaming e do MP3 no que se refere ao aspecto técnico. Porém, na experiência de escutar a música, tudo depende.

Depende dos equipamentos que você tem (às vezes um tocador de MP3 pode proporcionar uma qualidade muito superior se seu Vinil ou CD e os equipamentos para tocá-los forem de baixa qualidade) e do momento e local que você está. A música, é por uma de suas naturezas, algo que nos traz a representação de alguma coisa ou acontecimento. Muitas pessoas têm suas músicas preferidas e muitas destas existem porque representam o momento em que foram escutadas. Alguns, dizem que “música é o momento” e eu não duvido muito disso, apesar de achar que é mais que isso, afinal, a música está no campo da estética, mas, deixemos para lá o aprofundamento deste fato…

Para concluir, vejo que o Vinil nos preenche com algumas características que outras mídias não nos proporcionam mais.

O ato de escutar um Vinil é bem diferente dos outros. O Vinil, você precisa, necessariamente tirá-lo da embalagem (como o CD também) e ao fazer isto já te faz encontrar outras informações, como ver os encartes, perceber as fotos e imagens contidas, coisas que no MP3 e no streaming não existem.

Mesmo isso existindo também no CD, a percepção é diferente. No Vinil tudo é maior, é mais intenso e, por isso, visualmente mais agradável. Contudo, há uma característica que não existe no CD: o ato de “virar” o disco.

Para “virar” o disco e escutar o outro lado, você precisa estar necessariamente prestando atenção na música – não é um caso mecânico e automático. É uma atividade sensorial mais intensa que no CD e, por isso, “ouvir” a música do Vinil torna o ato mais veemente.

Se você não estiver prestando atenção no disco, simplesmente, seu Vinil não “vira” e se não “virar” é sinal que você não está mais escutando música. Está fazendo qualquer coisa, menos escutando a canção e ela se tornará apenas “um pano de fundo” daquilo que está fazendo no momento. Sem contar que, no caso do vinil, muitos artistas constroem a distribuição das melodias pensando numa lógica arquitetada para os lados A e B e isso, pode ter certeza, faz uma grande diferença na obra final (o disco em si). Só por curiosidade, vejam o que o o guitarrista Andreas Kisser do Sepultura fala sobre isso: “O vinil tinha limite. Pode ver os clássicos. O nosso Arise tem nove músicas, o Masters of puppets (do Metallica), oito, o Reign in blood (Slayer) é um disco curto. Por que o Roots tem 16 músicas? Porque já foi CD (…) A ideia é fazer disco pensando como vinil, com abertura de lado B. A gente tinha perdido isso. The number of the beast (Iron Maiden) é de abertura do lado B. Como Disposable heroes (Metallica). Escrever música pensando na abertura do lado B é diferente. É outra pegada, ajuda a compor”.

Por isso, eu prefiro o Vinil. Com o Vinil eu passei a “escutar” mais música, sem contar que passei a “ver” melhor tudo que está no entorno do disco: capa, encartes e, até mesmo a cor do Vinil, pois, existem vinis pretos, amarelos, azuis e etc.

O Vinil não é só a mídia que contem a música, o vinil é um universo de informações e sensações! E dura mais!

Existe, de fato, um universo do vinil!

*O AAC da Apple: este é um arquivo de compactação de música como o MP3, porém, é proprietário da Apple e usado nos seus aparelhos e computadores.

Por Glaucio Machado – equipe UV

_________________

Quer interagir? Clique AQUI!