Às vezes precisamos defender o CD

Aqui no Universo do Vinil nunca imaginamos que um dia iríamos escrever um artigo que viesse defender os Compact Discs. Foi duro fechar a pauta e decidir: sim, vamos em frente! Afinal, o CD foi um dos principais argumentos para que os discos de vinil quase caíssem para o ostracismos no final dos anos 90.

Antes que os leitores amantes dos discos de vinil nos taxem de traidores, pedimos, encarecidamente, que acompanhem nosso raciocínio e no final do artigo pensem se temos razão ou não em trazer o assunto para uma página especializada em música analógica.

Vamos lá?

Os CDs surgiram para modificar a mídia musical do vinil (analógica) para uma digital (os próprios Compacts Discs). O argumento principal era que os arquivos digitais continham qualidades sonoras superiores aos analógicos. Mas, no fundo (e na verdade) o motivo era simplesmente econômico: fabricar vinil era dispendioso, trabalhoso e os CDs eram infinitamente mais baratos, bem como, os estúdios que “fabricavam” as matrizes digitais eram, também, mais em conta – comprar um Pro Tools (famoso software de edição de áudio e provavelmente o primeiro a surgir) nos anos iniciais da música digital era caríssimo, mas no decorrer dos anos foi barateando e trazendo outras marcas e modelos (algumas até mesmo gratuitas – software livre), fazendo com que os eletrônicos de áudio analógico para estúdio se tornassem mais caros e mais difíceis de uso e, aos poucos, abandonados pelos fabricantes. A música em mídia digital prometia o céu! Mas, não foi bem isso que aconteceu e já sabemos os resultados…

Resumidamente, era este este o panorama no momento da troca do modelo analógico para o digital.

Ocorre que poucos, alias, pouquíssimos, viram esta mudança como algo que não iria de todo vingar – já falamos sobre isso e para saber mais, clique aqui – e está acontecendo o inverso: o vinil é hoje a única mídia musical física que consegue ter altas nas vendas e o CD decai ano a ano, chegando ao ponto de grandes cadeias do comércio varejista mundial – como a Best Buy –  deixarem de vender os disquinhos prata. Mas, não é só isso, basta dar uma olhada nas lojas de departamento e nos supermercados que outrora dispunham espaços enormes para as vendas deste modelo digital e hoje, se não acabaram com o setor de vendas, diminuíram demasiadamente o local e, consequentemente, a oferta.

O CD está em franca decadência e aos poucos desaparecendo (já vimos esta história com o vinil no final dos anos 90, não é? Parece que a história se repete…) e as estatísticas de vendas comprovam isso. Cai na casa de 2 dígitos por ano.

No Brasil, Lojas Americanas, Saraiva, Cultura, FNAC e tantas outras que eram campeãs de vendas de mídias de música foram aos poucos dizimando seus espaços e ofertando cada vez menos títulos (que também eram e são cada vez menos produzidos) e a oferta para o comprador de mídia física quando não encontra (ou não consegue pagar) o vinil, vai descendo pelo ralo…

Com essa política de “economizar” lançamentos e relançamentos em CD, vários artistas deixam de produzir seus trabalhos fisicamente para expô-los apenas em arquivos digitais, diminuindo seus lucros e a possibilidade dos fãs de terem um produto real em suas em mãos com os famosos encartes, fotos e as outras informações que o fã ou o pesquisador da indústria da música quer e precisa, se vai.

Só que nisso tudo tem um problema, principalmente para os países como o Brasil, a América Latina em geral e os africanos: não temos ofertas de vinil suficientes para a troca do CD pelo vinil e quando temos, alguns são caros para o poder aquisitivo destes povos. Então, ficamos à mercê dos arquivos em MP3, dos downloads piratas e do streaming quando queremos algo que não é oferecido pelo bolachão e que já foi abandonado pelo CD.

Com a política gradativa de diminuição de oferta de títulos em Compact Disc, a América Latina, África e outros países do mundo quando querem uma mídia tangível de seu artista favorito estão quase que jogados às traças e não tem muita escolha. É MP3 (ou arquivos semelhantes) ou streaming. Pois, os discos de vinil ainda “patinam” na oferta de muito deste países, afinal, são poucas fábricas produzindo localmente e muita burocracia e impostos para importar, dificultando em demasia obter um LP ou compacto.

É óbvio que nós do Universo do Vinil preferimos o disquinhos pretos (ou coloridos) de plástico e até mesmo, para alguns, a fita K7 vem na preferência. Porém, quando não tem o bolachão, muito provavelmente estes fãs não preferem o streaming, nem o MP3 (e arquivos análogos). Para muitos de nós, ter a mídia é importante e, acreditamos, que para o artista também.

Só que o CD está indo, como água no ralo, ano após ano e as populações que não têm o privilégio de ter um mercado aquecido e cheio de ofertas de vinil, estão ficando cada vez mais relegados à opção única do streaming ou se lançar nos downloads ilegais que ainda perambulam pela Internet e no máximo comprar um arquivo digital nos iTunes da vida…

Nesta nova Era do Vinil ou na Era do Streaming, querer ser proprietário de uma mídia física está cada dia mais difícil e, assim, a indústria da música em geral está criando uma nova categoria: os fora dos circuitos comercial de mídias físicas. E isso é dureza! Mas, se você não se importa com sso, sem problemas, todavia o problema se encontra naqueles (que não são poucos) que querem ter a mídia do seu artista favorito em mãos.

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