O perfil do fã e colecionador de discos de vinil – Pesquisa 2018

Desde 2016 que fazemos pesquisas sobre hábitos e consumo do(a) fã de discos de vinil, portanto, esta é a terceira pesquisa que desenvolvemos.

Investigações deste porte são importantes para verificarmos o grau de evolução da cultura do vinil, bem como, a sua inserção na sociedade e como os(as) fãs do vinil se comportam frente ao consumo da mídia e sua forma de uso. Além disso, os resultados podem auxiliar lojistas e vendedores, donos de fábricas, agentes de gravadoras e selos e uma enorme gama de pessoas, sem contar que é puro deleite para o colecionador entender mais as lógicas comerciais e culturais da sua paixão que é o vinil.

Veja também as pesquisas de 2016 e 2017.

Compreenda a metodologia:

Esta pesquisa tem caráter científico limitado, visto que foi um levantamento na web sem delimitar a amostra e muito menos determinar o universo, apesar de que poderíamos dizer que o universo sejam os leitores de assuntos ligados a discos de vinil na web. Mas, mesmo sendo elaborada desta forma, ela nos dá sinais importantes para a análise do objeto estudado e nos permite visualizar alguns indicadores, pois, hoje em dia este tipo de perquirições científicas são muito utilizados.

Foi elaborada por um Cientista Social*, doutor e professor universitário, portanto, tem caráter investigativo envolto nos métodos usuais da pesquisa acadêmica

Foram 1152 respostas (espontâneas). Na pesquisa de 2016 foram 702 respondentes e na de 2017, 660. Assim, a pesquisa de 2018 torna-se a mais participativa de todas que já elaboramos.

Para determinar que a direção de respondentes fosse além dos curtidores e frequentadores das páginas do UV, foi utilizado o artifício da promoção paga da postagem no Facebook com 2 situações a) direcionada a curtidores e amigos dos curtidores do UV e b) direcionada a não curtidores do UV. O direcionamento da promoção do caso “B” foi para um público que já tinha preestabelecido na Rede Social em questão que eram fãs de música. A comprovação deste direcionamento está nas curtidas dos anúncios veiculados durante a semana, onde, se percebe que um número substancial não é de curtidores da página. Além disso, contamos com a divulgação do pessoal da Vinilteca.

Resultados:

*Visualize abaixo do artigo os gráficos para compreender e analisar melhor os resultados

  • 98,6% dos respondentes são brasileiros
  • 91,3 são do sexo masculino
  • Menores de 18 anos a 27 anos já são mais de 16% de fãs do vinil
  • As maiores faixas de renda são de R$ 1.000,00 a R$ 3.000,00 (29,5%) e de R$ 3.000,00 a R$ 5.000,00 (22,6%)
  • Superior completo é o maior contingente do grau de instrução chegando a ser 35,4% dos respondentes
  • 77,4% dos respondentes afirmam que sempre gostaram dos discos de vinil
  • E 97,6% tem vinil em casa
  • A quantidade de vinil em casa é muito dividida entre os participantes, mas, somando os que tem mais de 200 discos para cima dá o total de 59,7% dos respondentes.
  • A maioria compra mais de 7 vinis por ano, dando o total de 63% dos fãs
  • Adquirir só discos novos ainda é um percentual muito baixo (2,9%). Comprar somente usados  é um número mais alto (28%). Os que compram novos e usados são 69,1%, sendo, portanto, a grande maioria.
  • Comprar apenas discos importados é um percentual baixo (5,5%) e a imensa maioria opta em comprar tanto nacional ou importado, representando 81,5% dos respondentes.
  • 78% dos respondentes compram em lojas físicas (ou locais físicos, como feiras, sebos e etc)
  • 5,2% dos fãs de discos que responderam a pesquisa afirmaram que ainda não compram discos
  • Destes, 13,3% disseram que não pretendem adquirir a mídia. O restante se divide entre esperar as condições financeiras melhorarem, os preços abaixarem ou encontrar algum álbum que desperte sua atenção.
  • Dos respondentes, 30,2% afirmam que só compram vinil e 37% é assinante de algum serviço de streaming.
  • 92,4% tem toca-discos em casa
  • Dos 7,2% que não têm toca-discos em casa, 54,5% afirmam que estão esperando ter condições financeiras para adquirem um tocador de vinil.
  • 41,1% dos participantes têm mais de um toca-discos em casa
  • 47% não sabem a idade de seu toca-discos pois foram adquiridos usados
  • Dos que escutam vinil, fazer raramente audições da mídia é um baixo contingente (8,3). A grande maioria escuta com alguma frequência.
  • 60,7% afirmaram que o ato de escutar vinil pode ser sozinho ou acompanhado
  • 3,1% dos 7,2% que afirmaram não ter toca-discos em casa se dividem entre 63,9% não escutam em outro local e 36,1% costumam realizar audições em outros locais que tenham toca-discos (50% em casa de amigos, 31% em casa de parentes ou namorada(o)).
  • Os(as) participantes poderiam responder em mais de um tipo de preferência de gênero musical e em ordem de importância os gêneros mais prediletos são: rock (internacional e nacional), MPB, Pop internacional e blues. os menos preferidos são: gospel, sertanejo e funk.

