Uma fantástica fábrica de discos: Vinil Brasil

Fabricar discos de vinil é uma atividade escassa onde pouquíssimos países mantêm no seu parque industrial uma fábrica deste calibre. Para terem uma ideia, são apenas 28 países que fabricam os bolachões e somente 84 fábricas no mundo inteiro.

Até 2016 todas as fábricas existentes eram construídas por sucatas de maquinário do período áureo do vinil. Não existia, sequer, fabricação de equipamentos novos para a indústria do disquinho preto de plástico. Tudo era reaproveitamento, por isso, para uma fábrica acontecer tinha que antes de qualquer coisa achar uma agulha no palheiro, ou melhor, achar restos de máquinas para a fabricação de discos perdidas por aí… Não era fácil!

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Então, quando a gente se depara com uma fábrica destes fabulosos discos sabemos que estamos diante de uma coisa rara e feita por poucos, aliás, pouquíssimos. E nos encontrar num lugar desses, embeleza os olhos e alegra a alma do amante da música. E aí fomos parar na fábrica de discos, Vinil Brasil.

Ao entrarmos, damos de cara com um sujeito alegre e com um sorriso fácil: Michel Nath, o dono do negócio! Cara gente boa que nos apresentou toda a fábrica, inclusive, rapidamente nos explicou todo o processo de fabricação e demos para ele de presente o “kit UV”: nossos dois livros, o adesivo e o bótom – tínhamos que retribuir de alguma forma a gentileza e a disponibilidade…

O intuito ali era uma entrevista para nosso programa na Rádio UFS FM, Conversa de Vinil, que tem como conteúdo a indústria fonográfica e os álbuns de hoje e de ontem feitos em vinil, além de entrevistas com quem está, de certa forma, ligado ao universo dos discos de vinil, sejam, lojistas, colecionadores, amantes dos discos, músicos e tantos mais. E lá fomos para uma entrevista de mais ou menos 1 hora.

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Se você quiser escutar a entrevista com Michel Nath no Conversa de Vinil, clique aqui para a primeira parte e aqui para a segunda e última parte
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Para começar, nós até pensamos que o papo não ia rolar. Era um dia chuvoso em São Paulo. Um daqueles que a chuva alaga a cidade e cria grandes engarrafamentos. Nossa estada em Sampa era breve e tanto Michel, como nós, tínhamos vários compromissos agendados e só tínhamos aquele espaço na agenda. Se nós remarcássemos para outro momento, teríamos que cancelar outros compromissos. Estava tenso! Por isso, se a chuva atrapalhasse ou se o engarrafamento nos prendesse, muito provavelmente, babau entrevista… Porém, se é para dar certo, daria… E deu! Parte da cidade estava com grandes dificuldades no trânsito, mas nosso caminho estava relativamente bom. Foi como se os Deuses do Vinil tivessem aberto uma passagem para nós perante os grandes problemas que estavam acontecendo naquele momento… Salve, salve, Deuses do Vinil! O UV agradece!

Foi uma hora de um grande bate papo. Michel nos apontava suas ideias sobre a fabricação de discos, a indústria da música, os tipos de mídia e o futuro deste mercado. Aliás, antes de Michel ser dono da fábrica ele é músico e Dj e foi assim que a fábrica foi parar nas suas mãos…

É isso mesmo, tudo começou por causa de um disco de sua autoria, Solar Soul. Essa história já foi contada em outros entrevistas que Nath deu sobre a Vinil Brasil e está por aí na Internet para todos saberem, mas compensa, rapidamente contá-la: um sujeito era o intermediário para Michel fazer seu disco no exterior, queria vinil e não outra mídia. E conversando com esta pessoa, ao longo da demora do disco sair, acabou que este apresentou a Nath umas sucatas de máquinas da antiga fábrica Continental em algum lugar do Brasil que acabara de encontrar. E aí é história: as máquinas foram para as mãos do músico e ao longo de 3 anos, foram sendo ajeitadas e arrumadas até estarem prontas para a produção de discos. Isso começou em outubro de 2014 e hoje, a Vinil Brasil tem capacidade para fabricar algumas centenas de discos/dia e está preparando sua expansão.

A fábrica está no jeitinho. No grau, como dizem! Fabricam discos de 7″ (compactos) e 12″ (LPs) tanto em 33 como em 45 RPM e com 180 gramas. Esta preparada para receber o áudio para a confecção dos discos em fitas (áudio analógico) como em arquivos digitais e tem sua própria máquina para fazer o master. Tudo lá é de boas!

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Se tiver curiosidade ou interesse, eis aqui a tabela de preços e tipos que fabricam

Nossa entrevista fluía naturalmente. Michel é bom de contar causos e histórias e sabe tudo sobre a mídia vinil. Tem o conhecimento bem enraizado e totalmente articulado. Como dizem por aí: ele entende do riscado! Assim, vamos percebendo que a fabricação de discos está em boas mãos. Não é um mero aventureiro e nem vê a fábrica apenas como um negócio. Ele é como o lema deste seu empreendimento: discos feitos com alma (que está bem estampado no site da Vinil Brasil)! Isso mesmo, Michel é a alma da fábrica e ao mesmo tempo leva um negócio com toda a seriedade que um empresário precisa levar, mas também, preenche esse negócio com sua alma de artista e amante da cultura. E aí, agradecemos novamente aos Deuses do Vinil pela fábrica estar em boas mãos, afinal, temos apenas duas fábricas e devemos tratá-las com carinho e com apreço (mas sem perdermos o foco que isso é um negócio e não uma brinquedo de fazer discos).

No final, Michel nos faz uma grande surpresa, nos presenteia com um dos discos que a Vinil Brasil já produziu e nos oferece para pegar o plástico quente que sai para a prensa. Nós, na emoção, acabamos esquecendo lá a matéria prima do vinil que apalpamos. Este foi o único senão que tivemos e ao chegarmos no local que estávamos hospedados, dissemos para nós mesmos: vacilões! É, desta vez os Deuses do Vinil não ligaram o alarme para nos dizerem: não esqueçam do plastiquinho que pouquíssimas pessoas no mundo já tiveram em suas mãos! Realmente, isso foi, desculpem a palavra, foda!

Porém, tirando este pequeno vacilo, tudo foi muito bacana, muito legal e saímos com a alma lavada e o dever cumprido da missão de entrevistar Michel Nath para nosso Conversa de Vinil. Tudo perfeito! Valeu Michel, o UV agradece! E vida longa para a Vinil Brasil!

 

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Todo domingo às 19h na Rádio UFS FM 92,1 tem o programa Conversa de Vinil
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