A geração phigital está aí! E os discos de vinil também!

Universo do Vinil, que papo é esse de phigital? Dá para explicar melhor? E isso é assunto para um site sobre discos de vinil?

Vamos iniciar definindo a palavra:

Phidigital é o nome dado à Geração Z. Pessoas nascidas de 1996 até 2012. São jovens que não distinguem o que é digital do analógico, vivendo tranquilamente com os 2 modelos. São muito diferentes da geração anterior que adotou e apropriou o digital como forma de vida. Para estes últimos, da música à fotografia, dos vídeos aos jogos, tudo é digital e não precisam e, até de certa forma, não pensam sobre a importância de alguma coisa analógica na sua vida. Geralmente não compram discos (nem CD), não passam suas fotos para o papel (de forma alguma), fazem download de jogos e vivem imersos na cultura digital, inclusive nas Redes Sociais.

Já os phigitais pensam a vida de forma diferente. Para eles um livro em papel é importante, um disco de vinil idem e gostam bastante de fotografia analógica. Porém, não dispensam colocar uma foto do seu livro novo no Instagram (muito pelo contrário, às vezes, compram o livro apenas para compor a fotografia na Rede Social). Mas não são livros quaisquer – estes precisam ter um apelo visual muito forte. Já repararam nas livrarias as novas edições de Harry Potter? Todas visualmente muito chamativas, capa dura e etc… Pois, o mercado já entendeu isso e começa a fazer produtos para essa faixa etária onde o mais velho tem aproximadamente 21 ou 22 anos e em breve começará a sair das universidades e entrar no mercado de trabalho.

Várias pesquisas já vem mostrando essas tendência da vida de jovens com as coisas e objetos analógicos. O eBay recentemente nos mostra, numa pesquisa encomendado pelo gigante de vendas da filial inglesa, que estes phigitais, em média, a cada 4 adolescente (ou jovem adulto) um compra um vinil por ano, adquirem pelo menos um objeto analógico a cada 365 dias e eles estão “ajudando” a diminuírem as vendas de e-books e e-readers. O mercado estima que as vendas de livros digitais cairão mais de 1% e as vendas de livros e discos analógicos estão subindo.

David Sax articulista do New York Times, num artigo recente de 18 de novembro “Our Love Affair With Digital Is Over” (numa tradução livre poderia ser “Nosso caso de amor com digital está acabado”) mostra bem o sentimento que os phigitais têm com o mundo digital e também os outros fora dessa faixa etária. Diz ele (tradução livre):

“Como a maioria dos relacionamentos que mergulhamos, nosso caso de amor com a tecnologia digital nos prometeu o mundo: mais amigos, dinheiro e democracia! Música grátis, notícias e envio no mesmo dia de compras! Uma risada por minuto e uma festa constante na ponta dos dedos.
Muitos de nós compramos a fantasia que o digital fez tudo melhor. Nós nos rendemos a essa ideia e confundíamos nossa dependência, até que fosse tarde demais.
Hoje, quando o meu telefone está ligado, sinto-me ansioso e conto as horas para quando eu posso desligá-lo e realmente relaxar. O caso de amor que uma vez desfrutei com a tecnologia digital acabou – e eu sei que não estou sozinho”.

Ele ainda vai mais adiante:

“Uma pesquisa recente do Pew Research Center observou que mais de 70% dos americanos estavam preocupados com o impacto da automação nos empregos, enquanto apenas 21% dos entrevistados em uma pesquisa disseram que confiam no Facebook com suas informações pessoais. Quase metade dos que nasceram neste século se preocupam com os efeitos negativos das mídias sociais em sua saúde mental e física, de acordo com a American Psychiatric Association.
E agora?
Tanto quanto possamos fantasiar sobre isso, provavelmente não vamos excluir nossas contas de mídia social e lançar nossos telefones à água. O que podemos fazer é restaurar algum senso de equilíbrio em relação ao nosso relacionamento com a tecnologia digital, e a melhor maneira de fazer isso é analógico: o ying para o yang digital.”

