Uma coisa bacana no vinil de hoje: os relançamentos

Não é novidade para ninguém que os relançamentos estão sempre no topo de qualquer lista dos discos de vinil mais vendidos. É fato! Basta vermos as listas dos últimos anos dos EUA, da Grã Bretanha, do Japão, da Itália, da Austrália e outras, e sempre veremos vinil dos Beatles, do Pink Floyd, do Led Zeppelin, do David Bowie e etc.

É fato também que há novos lançamentos que estão nestas listas, afinal, o vinil passou a ser uma verdadeira opção de mídia a ser ofertada no mercado fonográfico.

Contudo, não vamos aqui discutir se é mais interessante um disco novo lançado em vinil ou um antigo e, muito menos, se a mídia original é melhor ou pior que a relançada. O que vamos discutir é o fato: relançamento é um bom negócio para as gravadoras, fábricas e para nós, os compradores.

Para as gravadoras e/ou selos é muito bom, pois muitas delas têm matrizes em bons estados e que podem gerar discos para serem vendidos. É sinal de “dinheiro no caixa”, afinal, está lá, pronta e no máximo uma remasterização, uma recorte aqui, uma ajeitada ali e beleza, eis um “novo” produto no mercado. Sem contar o papel social em preservar a memória cultural.

Para as fábricas, o óbvio: mais disco sendo prensando. Também, mais “dim dim” em caixa, gerando empregos e etc.

E para nós, compradores?

Primeiro nos permite ter aquele vinil que sempre quisemos e que não achávamos usados em sebos nem “por reza brava”. Por exemplo, muitos admiradores do Clube da Esquina do Milton Nascimento devem ter passado por isso. Eu mesmo não encontrava um em bom estado nas lojas de usados (e quando achava!) e no momento que me deparava com um bacana, era a “preço de ouro”. Achei melhor importar um dos EUA (tinham recém lançado lá e é uma beleza de trabalho. A capa num cartão de dar inveja e a qualidade sonora, excelente, sem contar o preço que valeu muito a pena).

O exemplo do Clube da Esquina só mostra o quanto um relançamento faz a alegria do fã. E é bom ressaltar que a Polysom relançou o “Clube I” e o “II” o que deve ter feito a felicidade de muitos marmanjos e marmanjas por aí (acabei adquirindo o II brasileiro para ver “qual é” e achei muito bom).

Falando em Polysom, para quem não sabe, ela é uma das duas fábricas brasileiras de vinil e tem um selo próprio com seu mesmo nome. Este selo tem um trabalho muito legal (uma coleção) que se chama “Clássicos em Vinil” que trata justamente de relançamentos de discos memoráveis da nossa música.

Nos “Clássicos em Vinil” temos, por exemplo: Chico Buarque com Construção e com uma caixa maravilhosa chamada “Os quatro primeiros” (no vídeo abaixo); os já citados Clube da Esquina I e II do Milton Nascimento; Jorge Benjor com África Brasil, Negro é Lindo, A Tábua da Esmeralda, o Jorge de 1969 e Samba Bem Bom; Terra Brasilis de Antônio Carlos Jobim; o primeiro do Belchior e o seu Alucinação; Cartola; Moacir Santos; Cassiano; Hyldon; Jorge Sampaio; Titãs; Novos Baianos; Arthur Verocai; Planet Hemp; Ronnie Von; Pato Fu; O Rappa; Gal Costa; Ed Motta; Ira, Azimuth; Skank; Raimundos; Mutantes e tantos outros.

Diz o Discogs que o primeiro “Clássicos em Vinil” foi de 2010, com A Tábua da Esmeralda de Jorge Benjor e depois de lá até 2018, vieram mais 116 relançamentos. É disco “pra caramba” e nos permite ter acesso a vários títulos em vinil que estavam fora de circulação.

Outros selos e/ou gravadoras também fazem este trabalho, mas, sem dúvidas, o “Clássicos em Vinil” é o maior selo relançador de álbuns (e até alguns compactos) brasileiros.

O segundo ponto é que muitos dos relançamentos não existem em CD e muito menos estão à disposição dos serviços de streaming. Há casos de artistas e bandas que jamais foram registrados em CD ou existem nos serviços de streaming. Encontrar um vinil destes é “achar uma agulha no palheiro” e quando acha é com o preço lá nas alturas – são verdadeiras raridades.

Um exemplo é o álbum “Coisas” do Moacir Santos – mais uma vez o “Clássicos em Vinil” entrando em cena. Quem é assinante do Deezer, por exemplo, só tem uma música do álbum à disposição. Se quiser escutar (legalmente) o grande “Ouro Negro” no seu “Coisas”, só comprando o vinil, pois o CD que é de 2004 é uma relíquia – como era o disco antes da Polysom relançar (mas, se achar a prensagem original, prepare o bolso!).

O terceiro ponto é a alegria dos colecionadores. Estes adoram uma “nova edição” com alguma coisa diferente. No meu caso, por exemplo, queria o Sgt. Pepper’s em vinil azul, simplesmente pelo caso do disco ser colorido em azul. E qual o motivo deste querer? Ah! Vá entender cabeça de colecionador! Ele quer, porque quer, simples assim!

 

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