Coronavírus e dólar em alta são problemas para o vinil

Vamos começar este artigo com a preocupante notícia: o Record Store Day, tradicional evento que festeja as lojas independentes de vinil e de onde sai grandes lançamentos anuais, foi transferido do dia 18 de abril para 20 de junho motivados pelo problema do coronavírus no mundo.

Essa transferência de datas pode impactar profundamente nas vendas anuais de discos, visto que, retira do mercado 2 meses de vendas. Ou seja, são menos 60 dias que os discos já poderiam estar nas mãos dos compradores ou nas gôndolas das lojas.

Porém, este fato do Record Store Day não é um ato isolado da indústria do entretenimento. Algumas notícias nos dão informações que 70 séries (programas de TV ou streaming de vídeo, como Netflix e Amazon Prime) tiveram, temporariamente, paralisadas as gravações. Diz-se que Hollywood poderá perder 100 bilhões de dólares com o problema desta pandemia.

Também vários artistas estão cancelando shows ou turnés…

Resumindo isso tudo: sinal de alerta na indústria da música e do entretenimento com enormes possibilidades, no nosso caso, dos discos de vinil poderem sofrer um grande freio nos constantes aumentos de vendas.

Se o coronavírus já não fosse um problema tão grande para o vinil, vem um caso brasileiro muito especifico: o aumento do dólar.

Nós já falamos aqui em outra ocasião sobre a dificuldade dos importadores e das lojas de discos brasileiras manterem preços mais justos para os discos por causa da alta do dólar.

Talvez, muitas pessoas não saibam, mas nossa produção nacional é muito pequena perto da demanda que temos e perto da quantidade de novos álbuns e relançamentos lançados mundo afora. São apenas duas fábricas e elas dão conta, basicamente, da produção de discos nacionais e, mesmo assim, não alcançam todos os desejos dos fãs do vinil. Sem contar a nula produção nacional de toca-discos. Todos os toca-discos novos vendidos em solo Tupiniquim são importados, portanto, aumento do dólar, com certeza, será aumento dos preços dos toca-discos.

Por isso, a importação é a saída que nosso comércio tem para abastecer os amantes dos disco de vinil e também foi a estratégia que muitos colecionadores escolheram para poderem ter os títulos que almejam,  fazendo importações por conta própria (comprar em lojas online no exterior). E no caso dos toca-discos, importar, é a única saída!

Para terem uma ideia, no início do ano achava-se um disco do Pink Floyd na Amazon, por exemplo, entre R$ 140, 00 a 180,00 e hoje todos estão acima de R$ 200,00. Se, nossos caríssimos e caríssimas leitoras havidos em comprar discos lembrarem, achava-se discos importados com preços bem próximos dos nacionais até uns 6 meses atrás.

E como alguns não devem saber também, muitos dos materiais utilizados para a fabricação de discos de vinil são dolarizados e, logicamente, qualquer aumento do dólar impacta no preço final do vinil.

Agora, resumindo tudo:

O coronavírus é um problema mundial e com certeza já está impactando na indústria da música e para nós, brasileiros, junto a isso, ainda tem o problema do dólar alto.

Que os deuses do vinil nos proteja!