Sinal vermelho: assistência técnica para toca-discos

Você é fã dos discos de vinil ou quer entrar nessa seara, então se prepare para passar raiva: a assistência técnica para seu toca-discos é praticamente inexistente, principalmente, se você adquiriu um novo nos últimos 3 a 4 anos ou um usado vintage.

É papo sério e triste, mas é a realidade. Você precisará contar com a sorte para ter na sua cidade ou região alguém que saiba mexer com esses “bichinhos tocadores de vinil”. Seja novo, seja comprado usado e vintage, a coisa é complicada.

Peças de reposição da parte estética, como por exemplo tampas e dobradiças, sinto muito, amigos: esqueçam! Ou rezem para ter sorte e achar no Mercado Livre, por exemplo.

Mas, qual o motivo de estarmos falando sobre isso assim tão abertamente e escancarado? Porque precisamos ser honestos e realistas!

Muita gente nos envia e-mails ou interage no nosso Facebook perguntando onde consertar seu toca-discos. Sempre ficamos preocupados com essas perguntas, pois a resposta pode espantar possíveis novos fãs dos discos e isso não queremos, muito pelo contrário, quanto mais gente adepta do vinil, melhor para o artista, para a indústria da música, para o comércio e para o já fã. Mais vinil sendo vendido e mais álbuns sendo ofertados melhor para todo mundo!

Só que o toca-discos vem sendo um grande problema brasileiro. Excetuando alguns importadores que estão “vivos” até hoje, como Raveo, outros estão aos poucos sumindo do mapa, como a Ion – outrora uma das marcas mais vendidas no país – e quando uma marca começa sua bancarrota, vai junto a assistência técnica do tocador de vinil. Experimente achar na Internet o endereço da assistência técnica da Ion ou, se caiu no desespero de ter uma dobradiça quebrada, tente achar alguma para a venda? Difícil…

Sabemos que a crise financeira atravessa todos os setores da economia (o vinil não ficaria longe disso), o dólar alto e por não termos fábricas nacionais de eletrônicos que fabricam toca-discos, atrapalham bastante a economia do vinil e, por isso, muitos importadores cancelaram novos pedidos ou, simplesmente acabaram com seu negócio, deixando a assistência técnica e a oferta de peças de reposição a “ver navios”. Então, quando entramos nessa nova Era do Vinil devemos ter consciência que vamos passar alguns “perrengues’, principalmente quanto aos toca-discos.

Por fim, é continuarmos na torcida que venham mais empresários com a vontade de investirem no vinil, principalmente no que se refere aos toca-discos. A gente vai observando o que acontece no exterior e vai vendo que cada dia que passa ficamos mais longe dos lançamentos de novos players de vinil e quando chegam aqui, muitos vêm com preços proibitivos.

Que a onda do vinil brasileiro toque também nos toca-discos e com urgência!