O vinil e o streaming mostram sua força, mas o streaming continua um enigma

No relatório da Nielsen Music – uma das empresas de pesquisa de consumo dos EUA – sobre as vendas de músicas para o primeiro semestre de 2018 nas terras do Tio Sam vem a seguinte declaração: “O primeiro semestre de 2018 mostrou um crescimento robusto para a indústria da música, com base nos sucessos do negócio nos últimos anos. Os fãs nunca tiveram acesso à música na escala que vemos hoje, e esperamos ganhos ainda maiores para a indústria nos próximos seis meses.”

Sim, estamos falando de EUA e não do mundo todo e muito menos dos países de língua portuguesa onde este portal tem mais alcance, mas isto mostra uma tendência que está se espalhando pelo restante do nosso planeta e estas formas de consumir música mostram os estilos deste consumo para os próximos anos.

O consumo total equivalente de álbuns – vendas de álbuns físicos e digitais, vendas de músicas e fluxos de músicas sob demanda de áudio e vídeo – aumentou 18%, ultrapassando 400 bilhões de transmissões pela primeira vez. O volume de streaming de áudio sob demanda subiu 45%, já tendo ultrapassado 268 bilhões até agora em 2018, e o volume de streaming de vídeo sob demanda cresceu 35% ano a ano, de acordo com o relatório. Consumo total de áudio equivalente a álbuns – álbuns e álbuns equivalentes a faixas (TEA) + álbuns equivalentes de streaming de áudio sob demanda (SEA) – cresceu 13,8% no acumulado do ano em 2017, enquanto o consumo total de álbuns – álbuns + TEA + on-line demanda de áudio / vídeo SEA – é de 18,4%.

As vendas de vinil aumentaram 19,2% na primeira metade de 2018, as vendas de CDs caíram quase 20% e as vendas de álbuns digitais tiveram queda de 21,7%. As vendas de faixas digitais continuam a cair mais rapidamente do que todos os outros formatos, com vendas abaixo de 27,4%.

Quanto aos gêneros musicais, o R&B / Hip-Hop continua como o mais consumido da indústria, com 31,2% do volume total; o Rock, teve um enorme crescimento de 8,1% na comparação entre os mesmos períodos de 2017 e 2018 (31,2%).

Estes números nos mostram as tendências da música para o futuro. Fica o streaming e o vinil e a possibilidade do CD ser abandonado é muito grande e as do download de música mais ainda.

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Leia também O mercado de música entre o streaming e o vinil, um artigo de 2017 que já mostrávamos esta tendência
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Streaming e vinil mostram como as pessoas se comportam frente aos formatos digitais e analógicos nos dias de hoje. Outrora era o CD e nem tanto tempo atrás era o download de música que estavam carregando nas costas a indústria fonográfica, e o streaming era algo vago e ainda pouco explorado, da mesma forma, que o vinil era considerado ultrapassado e somente para um nicho de mercado de pessoas saudosistas.

Hoje o panorama é outro. O disco de vinil que antes era visto como saudosismo e peça de museu vem se firmando ano a ano (nos EUA é o 13º ano consecutivo de crescimento) como o único formato físico que consegue fazer crescer as vendas. E outro aspecto importante é que os empresários e investidores enxergaram a situação e começaram a abrir novas fábricas para dar conta da alta demanda.

Quanto ao streaming, é uma coisa que ainda precisamos ter cautela, pois, os números mostrados são complicados para entendermos como se portará nos próximos anos, já que nenhuma empresa de streaming de música vem amealhando lucros, mas conseguem ter sua valorização cada vez maior nas bolsas de valores, nos dando indícios que isso pode ser uma bolha que algum dia poderá estourar. Ao mesmo tempo vem a opinião de alguns afirmando que o streaming está modificando a forma do “fazer música”, atrapalhando a criatividade que se prende a um novo modo de conceber as melodias. Essas opiniões e números vêm gerando algumas controvérsias e várias interrogações.

Acompanhe nosso raciocínio:

Vejam, por exemplo, o caso do Spotify onde as ações vendidas no ano passado valorizaram o serviço de transmissão de música sueco entre US$ 6 bilhões e US$ 23 bilhões, mas que ainda apresentou perdas de US$ 1,5 bilhão no ano passado e desde sua abertura continua mostrando perdas. Ou seja, conseguem valorização nas bolsas, mas acumulam prejuízos nos seus balancetes anuais mostrando-se incapazes de obter lucro real – o valor financeiro do Spotify é um verdadeiro enigma, pois jamais demonstrou lucros e seu valor vem apenas da valorização de suas ações.

Paralelo a este problema financeiro, articulistas alertam que o Spotify e empresas semelhantes vêm promovendo uma cultura musical mais pobre e restritiva, liderada pelos algoritmos destas empresas e suas formulações para os pagamentos aos responsáveis das faixas.

Seu valor financeiro é controverso e seu valor de criação musical também é. É o que vem indicando.

Em 2017, Hubert Léveillé Gauvin, aluno de doutorado americano em teoria da música, publicou pesquisas sobre a parte introdutória das músicas. Olhando para os 10 melhores hits dos EUA entre 1986 e 2015, ele achou que seu comprimento médio havia caído de mais de 20 segundos para até cinco. O relatório recebeu uma cobertura generalizada, o que a BBC chamou de “arte moribunda da introdução da grande música”. O streaming foi colocado como o vilão, já que o Spotify e seus semelhantes pagam uma música após 30 segundos do início – um enorme incentivo para os compositores cortarem a introdução e fazerem músicas cada vez mais diminutas, chegando ao cúmulo de vermos surgir álbuns com várias faixas de apenas 30 segundos – clique aqui para ver um exemplo sobre álbuns com faixas de 30 segundos.

A controvérsia está aí. Não sabemos o valor real das empresas de streaming e como isso poderá afetar a distribuição e vendas de música no futuro, como também, não sabemos se está em curso uma nova forma de fazer música.

Quem viver verá! Mas, o fato é: o vinil, com todas essas controvérsias, vem se apresentando como algo lucrativo e importante para a indústria fonográfica de hoje e isso é bom. Não! É muito bom!

Atualizado às 22:34h de 08/07/2018

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