A discussão sobre o preço dos discos não é um fenômeno brasileiro. Está no mundo todo!

O papo do preço dos discos é uma coisa muito séria. Cair na mesmice ou no lugar comum que a culpa é da ganância de uns ou de que é da crise (no caso brasileiro) não é uma resposta eficiente e muito menos elucidativa. Há vários fatores que fazem o preço final dos discos, porém, a discussão está no mundo todo, frente uma nem tão recente alta do valor final dos discos no exterior.

Para, também, não cairmos na mesmice e podermos exemplificar o grau de discussão no mundo, optamos em fazer uma tradução livre e resumida de um artigo de Daniel Sanchez para o site Digital Music New (uma publicação de Santa Monica, CA – EUA) intitulado “Is the Price of Vinyl Going Too High?” (ou, numa tradução livre: O preço do vinil é muito alto?) que mostra, a partir de outras escritas que não seja a nossa, o grau de investigação sobre os preços e as possíveis consequências desse fenômeno que é mundial. E no final da tradução as nossas próprias observações sobre o fato. Leia até o final!

Vamos à tradução livre e resumida:

No ano do relatório de 2017 da indústria fonográfica, pesquisadores da BuzzAngle Music notaram que o consumo de música em streaming aumentou nos EUA e no Canadá. As vendas físicas e digitais de álbuns e faixas, no entanto, continuaram a sua lenta descida na obscuridade.

A anomalia? Com um aumento de 20,1% em relação aos números de 2016, as vendas de discos de vinil realmente aumentaram. O meio agora compreende 10,4% de todas as vendas de álbuns físicos nos EUA.

Nielsen Music também relatou um aumento semelhante. No ano passado, os discos de vinil representaram 14% de todas as compras de álbuns físicos, uma alta recorde. A Bandcamp também reportou um aumento de 54% nas vendas de vinil para os artistas em sua plataforma de distribuição de música online.

À medida que as vendas de discos de vinil aumentam, é natural que alguns varejistas aproveitem o aparente ressurgimento do meio. Mas, de acordo com um novo relatório, os preços do vinil foram muito altos?

Ben Raynor, do Toronto Star, abordou este problema. Ao contrário dos EUA, as vendas de vinil realmente diminuíram no Canadá. BuzzAngle observou que, devido ao encerramento da loja da HMV, as vendas de discos de vinil diminuíram 9,3%.

Raynor pagou US $ 64,98 dólares canadenses por um novo álbum Queens of the Stone Age. Isso era antes dos impostos. Isso dá cerca de US $ 52 em dólares americanos para um único disco de vinil. Ele observou que, apesar do aumento da capacidade de fabricação, os preços do vinil continuam a aumentar.

Enfocando os preço crescentes do formato, o proprietário da loja de discos locais, Greg Davis, disse a Raynor,

“Certamente, cinco ou dez anos atrás, entre US $ 15 e US $ 25 era o intervalo. Agora, é de US $ 25 a US $ 40 e muitas coisas estão na faixa média de US $ 30”.

Davis é proprietário da Soundscapes em College St. em Toronto. Davis acrescentou que os clientes tendem a evitar discos de vinil mais caros.

Os aumentos de preços notáveis ​​podem ser decorrentes da falta de capacidades urgentes para atender a demanda. E isso é exatamente o que as pessoas estão dispostas a pagar? Falando com The Toronto Star, Gerry McGhee, do Isotope Records, não vê o fim do ressurgimento do formato em breve.

” Eu acho que ainda estamos na crista da onda, na verdade, indo para cima. “

Para atender à demanda, ele abriu uma fábrica, Precision Vinyl, no início de 2017. Após seis meses de abertura, teve que adicionar um segundo turno diário de oito horas, algo que ele chamou de “insano”. A fábrica atualmente pressiona 240 mil unidades mês.

Para maximizar ainda mais o potencial de seus 10 moldes de pressão, a Precision geralmente faz outro turno no sábado. No final de fevereiro, a empresa irá adicionar máquinas para levar a capacidade de pressão total para 500.000 unidades.

De acordo com McGhee, as gravadoras cobram mais por discos para testar os hábitos de compra dos consumidores. Tentam encontrar um ponto de preço para lucrar com as vendas sem expulsar os clientes.

“A fadiga do comprador sempre foi a principal preocupação para nós. E os selos trouxeram isso para mim, também … Eu acho que ainda é o alvo em movimento. Eles estão tentando descobrir onde é isso. “

Apesar das queixas dos executivos, não espere que os preços baixem em breve. A Nielsen Music observou que, no Canadá, títulos de catálogo como Legend de Bob Marley representavam 59% das vendas de vinil. O proprietário da etiqueta Indigo, Trevor LaRocque, criticou a popularidade dessas vendas. Seu selo, Paper Bag Records, geralmente vende novos discos de vinil por US $ 24,99.

Observando que a maioria dos clientes não sabe a quem culpar pelo preço alto nos discos de vinil, ele lamentou,

“Vou cobrar US $ 52,99 pelo novo vinil de Beyoncé porque custou-me US $ 43,99. Eu quero levá-lo para alguém que possa possuí-lo, mas eu gostaria que esse alguém percebesse que eu não estou limpando sua carteira ao cobrar $ 52,99. Definitivamente não estou lucrando nada para mim.”

E a opinião do UV?

Nós já deixamos bem claro no artigo “O que faz o preço do vinil novo e usado” a nossa opinião sobre esse papo de preço e como muitos discos são precificados.

Resumidamente apontamos (extraído do nosso artigo citado acima):

Primeiro, precisamos entender que a matéria prima do Vinil é um derivado de petróleo. Então, de início já entendemos que seu valor é internacionalizado e dolarizado.

Segundo, a óbvia do mercado: a lei da oferta e da procura. Esta é sem dúvida o maior problema do preço do Vinil, pois, a demanda e a oferta são o gargalo do preço: alta procura e poucas fábricas – mesmo tendo melhorado o número de fábricas, elas ainda não suportam a demanda.

Terceiro, no caso brasileiro, para vinis importados, existe o somatório do preço no mercado de origem, relação Real e Dólar, impostos sobre importação, frete e IOF. Isso tudo afeta o valor do disco importado no Brasil.

Quarto, a política de preços da gravadora ou selo e do comércio. Cada gravadora e/ou selo têm uma política específica e própria para precificarem seus produtos e, assim, procuram obter mais ou menos lucro no valor final. Este ponto é bem específico de cada empresa e a lógica nisso tudo é somente o desejo da gravadora ou selo e a relação com o seu consumidor e o lucro. Este ponto recai, também, sobre o comércio e sua política de lucros.

Quinto, o peso do vinil e outros materiais pra a fabricação. Vinis mais pesados, obviamente, usam mais matéria prima e tendem a serem mais caros, bem como a qualidade dos insumos e materiais usados para os encartes e capas.

Sexto, as relações com a propriedade intelectual e o valor dos profissionais envolvidos. As questões da propriedade intelectual estão ligadas ao valor que os detentores da obra exigem para que ela seja comercializada. Isso também serve para percebermos o valor dos profissionais envolvidos na confecção do disco – de locação de estúdio, equipe técnica a designers e músicos.

Os itens quarto e sexto também diferem muito se o disco é uma obra independente ou se está atrelado a uma gravadora ou selo.

Ou seja, o preço do vinil não é uma coisa tão simples! Mas continuamos atentos a este papo aqui e no mundo!

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