Compreendendo isso começamos a dar conta de mais uma explicação para essa Nova Era de Ouro dos Discos de Vinil e os motivos pelos quais a juventude está se adentrando de cabeça nos nossos disquinhos. Os nascidos a partir de 1996 não têm preconceito algum com o analógico, muito pelo contrário! Entendem que o analógico lhe traz algum tipo de sensação que o digital não lhe proporciona.

Porém, quanto aos discos de vinil não podemos dizer que apenas a juventude milenária (os nascidos neste século) são adeptos. Seria uma enorme leviandade de nossa parte e iríamos contrários às tendências que já verificamos nas duas pesquisas que fizemos no ano de 2016 e neste ano de 2017. A juventude em geral, seja em qual período tenha nascido gosta do disco preto de plástico e é uma potencial compradora.

Voltemos ao David Sax já que ele conseguiu explicar muito bem o que queremos dizer:

“Felizmente, o mundo analógico ainda está aqui, e não só sobrevive mas, em muitos casos, está prosperando. As vendas de livros impressos aumentam pelo terceiro ano consecutivo, de acordo com a Association of American Publishers , enquanto as vendas de ebooks estão em declínio. Livrarias independentes têm vindo a expandir-se por vários anos. Os discos de vinil testemunharam um crescimento de uma década de popularidade (mais de 200 mil ​​são vendidos por semana nos Estados Unidos), enquanto as vendas de câmeras instantâneas, cadernos de papel, jogos de tabuleiro e ingressos da Broadway estão crescendo de novo.

Esta inversão surpreendente da fortuna para essas tecnologias análogas aparentemente “obsoletas” é muitas vezes escrita como uma nostalgia por um tempo predigital. Mas os consumidores mais jovens que nunca possuíram um toca-discos e têm poucas lembranças da vida antes da internet, geram a maior parte do interesse atual em análises, e muitas vezes incluem aqueles que trabalham nas empresas mais poderosas do Vale do Silício.

Analógico, embora mais pesado e dispendioso do que seus equivalentes digitais, fornece uma riqueza de experiência que é incomparável com qualquer coisa entregue através de uma tela. As pessoas estão comprando livros porque um livro envolve quase todos os seus sentidos, do cheiro do papel e da cola à visão do design da capa e do peso das páginas lidas, do som dessas folhas girando e até do sabor sutil da tinta na ponta dos dedos Um livro pode ser comprado e vendido, dado e recebido, e exibido em uma prateleira para qualquer um ver. Pode iniciar conversas e cultivar romances.

Os limites do analógico, que antes eram vistos como uma desvantagem, são cada vez mais um dos benefícios que as pessoas estão se voltando como um contrapeso para a fácil manipulação do digital. Embora uma página de papel seja limitada pelo seu tamanho físico e pela permanência da tinta que a marca, existe uma eficiência poderosa nessa simplicidade. A pessoa que segura a caneta acima dessa página do caderno é livre para escrever ou rabiscar sua ideia, no entanto, ela deseja entre essas fronteiras, sem as restrições ou distrações impostas pelo software.

Em um mundo de cadeias de e-mail infinitas, bate-papo de grupo, mensagens pop-up ou documentos e imagens sem limites, o jardim de análises afastado economiza tempo e inspira a criatividade. Os designers da Web do Google foram obrigados a usar caneta e papel como primeiro passo de novos projetos nos últimos anos, porque isso leva a melhores ideias do que as iniciadas em uma tela.

Nós não enfrentamos uma escolha simples de digital ou analógico. Essa é a falsa lógica do código binário com o qual os computadores são programados, o que ignora a complexidade da vida no mundo real. Em vez disso, somos confrontados com uma decisão de como atingir o equilíbrio certo entre os dois. Se mantivermos isso em mente, estamos dando o primeiro passo para um relacionamento saudável com toda a tecnologia e, o mais importante, um para o outro”.

Então, agora temos mais uma pista sobre o vinil sendo algo sacramentado na vida cotidiana. E entender os porquês é muito bom!

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