A polêmica das capas de alguns discos de vinil

Recentemente o Facebook fez a proibição de uma capa lendária do vinil “Houses of the Holy”, do Led Zeppelin. A alegação é que trazia nudez de crianças e/ou adolescentes – coisa que é ilegal nas regras da referida rede social, mas que já voltou atrás reconhecendo o caráter histórico e cultural da capa, liberando-a para os posts.

Não vamos entrar aqui na celeuma da nudez em si e sim tentar mostrar que algumas capas de discos utilizaram (e ainda utilizam) bastante da nudez, da sensualidade e muitas são apelativas. Inclusive, aparentemente, com o uso de adolescentes como a famosa capa do vinil do Blind Fait do Eric Clapton, Steve Winwood, Ginger Baker e Rick Grech de 1969 ou com “valores muito controversos”, como outra reconhecida e famosa imagem do Yesterday And Today dos Beatles.

Houses of the Holy
Blind Fait
Yesterday And Today – antes
Yesterday And Today – depois

É bom ficarmos atentos que a utilização da nudez ou da violência nem sempre é com um caráter erótico ou para, simplesmente, mostrar o “sangue jorrando”, mas, às vezes, é para fazer denuncias ou mostrar outras coisas que não a sensualidade barata e sem sentido ou a violência pela violência, simplesmente. Um exemplo disso é a capa do álbum Selvática de Marina Buhr.

No Brasil várias coletâneas usavam mulheres seminuas nas capas, somente com biquínis como um atrativo para vendas. Sem contar grupos de rock, como o Scorpions que adorava uma cena sensual nas capas de seus discos.

Outras capas foram proibidas antes mesmo do vinil sair para a venda e muitas pelas próprias gravadoras, como podemos ver num trabalho bacana do blog Rock Dissidente de 2014 – clique aqui para ler.

Ainda hoje, na Era do Streaming, muitas imagens com forte teor sensual ou apelativo, até mesmo usando design alusivo à violência, são ações corriqueiras para ilustrar algum trabalho. Talvez uma das mais famosas “capas” do streaming nacional com teor erótico seja a do grupo paraense La Pupuña que fez “The charque side of the moon” – uma releitura nos ritmos do norte brasileiro do clássico The Dark side of the moon do Pink Floyd.

Essa matéria, com certeza, não teria fim. O que não falta são capas de discos de vinil, CDs e ilustrações de álbuns e singles do streaming com apelativos eróticos ou violentos. E poderíamos ir ao infinito se fôssemos também falar das próprias performances de artistas como Anita, Beyonce e tantos outros que apelam ao sensual. E, talvez, fossemos tentar alcançar o universo se falássemos também das letras de música com duplos sentidos que vão do brega ao forró ou, até mesmo as totalmente explícitas que permeiam o mundo funk que até erotizam adolescentes no interior das músicas (olha as “novinhas” aí tão comentadas em algumas músicas do funk carioca). Estes ritmos citados são só exemplos, pois, sabemos que letras de cunho explícito ou com indiretas, seja erótico, violento, de apologia as drogas (lembremos que o álcool também é uma droga) são coisas corriqueiras no mundo da música e que vão do mais puro lirismo ao deboche e ao escracho total.

E, por fim, defendendo o Led Zepllin:

A capa do vinil “Houses of the Holy” não tem nada de erótico. É apenas uma ilustração onde aparecem crianças. A foto foi feita no Giant’s Causeway, na Irlanda do Norte e foi inspirada no livro Childhood’s End, de Arthur C. Clarke – “um romance que fala de uma invasão alienígena que acaba com todas as guerras e transforma o planeta em uma quase-utopia. No romance, centenas de milhões de crianças da Terra se reúnem para ser levadas para o espaço. O livro influenciou tanta gente que virou nome de música do Pink Floyd, do Kiss e até do Marilion. E como informação nunca é demais, Clarke foi colaborador de Stanley Kubrick no roteiro de 2001: uma odisséia no espaço”. (fonte Janara Lopes do site Ideafixa).

 

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