Dólar alto: sinal vermelho nos preços dos toca-discos e vinil importado

O mundo do vinil tem uma relação intimamente ligada com o dólar. Primeiro, por não termos fábricas nacionais de toca-discos ou vitrolas e, segundo, por termos uma produção de discos de vinil novos em apenas duas fábricas.

É sabido que tanto a Polysom como a Vinil Brasil (nossas duas únicas fábricas) se esmeram no sentido de aumentarem seu parque fabril – recentemente a Vinil Brasil anunciou que vai ter mais uma prensa na sua fábrica. Porém, a demanda brasileira por novos discos de vinil é muito maior que a capacidade de produção de ambas. Assim, importar vinil tem sido o caminho de muitas lojas e colecionadores. Nossa produção interna nem dá conta dos relançamentos e lançamentos nacionais, imagine os internacionais?

Na outra ponta estão os toca-discos e vitrolas. Se quanto aos discos nós temos, mesmo que parca, uma produção brasileira; quando pensamos em toca-discos e vitrolas, não existe absolutamente nenhuma forma nacional de produção. Todos os nossos players de vinil são importados! Sem exceção!

Quando pensamos em importação, logo nos vem à mente o dólar e junto os impostos. Quando o dólar sobe, obviamente, o preço do produto para o consumidor também sobe.

Para terem uma ideia, em 21 de agosto de 2017 o dólar valia R$ 3,1677 e no dia 17/08/2018 – praticamente um ano após – está valendo R$ 3,9147. Uma diferença de quase R$ 0,75 centavos. Ou seja, R$ 316,77 em agosto de 2017 equivaleria a 100 dólares. Em agosto de 2018, esses mesmos 100 dólares equivalem a R$ 391,47 – uma diferença de R$ 74,70. E com 100 dólares é possível comprar um toca-discos bacana ou, pelo menos, uns 4 a 6 discos novos no exterior.

No cálculo da importação a coisa fica mais feia. Vejam os exemplos:

Observação: o exemplo abaixo foi feito para o estado de São Paulo e com 50 dólares de frete por courier – se o preço do frete for maior, o valor final sobe mais ainda, da mesma forma se tiver impostos sobre o frete.

No dólar por R$ 3,91

IMPOSTOS DE IMPORTAÇÃO
VALOR (R$)
——————-
Taxa de conversão monetária:
3.91
Valor total:
586.50
——————-
Imposto de importação:
351.90
ICMS:
205.99
IOF:
37.42
Total de impostos:
595.31
——————-
TOTAL A PAGAR:
1181.81

No dólar por R$ 3,17

IMPOSTOS DE IMPORTAÇÃO
VALOR (R$)
——————-
Taxa de conversão monetária:
3.17
Valor total:
475.50
——————-
Imposto de importação:
285.30
ICMS:
167.00
IOF:
30.34
Total de impostos:
482.64
——————-
TOTAL A PAGAR:
958.14

A diferença entre as duas datas é de R$ 223,67. Uma diferença enorme

 

A sorte é que muitos importadores ainda têm no estoque alguns produtos, porém, não deve durar muito e repor o estoque é uma coisa natural e terá que vir a qualquer momento. Mas, não sabemos o quanto os importadores querem ainda investir no Brasil e o quanto apostam no vinil, nos toca-discos e nas vitrolas, sem contar nos acessórios.

Produtos mais baratos têm maior tendência a continuarem sendo ofertados, mas é quase matemático supor que os toca-discos mais caros deverão sumir ou diminuir bastante a oferta (o que, na prática já vem existindo).

Por isso, o projeto de lei que isenta de impostos toca-discos e discos de vinil é cada dia mais importante para o fã dos discos de vinil (clique aqui para saber mais sobre o projeto de lei). Com essa volatilidade do dólar a coisa vem ficando cada vez mais difícil e nosso disquinho preto (e às vezes colorido) de plástico vai se tornando muito mais um sonho de consumo de alguns do que a realidade.

Mas, a gente é teimoso e finca o pé no vinil e não abrimos mão dele!

Em tempo: como domingo passado foi Dia dos Pais, geralmente, não lançamos nossos artigos especiais e semanais quando as datas comemorativas caem nos domingos, por isso não tivemos nossa Conversa de Vinil de sempre.

 

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Todo domingo às 19h na Rádio UFS FM 92,1 tem o programa Conversa de Vinil
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