Comparação da evolução da cultura do vinil de 2016 para 2018 (intervalo de 2 anos):

  • Em 2016 somente 1,9% dos(as) fãs estavam na faixa entre 18 anos e menores, em 2018 este contingente aumentou para 5,2%.
  • O número de mulheres fãs dos discos diminui. Em 2016 eram 11,7% e em 2018 passou a ser 8,7.
  • Houveram pequenas mudanças nas faixas de renda dos(as) fãs de vinil. Em 2016 a faixa que compreendia até 1000 Reais era de 8,7% do total de respondentes, em 2018 esta faixa passou a ser 9,4%. Daqueles que disseram estar entre 1000 a 3000 Reais, em 2016 eram 32,3% e em 2018 passaram a ser 29,5%. De 3000 a 5000 Reais, em 2016 eram 24,1% e em 2018, 22,4%. De 5000 a 8000 Reais, em 2016 eram 16,7% e em 2018, 15,3%. Acima de 8000 Reais, em 2016, 19,5% e em 2018 passou a ser 23,7%.
  • O(a) fã de vinil continua, na grande maioria em ambos os anos, tendo grau de ensino superior ou maior (2016, 53,2% e em 2018, mais de 65%).
  • Houve uma mudança significativa no perfil do(a) fã quanto à percepção de quando passou a gostar dos discos. Em 2016, 83% gostam desde quando “se entendiam como gente” e em 2018, este patamar abaixou para 77,4%, uma diferença de 5,6%.
  • Quanto à preferência do gênero musical o rock (internacional e nacional) continuam sendo os mais cotados. Gospel, funk e sertanejo continuam na rabeira das preferências.

Considerações finais:

Aparentemente não houve retração no comércio de discos. O aumento de consumo foi de 3,8% de 2016 para 2018. Em 2018, a soma dos que compravam 5 discos ou mais foi de 74% e em 2016, 70,2%.

Um fato negativo foi a diminuição do número de mulheres fãs de discos e um muito positivo foi o aumento dos fãs na faixa de 18 anos para baixo.

No tocante à faixa de renda, percebe-se que uma faixa compensou a perda em outra e que continua bem estabilizado os patamares.

Continua um perfil muito interessante do(a) fã de discos: eles(as) são fãs desde sempre. Ou seja, atingir o(a) fã para a aquisição de discos não é um fator que englobe a sua tendência natural em querer um disco e sim o preço e a oferta de títulos.

Não há predileção entre discos usados e novos. Os(as) fãs adquirem ambos os modelos.

As compras físicas continuam em alta e elas podem ocorrer em lojas, feiras e semelhantes.

Há um número substancial de pessoas que preferem o vinil, mas o streaming é um fator em importância também.

Quem tem toca-discos em casa em sua maioria tem usados. Essa tendência continua desde a primeira pesquisa em 2016. Ou seja, toca-discos novos ainda não aparecem como uma tendência na compra destes aparelhos.

Entre os gêneros, o rock (internacional e nacional) é o campeão desde sempre. O(a) fã do vinil é em sua excelência um roqueiro e está longe de adquirir discos de gospel, sertanejo e funk.

Acompanhe abaixo os gráficos para compreender melhor a pesquisa. Clique para aumentar

Gráficos

 

*Pesquisa elaborada pelo Prof. Dr. Glaucio J. C. Machado. Líder do do Grupo de Pesquisa Música e Sociedade da UFS.

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