Feira de Vinil é um negócio muito bacana e é um bom negócio

As Feiras de Discos são acontecimentos muito interessantes, pois congregam fãs de discos, vendedores, artistas, DJs, curiosos e fazem rolar a economia do vinil. Estes seriam os argumentos mais básicos para começarmos a perceber o quanto uma feira é importante, mas, talvez o mais importante deles, muitos não dão conta: é formadora de público.

Quem segue os raciocínios do UV, de cara, já entenderia esse nosso “formação de público”, porém, para os que estão lendo nossos escritos pela primeira vez vão entender melhor o que estamos dizendo nos argumentos abaixo.

Primeiro, as questões óbvias já lançadas acima nos permitem imediatamente entendermos a importância das feiras de vinil: gira o comércio especializado, faz a alegria do fã de discos, pois, oportuniza num só local ficar à frente de várias ofertas de títulos; é uma boa oportunidade para artistas e DJs não só conversarem entre si como também estarem perto de um perfil de fã que é especial, pois, adquire mídia física e celebra um tipo de obra muito importante para a música, o “álbum”.

Mas, a maior importância das Feiras muitos não dão conta: a formação de público.

Hoje em dia o vinil por mais que seja cultuado não alcança números muito grandes do consumidor de música – o grande público, sem dúvida, está no streaming. O trabalho de divulgação desta mídia preta (e às vezes colorida) de plástico é ainda muito incipiente no Brasil. Afinal, nossa produção de discos nacionais novos é pequena e não gera uma economia (lucro) capaz de oportunizar grandes campanhas publicitárias. A publicidade do vinil, na verdade, pega carona em artigos de jornais, revistas, blogs, vlogs e programas de TV. O próprio setor do vinil é, no caso brasileiro, eminentemente oriundo de selos independentes, pequenas gravadoras e/ou da atitude própria de artistas e bandas em bancarem seus discos, portanto, não tem neste cenário empresas e pessoas capazes de lançarem propagandas na grande mídia com vultuosos preços de contratos para os “reclames” e duração das peças publicitárias.

Não que os setores desta economia sejam pobres e incapazes financeiramente, mas eles tem um tempo e uma rolagem de dinheiro mais lenta por causa do modelo de distribuição do comércio e de questões pontuais que atravancam a expansão: falta de toca-discos com preços atraentes, baixa oferta de títulos novos, impostos e dólar alto. Assim, a indústria do vinil brasileiro tem algumas especificidades que dificultam a formação de público para aumentar seu contingente de fãs.

Todavia, é aí que entram as Feiras! As Feiras e eventos similares (congressos acadêmicos, encontros de profissionais do ramo e etc) são oportunidades únicas para criarem novos públicos para esta mídia. Nas feiras e similares a aproximação dos agentes ligados diretamente ao vinil (vendedores, artistas, DJs, estúdios, promotores de artefatos para a indústria do vinil e outros) com o público cria empatias para o “produto vinil” e isso – sabendo que o produto é bom – aumenta as chances de crescimento de mais fãs de discos.

Sem contar o lado “entretenimento” das feiras. Nestes ambientes o papo rola solto, a confraternização é a palavra de ordem e a diversão é grande, não só na expectativa de poder comprar aquele disquinho que tanto deseja como também em perceber que você não é um “outsider”. Não não não! Você é cercado de pessoas que pensam como você sobre o vinil e aí está uma boa oportunidade para jogar uma conversa fora com desconhecidos sobre um dos assuntos que mais gosta: música!

E assim, um amigo leva um amigo do amigo que gosta de discos e a coisa vai rolando e aumentando. O público cresce numa atitude de “formiguinha”, mas este “formigueiro” cresce cada vez mais e a gente vai percebendo que o vinil, dia após dia, vem crescendo na preferência do público de música e isso é bom para a economia do vinil e, logicamente, para as pessoas envolvidas nela.

Por isso tudo, o papel das feiras é muito importante. Não só celebra a mídia como também gera o envolvimento de mais pessoas. São momentos bacanas, divertidos e prazerosos. Quem nunca foi numa feira não sabe o que está perdendo!

Em tempo:

Nos últimos dias o Universo do Vinil participou de duas feiras de discos – uma promovida pelos SESC e outra por vendedores autônomos. Como sabem, não vendemos discos, portanto, não foi o que ofertamos. “Ofertamos” em ambos momentos duas conversas com o público e foi o maior barato e, com certeza, ao tirarmos dúvidas, levarmos informações e tal, vimos o quanto o público do vinil é ávido em querer saber das coisas ligadas à sua mídia preferida, afinal, quem gosta de vinil gosta de informação não só musical como também da “arte de fazer um disco”, sobre estúdios, gravações, peculiaridades do bolachão e etc. O fã do disco é um consumidor bem diferenciado de música, ele é curioso de tudo que envolve a indústria fonográfica. É um cara especial que faz bem para esta indústria!

Feira do SESC

Feira de Vinil de Aracaju

 

________________________

Todo domingo às 19h na Rádio UFS FM 92,1 tem o programa Conversa de Vinil
Você pode escutá-lo pela web em radio.ufs.br ou a partir do podcast, clicando aqui

Quer saber mais sobre o “ressurgimento” do Vinil? Clique aqui!
Quer saber sobre a qualidade sonora do Vinil, do CD, do streaming e do MP3? Clique aqui!
Sobre os toca-discos? Clique aqui!
Cuidados com seus discos? Clique aqui!
Como e onde comprar? Clique aqui!
Quer interagir? Utilize a seção contato, clicando AQUI!
Faça o download gratuito das nossas publicações ou as adquira no formato papel para ajudar o UV a se manter, clicando AQUI