Não existe sistema de som classe média no Brasil

Se você é um fã de discos de vinil e fitas cassetes e já tem um sistema de som e quer melhorar aquilo que você tem ou quer encarar um toca-discos, um receiver e um par de caixas de som pela primeira vez e não quer começar por baixo, prepare o bolso ou contente-se com o que o mercado lhe proporciona.

Aqui não vamos tratar dos sistemas vintage usados. Neste quesito temos um mercado aquecido e cheio de opções – por mais que comece a encarecer e diminuírem as ofertas, principalmente porque é este mercado que mais absorve as demandas dos fãs da música analógica brasileira. Vamos, portanto, tratar aqui somente de toca-discos, receivers e caixas acústicas novas.

Fazendo uma ampla e vasta pesquisa na Internet em locais que oferecem os produtos citados acima para venda, nos deparamos com uma situação que é inexistente nos EUA e na Europa: aqui há intervalos longos de preços e nestes intervalos, as ofertas são praticamente dos mesmos do intervalo anterior.

Nas Terras do Tio Sam e nas Terras da Rainha e seus países vizinhos os preços dos toca-discos começam (em dólares) dos 40 a 50 dólares em diante e chegam a espaçar de 10 em 10 dólares até chegarem a preços estratosféricos. Há oferta para qualquer bolso. Dos receivers e caixas de som a realidade é a mesma, porém em menor escala.

No Brasil a coisa é complicada. Até R$ 1000,00 (ou aproximadamente) os leitores encontram uma média oferta. Na ponta de cima vão encontrar os TR 1000 da Raveo, os Pionner Pl990, os Audio Technica AT-LP60, Denon DP 2000, um ou outro da Ion, às vezes um Sony PSLX 300 e deu! Agora, você tem uns 500 reaizinhos a mais para comprar um novo toca-discos e quer um de R$ 1500,00?

Então, fique bem sentadinho para ouvir o que vamos lhe dizer: vai encontrar os mesmos da família dos milzinho (e seu entorno) citados acima e mais nenhum (exceto se tiver uma grande sorte de achar algum numa loja física que seja diferente dos mencionados).

Você vai encontrar um Audio Technica AT LP60 por 800, mas também encontrará o mesmo por R$1500. Isso acontece com o Denon, o Pionner e até mesmo com o Sony. Portanto, a faixa de 1000 a 2000 Reais é praticamente a mesma.

Agora partindo dos 2 milzinhos (e também uns 200 Reaizinhos a baixo ou a cima) do dinheiro das Terras Tupiniquins você começa a encontrar outras opções (Audio Technica  AT LP 120, Pionner PLX 500 e outros), mas, de repente vc tem mais quinhentinho e quer um de 2500. Sabe o que vai acontecer? Vai começar a encontrar uns Pro-Jects e TAMBÉM os mesmos da família dos 2 mil. Um Rega? É 3 mil contos pra cima e deu! É incrível isso!

No Brasil temos apenas uma meia dúzia de marcas e modelos de toca-discos a serem ofertados para compra e estes fazem uma escala “sensacional” (para não dizer o contrário) de se ver: o mesmo modelo vai de 1000 até quase 2 mil Reais na maior cara de pau, sem medo de ser feliz!

Sobre receiver a coisa é mais complicada ainda. Não tem escapatória em se comprar um receiver abaixo de R$ 1500,00 exceto o RR 1000 da Raveo. Simplesmente, não há! Você terá que barganhar e procurar bastante para encontrar um Yamaha, um Denon ou um Pionner nesta faixa de preço.

Caixas acústicas? É mais fácil fazer um sistema de som com um toca-discos e um par de caixas amplificadas do que achar um par de caixas (BOAS) passivas e de preço razoável para juntar ao seu receiver.

Se quiser colocar um toca-fitas, provavelmente só achará o Ion Tape 2PC. Um equalizador? Esquece! Isso não existe por aqui mais.

É uma triste realidade. Para começar um sistema de som “classe média” você precisará no mínimo de 3500,00 a 4000 Reais (soma aí o toca-discos, o receiver e o par de caixas acústicas). Menos que isso reina sozinho o Concert One da Raveo e se quiser um esquema 3 em um, o Aria também da Raveo (que vai de R$1200,00 a R$1500,00).

Sabemos que o alto valor do dólar influi bastante nisso, mas também conhecemos inúmeras outras marcas em outros países com preço em conta e que poderiam chegar aqui também num preço menos agressivo. Talvez nosso empresariado não tenha muita boa vontade ou desconheça mesmo o mercado internacional de aparelhos para vinil e fitas-cassete.

Há entradas de novos “nomes” no mercado nacional como os Voxoas, mas estes, por enquanto, não contemplam a “classe média”, porém, é louvável a atitude dos importadores, afinal, quanto mais modelos a serem ofertados, melhor!

Por fim, reparem: os Pionner Pl990, os Audio Technica AT-LP60, Denon DP 2000 e os Sony PSLX 300 são a mesma coisa e excetuando o Audio Technica até o visual é idêntico… Assim, dificulta mais ainda, não acham?

Continuamos na torcida de mais empresários dispostos a facilitarem a vida do brasileiro amante dos discos de vinil e das fitas K7. Haverá de chegar a hora de termos mais opções de modelos e preços!

Oxalá que isso chegue rápido, porque anda demorando!

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