Vinil: o último bastião do álbum

Aqui no UV demarcamos este período da indústria da música como a nova Era do Vinil e também como a Era do Streaming. São dois modelos distintos da indústria fonográfica, mas representam bem como este mercado se comporta e, ao mesmo tempo, demarca os diferentes modelos de consumo de música coexistentes, apesar da supremacia do streaming frente aos discos de vinil.

Na Era do Streaming, quem ganha é a música sozinha, ou como costumam chamar, o “single”.

Na Era do Vinil, quem ganha são os álbuns.

Para saber sobre a nova Era do Vinil:

A Nova Era do Vinil – parte 1: o enraizamento do vinil na cultura da música e no mercado fonográfico 

A Nova Era do Vinil – Parte 2: dilemas e obstáculos para a longevidade da cultura do vinil

 

Infelizmente, o vinil está ficando sozinho neste embate entre o single X o álbum, já que o CD está cada dia mais em desuso, mesmo tendo ainda uma venda superior aos discos de vinil – a curva do vinil é ascendente e a do Compact Disc está caindo ladeira abaixo.

Demarcar as Eras com os modelos de consumo é algo que nos faz pensar muito em como a música é vista e consumida na contemporaneidade. Outrora, o álbum era o grande acontecimento do artista e hoje vai perdendo terreno para os lançamentos isolados sem que exista, necessariamente, uma coerência na produção do artista.

Os álbuns, resumidamente, são lançamentos (geralmente comerciais) de um cantor, cantora, banda ou músico(a) com um conjunto de músicas reunidas num exemplar único (que pode até mesmo conter mais de um disco, como um álbum duplo, triplo e etc). Este formato é reconhecido até hoje e pode ser lançado em vinil, K7, CD, DVD áudio ou arquivos digitais. Nos dias atuais o “formato álbum”, basicamente, segue o mesmo modelo dos discos de vinil na sua versão “long play” (LP).

Já o single é a música por ela mesma – é lançada sozinha sem nenhuma pretensão em compor uma obra mais arrojada.

Alguns vão ler este artigo torcendo o nariz se afirmamos que o single é, normalmente, visto como apenas uma canção do momento, um fato muito comercial. Entretanto, antes que torçam o nariz vale lembrar que o UV não tem nada contra uma música ser comercial e momentânea, afinal, cada “macaco no seu galho” e cada obra lançada ao público tem um interesse, e ser comercial não é sinônimo que seja ruim. O que lamentamos é que perceber a obra de um artista num único momento tem sido cada vez mais difícil e o álbum nos permite este olhar ao nos contemplar com um conjunto de melodias num único volume e assim, podermos ter mais informações sobre as qualidades do artista.

Quando é uma ou um artista (ou banda) já consagrado, os singles não são coisas que nos afetam muito. Já temos as respostas sobre nossos gostares, mas sempre queremos escutar as novidades mais e mais. Todavia, quando é alguém novo ou menos conhecido, o single não nos permite verificar o talento de forma mais ampla, exceto se formos esperar um tempo para vermos quais outros singles serão lançados. De repente, numa hipótese, para percebermos o quanto um artista é (seja este “é” o que for para o bem ou para o mal) pode durar mais de um ano se ele(a) resolver lançar singles com intervalos de um mês. Já pensou? Demorar 12 ou 10 meses para termos noção do “qual é” do artista? Para quem está só interessado na melodia, ok, isso não é problema, mas para os muitos que gostam de ir mais fundo nas questões musicais é uma coisa cansativa e insana. E isso pode ser negativo para o(a) novato(a).

O vinil é muito diferente disso. Ele nos permite, mesmo que existam os compactos, perceber mais o(a) artista ou a banda (o CD também). Geralmente, já vem com 10 músicas mais ou menos e isso nos permite ter alguma informação a mais. E vale ressaltar que os compactos também serviam, nos tempos áureos do vinil, como um teste para as gravadoras verificarem se este ou esta artista teria algum futuro no mercado e assim poderem financiar um projeto maior (um LP). O single hoje não tem esta função que o compacto tinha – ele é ele por si só.

Pois bem, estamos num momento muito distinto entre as duas formas em ascensão da indústria fonográfica. Uma contempla mais o single (o streaming) e outra mais o álbum (o vinil). Resta agora vermos se estas tendências vão coexistir pacificamente ou se a perspectiva comercial que o streaming vem mostrando com força irá abocanhar o álbum e ele se tornar uma ideia menor nesta indústria.

Por fim, vale lembrar que o álbum vem sendo tão repensado e resguardado que até a gigante indústria da música britânica resolveu comemorar o 13 de outubro como o Dia do Álbum para celebrar este modelo de arte musical. Se tiver mais curiosidade para saber sobre isso, basta clicar aqui.

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Todo domingo às 19h na Rádio UFS FM 92,1 tem o programa Conversa de Vinil
Você pode escutá-lo pela web em radio.ufs.br ou a partir do podcast, clicando aqui

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