Vinil edição limitada vira vinil usado caríssimo

Em 2011 ou 12 eu estava na Livraria Cultura de Curitiba e lá havia o vinil Chico (do Buarque) recém lançado. Ótimo, peguei o disco, olhei bem e fiquei no dilema, compro ou não compro agora, afinal, estava em viagem e essa coisa de bagagem de avião já era um problema (hoje é um problema muito maior) e acabei optando em não levar para não sobrecarregar meus carregamentos na aeronave e acharia fácil fácil depois, acreditava eu.

Passado algum tempo, resolvi procurar o disco. E comecei a me arrepender terrivelmente em não ter lavado na época. Achava no Mercado Livre por uns 200 a 300 Reais. Não comprei. Pensei: ainda acho mais barato. Num futuro bem próximo a este período me espantei completamente: o que achava por 200 ou 300 comecei a encontrar por 500 e rariando as ofertas. Aí sim, não comprei mesmo e nos dias de hoje, nem acho mais para adquirir (e olhe que só falta ele para que eu complete minha coleção de vinil do Chico, tenho todos, menos este que vacilei).

Com essa história comecei a prestar atenção nas edições limitadas de vinil e no Brasil podem crer, todas as edições novas são limitadas e num belo dia, quando menos esperarmos, podem sair de catálogo das gravadoras – fazerem outra edição é cosia rara. Todavia, existem as raras mesmo, as edições limitadas de 500 ou mil cópias e estas, caríssimos leitores e leitoras, se você não comprar na hora, babau, não compra mais e se achar é o olho da cara.

As edições limitadas muitas delas até mesmo numeradas de discos de vinil são muito legais, isso não tem como negarmos. Algumas são pérolas que quem comprou comprou, quem não comprou vai ter que pular (e muito) para adquirir e também podem acreditar, não é intuito das gravadoras ou selos criarem estes aumentos dos seus discos após eles irem para a “seção de usados” das lojas ou vendedores autônomos. O objetivo final do produtor do disco é vende-lo no preço justo. Quem aumenta os preços é a tal da procura X oferta. Um disco “edição especial” é sempre mais raro, pela sua própria natureza em ter uma tiragem menor que as convencionais.

E vejam uma pequena lista que preparei com algumas destas edições e todos quando do lançamento foram vendidos a preços normais de mercado:

Erasmo Carlos, Rock ‘N’ Roll de 2010. Foram 500 cópias numeradas. Já vi por R$350,00 no Mercado Livre e ao fazer este artigo nem encontrei mais para verificar o preço.

Tulipa Ruiz, Dancê de 2016 editado pelo Noize Record Club pode chegar a mais de R$350,00, assim como do Noize também temos: Banda do Mar (de 2014), pasmem, pode chegar a R$ 700,00; Curumim (Japan pop show, 2015) mais de R$ 500,00 e até o da Duda Beat (Sinto Muito, recém lançado pelo Noize, talvez tenha ido para os assinantes do clube em novembro ou dezembro de 2019) está acima de R$ 250,00 e muitos outros deste clube de assinatura de vinil estão com preços lá nas alturas.

Nando Reis no Recreio Voz e Violão, LP Duplo, edição limitada e autografado, você não acha por menos de R$350,00

Da Record Collector Brasil e do Selo 180 temos dois exemplos também: Raul Seixas Metrô Linha 743 (edição especial, com encartes e outros conteúdos diferentes do original) por volta de R$ 400,00 e Isso Aqui Não É Woodstock também do Raulzito (edição numerada) o leitor ou a leitora vai espantar ao ver R$ 700,00 como um preço normal de venda deste vinil.

Estes foram apenas alguns exemplos para pensarmos que as edições limitadas (e às vezes nem tão limitadas, como o caso do LP Chico citado acima) são objetos para os atentos. Se você é um fã ardoroso de algum artista ou banda e o disco sair em vinil e vier o tal anúncio “edição limitada ou especial” (e se for numerada, pior ainda), não receie, compre logo, pois se deixar para depois pode se arrepender ou ficar sem, como foi meu caso no vinil citado no início da matéria do Buarque de Holanda.

 

Todo domingo às 19h na Rádio UFS FM 92,1 tem o programa Conversa de Vinil
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