1967

 

Uau!! O tempo voa… Quase nem percebemos o quanto rápido viajamos nessa máquina até quando chegamos à certo ponto e tomamos aquele susto. O que dizer então de um tempo um tanto maior, estou falando de um tempo mais longo que a minha própria existência, meia década?

Quando chegamos a essa idade não temos pressa, é como se quiséssemos desacelerar essa “máquina” implacável do tempo. Mas, por outro lado, tenho sentido uma certa vontade de chegar aos 50, afinal, é uma idade marcante, bastante simbólica, histórica, pois não é para qualquer um completar esse grande ciclo.

Bom, mas não estou aqui para falar de mim, não especificamente, mas de alguns discos que chegaram, ou estão chegando, aos seus aniversários de 50 anos de lançamento. Alguns poucos, os meus preferidos, aqueles que de alguma forma, em algum momento, entraram na “trilha sonora” da minha vida.

Não foi à toa essa ideia, não por acaso, mas especificamente por duas razões. A primeira foi algo que me incomodou há alguns dias e me fez pensar a respeito; a outra começou no final do ano passado, mas que por algumas razões, foi protelada.

Há poucos dias muito se falou sobre o álbum “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles, e desde janeiro que também se comenta bastante sobre o primeiro disco do The Doors, ambos aniversariantes, e este último inclusive ganhou um relançamento digno de seu valor, um box com um Lp e três Cds.

No entanto, é o disco dos Beatles que é considerado, por muitos, o melhor daquele ano, e vai além, pois há quem o considere também um marco na história do rock, chegam a dizer que “mudou o mundo”. Nossa!! Isso é algo tão grandioso se levarmos em consideração os fatos que geraram tal transformação.

 

Escute nosso podcast do Programa Conversa de Vinil: 1967 – 50 anos!

E leia também nosso outro texto sobre este iluminado ano que completa 50 anos!

 

Eu não estava lá naquele ano, nem senti as mudanças nos anos seguintes, então fica difícil perceber essa “força”. Porém, sei que os Beatles “mudaram o mundo”, causaram uma revolução na música e na juventude, isso é fato, mas foi esse disco o responsável? Isso me intriga, sobretudo porque também gosto muito da banda, tenho a maioria dos seus discos, e não o coloco como melhor do grupo, embora seja excelente. Já a arte da capa sim, essa é espetacular, a melhor e mais marcante de toda a carreira do Beatles.

Vamos então voltar a 1967, analisar apenas aquele ano. Foram doze meses de uma explosão criativa que atingiu vários cantos do mundo, uma avalanche musical. Naquela época o mundo era “maior”, as distancias enormes, e os impactos desses lançamentos demoravam um pouco a atingir todos os cantos do planeta.

Os Beatles e os Stones já faziam sucesso, eram de grandes gravadoras e tinham distribuição mundial, então era muito mais fácil serem vistos, e os holofotes da mídia estavam mirados naqueles que o mundo adotou, não mostravam o nascimento de tantos outros artistas e álbuns que foram e seriam tão relevantes quanto aqueles, a exemplo do surgimento, na América, dos Doors, com seu estupendo primeiro álbum, e ainda, senão tão impactante, mas tão importante, o“The Piper at the Gates of Dawn”, do Pink Floyd, que por extrema coincidência foi gravado durante o mesmo período e no mesmo estúdio que o “Sgt Peppers…”. Dizem, inclusive, que os músicos “espionavam-se” nas salas vizinhas.

E a chegada de Jimi Hendrix? Ah! Isso sim mudou o mundo!
Era tanta fertilidade que Jimi lançou logo dois petardos, “Are you experienced?” e “Axis: Bold as Love”. Dois discos inovadores de um músico excepcional que viria a ser considerado o maior de todos, quase por unanimidade.

Disputando o frenesi com os Beatles, quase num mesmo patamar de gloria, estavam os Rolling Stones. Os Stones foram ainda mais ousados ao lançar três discos naquele ano, um deles, a meu ver, excelente:”Flowers”.

Poderia ainda lembrar de vários outros que são pouco conhecidos, embora sejam também excelentes, pena não terem sido divulgados para atingirem o lugar merecido. O Buffalo Springfield lançou “Again”, um belo disco; o Cream, o grande power trio inglês explodiu com “Disraeli Gears”; e também o “Surrealistic Pillow”, do Jefferson Airplane; “Forever Changes”, do Love, bandas que bebiam do acid rock; além dos primeiros discos do Ten Years After e do Velvet Underground, esse último, também estupendo.

Bom, se eu tivesse que escolher um período, ou uma década, como o mais criativo, inovador e melhor da música, seria justamente entre 1967 e 1977. Alguns até consideram o ano de 67 como o mais importante, não sei, mas foi, sem dúvida, muito fértil e inesquecível. Lembrá-lo e comemorá-lo é uma delícia, é voltar no tempo sem sentir o quão distante ele está. Viajar por 50 anos de música da mais alta qualidade é um prazer imenso.

Sinto por aqueles que só conseguem enxergar e ouvir o saudoso “Sgt. Peppers…”, pois há muito mais, muito mais cores e sabores a serem explorados, salgados e doces a serem degustados nessa grande festa. Feliz aniversário!!

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Todo domingo às 19h na Rádio UFS FM 92,1 tem o programa Conversa de Vinil
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