Milton Nascimento e seus LPs: uma homenagem aos 50 anos de carreira

É indiscutível, o mineiro Milton é um dos maiores nomes da música popular brasileira de todos os tempo!

Ultimamente, vem comemorando com shows pelo país afora seus 50 anos de carreira além de ter lançado um DVD e um CD Duplo com as musicas do espetáculo comemorativo.

O UV para homenagear “Bituca” (seu apelido) vem bater um papo na “Conversa de Vinil” desta semana sobre os LPs lançados durante o percurso musical deste grande artista.

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Ao longo de sua trajetória, Milton lançou 26 LPs:

(clique no link e vá direto a cada disco)

 

 

Alguns LPs da coleção pessoal do autor
Alguns LPs da coleção pessoal do autor

 

Numa reportagem de Antônio do Amaral Rocha na revista Roling Stones, Milton apresenta os 10 discos mais importantes de sua carreira, sendo que apenas um foi lançado somente em CD:

  • Milton Nascimento de 1967 (obviamente o primeiro disco solo)
  • Courage de 1969 (que foi o primeiro a ser gravado para um público internacional)
  • Milton Nascimento de 1969 (quando gravou ‘Sentinela” que tem uma história inusitada contada pelo próprio: “Neste disco tem ‘Sentinela’, que gravei pela primeira vez. A história desta música é a seguinte: eu e Márcio Borges fomos ao cinema assistir a um filme proibido pela Igreja, o qual quem assistisse seria excomungado. Lembro bem do filme, era Madre Joana dos Anjos (1961). Na sala, havia três frades assistindo ao filme e pensei: ‘será que eles serão excomungados?’ Era um filme pesado e quando saímos, fomos para um restaurante e os frades estavam lá. Sentamos perto deles para ouvir o que estavam conversando. Eram frades dominicanos, aqueles que são chamados ‘os cães do Senhor’, de tão radicais que são. Fiquei muito impressionado com eles, especialmente com um deles que se chamava Francisco. Voltando para a pensão, no edifício no qual os Borges também moravam, fiquei com aquilo na cabeça e resolvi fazer uma música sobre o tema e depois passei para o Fernando Brant. Propus escrevermos uma coisa sobre esses frades, mas, para isso, teríamos que ir até o convento para conhecê-los. Quando chegamos, nenhum deles estava lá, foram haviam sido presos – era a época da ditadura e nunca mais soubemos.”)
  • Milton de 1979 (o primeiro que fez com o grupo “Som Imaginário”*)
  • Clube da Esquina de 1972 (muito criticado na época de lançamento sendo, inclusive, negado num primeiro momento pela gravadora, marcará para sempre a MPB e sua sintonia com Lô Borges ).
  • Milagre dos Peixes ao vivo de 1973 (disco com as músicas censuradas no estúdio)
  • Clube da Esquina 2 de 1978 (marca o reencontro com Lô Borges e tem uma lista fabuloso de colaboradores, entre eles Chico Buarque, Elis Regina, Gonzaguinha, Pablo Milanes, Boca Livre e outros).
  • Sentinela de 1980 (onde gravará “Sentinela” da forma que sempre imaginou com um coro de religiosos)
  • Angelus de 1983 (considerado por Milton o que seria equivalente ao “Clube da esquina 3”)
  • Crooner de 1999 (o único disco que foi lançado somente no formato CD)

Fato inusitado:

Um fato inusitado ocorreu com o cantor em março de 2010 que foi o roubo na residência de seus pais em Três Pontas no sul de Minas do “Disco de Ouro” que havia ganho pelo álbum “Miltons” de 1989 pela vendagem de 100 mil cópias. Na época a polícia pegou um homem de 26 anos que alegou que iria vender a relíquia num leilão na Internet mas, uma das maiores hipóteses, é que seria um crime encomendado por algum grande fã e até hoje não sabemos o verdadeiro motivo.

Milton e o engajamento político:

Milton, ao longo de sua carreira demonstrou seu engajamento político. As músicas “Coração de Estudante” e “Menestrel das Alagoas“ foram consideradas como hinos na campanha das “Diretas Já” nos anos 1983 e 1984 e saíram no álbum “Ao vivo” de 1983.

Além destas, durante a ditadura, Milton também gravou músicas politicamente engajadas, tais como “Nada Será Como Antes” (Clube da Esquina – 1972), “Saídas e Bandeiras Nº 2” (também Clube da Esquina), “Paisagem da Janela” (idem), “Credo” (Clube da Esquina 2 – 1978), “Cálice” (gravado com Chico Buarque no disco “Chico Buarque” de 1978 – música de Chico e Gilberto Gil) entre outras e a composição do álbum “Missa dos Quilombos” em parceria com o poeta Pedro Tierra e o bispo Dom Pedro Casaldáliga.

Geraes e seus 40 anos:

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Neste ano o álbum Geraes completa 40 anos e é considerado o disco que Milton se encontra com a América Latina ao gravar com Mercedes Sosa (“Volver A Los 17”) e o grupo chileno “Agua” nas músicas “Caldera”, “Promessas do Sol” e “Minas Geraes”, que encerra o disco.

Angelus, o último LP de Milton:

Segundo Eduardo Vicente na sua tese “Música e disco no Brasil: 
A trajetória da indústria nas décadas de 80 e 90”, Ângelus junto com Unplugged (Gilberto Gil), Circuladô ao Vivo (Caetano Veloso), Tropicália II (Caetano e Gil), Paratodos (Chico Buarque) e As canções que você fez para mim (Maria Bethânia) não apenas alcançaram boas vendagens no início da década de 90 como emprestaram “forte imagem de qualidade às gravadoras” naquele período de crise e mudança da tecnologia do vinil para o CD.

Outro fato importante sobre este disco é que em janeiro de 2011, Milton Nascimento declarou durante a exibição do programa Altas Horas com Serginho Groisman que este seria seu álbum favorito.

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Milton representou e ainda representa muito para a MPB. No dia 26 de outubro deste ano completará 74 anos com um vigor musical excelente e produtivo!

Vida longa a Milton! Que tantas alegrias vem nos dando! O Universo do Vinil o reverencia!!!

* Grupo Som Imaginário: grupo composto Wagner Tiso, Frederyko (ou Fredera), Tavito (violão), Robertinho Silva (bateria), Luiz Alves (baixo), Laudir de Oliveira (percussão) e Zé Rodrix (vocais e piano).

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