Por que o vinil é um sucesso?

Faz tempo que o Universo do Vinil comenta sobre a importância desta mídia preta (às vezes colorida) feita de plástico e que soa um som bem marcante para a economia da música. Os discos de vinil não diferem só na aparência perante as outras mídias musicais, trazem algumas qualidades que só o vinil tem e isso é um fato marcante.

Não vamos enumerar estas qualidades e nem vamos entrar na conversa de que o som do vinil é melhor que da mídia A ou B. Aprendemos nestes 5 anos do Universo do Vinil, conversando com leitores e leitoras do mundo todo, que até mesmo qualidade sonora não é mais obstáculo para o fã do bolachão.

Uma das características marcantes dos amantes do vinil é defender, com unhas e dentes, a qualidade sonora. Para muitos destes não existe som melhor, seja qual mídia for. Mas, como dissemos acima, nestes 5 anos de UV começamos a perceber, a partir de interações com nossos leitores no Facebook e no Instagram (temos mais de 88 mil seguidores no Facebook e mais de 5 mil no Instragram), que a história não é bem essa. Muitos (mas coloque muitos nisso) pouco se importam com a qualidade do som. Para estes o mais importante é o bem tangível.

Entendamos como tangível aquilo que se pode tocar, apalpar. E isso nem é a essência da música. Música não se apalpa! E neste caso o vinil dá de 10 a 0 em qualquer outra mídia.

Contudo, vamos pensar mais um pouco? Muitas das interações que recebemos falam que preferem o streaming que qualquer outra mídia. Nós do UV também gostamos de streaming. Para nós, há momentos que só o streaming nos salva para escutar uma melodia. Isso pode ser numa caminhada, dirigindo um carro ou onde a imaginação chegar. Porém, os serviços de streaming não “entregam” o tangível. Só “entregam” a música…

A economia da música nos mostrou ao longo dos tempos que a música é só um produto desta economia (o seu principal) e que é recheada de outros produtos altamente consumíveis. Por exemplo, na época auge do rádio, haviam revistas especializadas para trazerem informações. Essas publicações compunham mais um item no universo desta economia. Alimentavam de informações os ouvintes do rádio e assim ficavam sabendo sobre os artistas e no final das contas, por essas publicações, consumiam discos, davam mais audiências a certos programas ou artistas (só lembrarmos de como eram feitos os concursos para as “Rainhas do Rádio”), sem contar que davam dinheiro para as próprias editoras, alimentando um exército de funcionários e suas famílias. Podemos acrescentar nesta economia, as indústrias de eletrônicos de áudio, gravadoras e até mesmo os fabricantes de produtos para as fábricas de discos. É gente “pra chuchu” envolvida! E põe grana rolando nisso também!

Assim, entendendo que a economia da música vai além da música, podemos entender os discos de vinil hoje e, talvez, tenhamos uma explicação plausível para seu sucesso.

O êxito dos toca-discos (na verdade vitrolas) estilo “maletinha” é um bom exemplo para começarmos a entender essa questão. As maletinhas não “entregam” o melhor do som. Para extrairmos o som mais puro do vinil precisamos de aparelhos mais caros, com componentes premium e de tecnologia avançada – alguns podem custar um apartamento (é isso mesmo que você leu e repetimos: podem custar o preço de um apartamento!).

E o que leva o sucesso das vitrolas maletinhas? A qualidade sonora? Não! Óbvio que não! Elas até podem emitir um som bacana, mas se compararmos, por exemplo, o som de um smartphone com um serviço de streaming qualquer ligado a uma caixinha Bluetooth JBL com certa qualidade (nem precisa ser a top de linha), a “caixinha de som” vai ganhar de 10 a 0.

O sucesso das maletinhas nem está também no seu preço e voltando aos 5 anos de interações com leitores e leitoras do mundo todo nas redes sociais do UV, vemos muita gente (e de novo, coloque muita gente nisso) com poder aquisitivo para comprar um sistema de som melhor, mas não abre mão da sua maletinha, pois, quer é seu charme e acha agradável o som que ela emana (entretanto, não podemos perder a dimensão que o preço deste tipo de aparelho ajuda e muito na sua disseminação). Alguns podem chamar as maletinhas de “vinil killer”, dizerem (como muitos dizem, sem papas na língua e agressivamente falando) que é “um lixo” e isso não afeta e nem diminui a alta capacidade de mercado das maletinhas. E para nós que somos apoiadores da mídia vinil, essas maletinhas fazem é muito bem, obrigado, para o mercado de discos, já que, provavelmente, um contingente enorme de compradores de bolachões as utilizam para escutar seus discos – sem lugar para tocar o disco, fica difícil manter a economia do vinil…

Então, com o exemplo das maletinhas começamos a ter uma pista bem maior sobre o que faz o vinil ser tão presente nos dias de hoje. O amante e a amante dos discos de vinil querem é um bem tangível. Querem pegar, apalpar o disco e ao mesmo tempo enxergar os encartes, sentar para escutar seu disco (mesmo que não tenha um sistema de som que retire todas as qualidades do vinil), curtir a “vibe” que só um vinil oferece, levantar (e sem controle remoto!) para trocar de lado e, uma coisa muita bacana nisso tudo: querem escutar sem fone de ouvido, portanto, podendo socializar sua escuta.

Hoje nós vemos que os discos de vinil são objetos de exposição nas redes sociais. Ninguém coloca uma foto do “seu streaming” num Instagram da vida ou no Facebook (no máximo coloca uma foto da sua playlist, afinal não dá para colocar a foto do streaming, ou o link do que está escutando), mas os discos de vinil e seus toca-discos recheiam estas redes. Postar o vinil que tem, virou algo tão belo como postar a foto do hotel maravilhoso que está hospedado. As pessoas capricham nas fotos dos discos, criam ambientes belamente fotografáveis para mostrar seus “objetos de desejo vinílicos”. Quase um tipo de “vinil ostentação”…

E vamos um pouquinho mais além, os fãs do bolachão também querem mais informação. Querem saber quem tocou a guitarra, quem é o compositor, onde foi gravado e em qual ano e etc – informações que só as mídias físicas têm. Sem contar que intencionam também prestigiar seus artistas prediletos. Com o disco na mão mostram ao mundo o tipo de música e o artista que gostam.

E, por fim, é também um produto colecionável e o mundo é cheio de gente que adora colecionar coisas…

Certamente, não somos loucos em deixar de afirmar que a nova ascensão do vinil está também ligada à sua excelência em ofertar um som puro, cristalino e “quente”. Aqueles que têm aparelhos de som Hi-End sabem bem disso e, geralmente, são mais adeptos do vinil do que de qualquer outra mídia, Mas estamos quase podendo afirmar que o sucesso do vinil está mesmo é na sua capacidade de ser uma coisa. Um bem tangível. Um objeto que as pessoas podem pegar, sentir a até cheirar (conhecemos pessoas que quando desembalam um vinil novo até os cheiram – como muitos fazem com os livros, por exemplo). O vinil é antes da qualidade musical uma música palpável. Talvez este seja o grande barato do vinil e porque ele virou uma realidade da economia da música em pleno 2020.

 

 

 

Todo domingo às 19h na Rádio UFS FM 92,1 tem o programa Conversa de Vinil
Você pode escutá-lo pela web em radio.ufs.br ou a partir do podcast, clicando aqui

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