Falando de poluição e de mídias de música

Às vezes sai na mídia estrangeira a conversa de que o vinil é um vilão para a poluição (aqui no Brasil também já vi uns papos assim), afinal ele é um plástico. E como os discos de vinil andam em evidência (e o assunto “poluição por plástico” também), este tema volta à baila de tempos em tempos. Contudo, essa “conversa” é muito estranha, ainda mais apontando uma única mídia como a vilã na história ou a maior de todas – simplesmente por ela ser de um produto derivado de petróleo. E as outras mídias, normalmente, não entram neste “pacote midiático da vilania vinílica”.

E, espere aí: o CD e o DVD não são poluidores e em suas composições, o plástico, não é uma porcentagem importante? E a química que tem neles e o metal? São todos feitos de materiais puros e antipoluentes? Óbvio que não! E no rol das mídias nada benéficas para o meio ambiente, devemos acrescentar as fitas cassete e de vídeo que têm na suas composições plástico, metal e químicos.

E para piorar as coisas, já começamos afirmando: até seu arquivo MP3 é um grande poluidor (sem contar seu player e fones!).

Já parou para pensar nisso? Então, vamos com calma com este assunto, pois, na verdade, todas as mídias são poluidoras, sem exceção! O que minimiza o problema é como são produzidas, descartadas e recicladas.

Quando o CD apareceu forte na vida cotidiana uma das razões para justificá-lo é que ele seria menos poluente. E, na verdade, isso foi “papo de vendedor”. O CD e o DVD são altamente poluidores e eles ainda têm um fator agravante: separar a parte de metal (que fica no interior) do plástico é um ato difícil e oneroso e, por isso, normalmente, não é reciclado. Simplesmente, é “jogado por aí”. E ainda podemos engrossar o problema quando acrescentamos as capas destes disquinhos prateados.

Muitos não conseguem imaginar o quanto um MP3 ou qualquer outro arquivo digital poluem, mas quando saímos do “produto não físico” que são os arquivos digitais e pensamos neles como um “corpo” informático, percebemos de cara que estes arquivos precisam estar armazenados em algum lugar e são necessários equipamentos para que funcionem. Aí, caímos num dos maiores lixos do mundo e altamente poluidores: os lixos tecnológicos. E estes, meus amigos, são da pior espécie em matéria de poluição. Bastam pensar em todos os metais, plásticos e químicos que compõe os computadores, tablets, smartphones, pilhas, baterias, cartões de memória, pen drives, discos rígidos, periféricos e etc. São toneladas e toneladas de equipamentos sendo descartados por ano e todos estes necessitam de um trabalho árduo para separarem os materiais e assim poderem ir para a reciclagem (quando vão!).

Hoje os lixões de lixos tecnológicos são impressionantes locais nocivos à vida.

Se quiser ver um, basta acompanhar este vídeo:

O vinil se tornou algo negativo ao meio ambiente quando houve a troca desta mídia pelos Compact Discs. Aí sim, foi um grande problema, já que muitas pessoas, simplesmente jogaram fora os discos sem qualquer preocupação com o planeta que vivemos. E neste momento a coisa se repete quando descartamos nossos equipamentos tecnológicos sem qualquer cuidado – e os CDs e DVDs, principalmente aqueles incontáveis disquinhos prateados de softwares e regraváveis que não servem para, absolutamente, mais nada.

Por incrível que pareça, nos dias atuais, o vinil é um dos objetos mais fáceis de reciclar e reaproveitar, por isso, bem menos nocivo que qualquer uma das mídias citadas acima, quando “seguem a cartilha” da reciclagem direitinho.  Porém, ele tem o problema da água que passa na sua produção. Todavia, isto também é um caso relativamente fácil de ser resolvido. E se a grande vilã são as indústria que fazem o PVC, devemos compreender que o problema não está só e somente no nosso disco, mas em tudo que envolve o plástico e sua produção. A questão é como vivemos com isso e resolvemos os problemas utilizando a tecnologia para minimizar os efeitos desta indústria derivada de petróleo. Sem contar as pesquisas sobre o plástico “verde” para o uso na indústria da música que começaram a ser intensificadas – apesar de ainda não existirem respostas (e isso não é assunto para agora).

Um dos problemas que podem surgir com o aumento da produção de discos de vinil é quanto ao uso dos plásticos que envolvem nossos discos e capas. É importante começarmos a pensar nisso. Aqui, somos árduos defensores dos sacos plástico, já que eles protegem mais nossos disquinhos pretos (e às vezes coloridos) do que os envelopes de papel. E quem sabe não estaria na hora de trocá-los de vez pelos envelopes de celulose? Bem como, este papo de “vinil lacrado” é outro problema, já que o plástico que “lacra o vinil” é praticamente descartado na hora que se abre o disco pela primeira vez – este sim é um derivado de petróleo sem muito efeito para o bolachão, já que, normalmente, vai direto para o lixo. Às vezes, proteger menos nosso bolachão, pode ser muito mais benéfico para a vida, não acham? É um caso a se pensar… Veja a questão do saco plástico aqui.

Bom, o problema está lançado. Devemos pensar no meio ambiente em todos os aspectos e, neste caso, os discos de vinil estão incluídos, bem como, quaisquer outras mídias. Não dá para jogarmos essa história para “debaixo do tapete” e fingirmos que nada está acontecendo. O problema da poluição é sério e vem acarretando vários fatores nocivos. Porém, falando de mídias de música, chamar o vinil de grande e único vilão é falta de conhecimento e gera interpretações sobre quais seriam os reais motivos para indicarem essa vilania aos nossos bolachões?

E para terminar, uma última conversa: os toca-discos e os outros aparelhos que compõe os sistemas de som para o vinil duram muito mais tempo (e põe tempo nisso) do que qualquer smartphone, portanto, demoram muito mais para irem para o descarte…

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Todo domingo às 19h na Rádio UFS FM 92,1 tem o programa Conversa de Vinil
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