Comércio de vinil em risco. Precisamos pensar nele

Infelizmente, agora, os efeitos indiretos da disseminação do Coronavírus (COVID-19) continuam chegando ao mercado da música – e nenhum deles é bom. A Amazon anunciou que parará as compras de vários artigos para focar naqueles mais necessários no momento – artigos médicos, alimentos e coisas do gênero. Entre os artigos que terão as compras temporariamente canceladas estão os discos de vinil, CDs, toca-discos e, praticamente, todos os equipamentos eletrônicos de áudio. O que isso significa para as gravadoras e distribuidores? A Amazon não fará mais pedidos comerciais de produtos de CD e vinil em seus armazéns até que essa “pausa temporária” termine – que só deve ser lá pelo dia 5 de abril.

As lojas de varejo já estão fechadas na  Itália, Suíça e Áustria, enquanto as medidas confirmadas ontem pela varejista francesa FNAC é que as lojas físicas da rede de entretenimento na França, Espanha e Bélgica estariam “fechadas até novo aviso” (seguindo a orientação do governo francês, os únicos varejistas que devem permanecer abertos na França nos próximos dias são lojas de alimentos, tabacarias, farmácias e postos de gasolina.)

 

Na Alemanha, entraram em vigor ontem novas regras que terão lojas, shoppings e centros de distribuição fechados no mercado, à medida que o governo alemão acelera um programa de “redução do contato social”.

“Nunca houve medidas como essa em nosso país antes”, disse a chanceler alemã Angela Merkel na segunda-feira (16 de março). “Eles são de grande alcance, mas no momento são necessários.”

Os Estados Unidos ainda não adotaram medidas equivalentes de fechamento, mas empresas como as gigantes do varejo Walmart e Target reduziram seu horário de funcionamento (nas palavras do Target ) para dar aos funcionários “tempo adicional para limpar e reabastecer todos os dias”.

E no Reino Unido – além da angústia de fornecedores causada pela rejeição pela Amazon de novos estoques de música no atacado, as fontes dizem que as grandes redes de supermercados estão agora destacando a equipe de entretenimento (e, presumivelmente, a área útil) para se concentrar em alimentos e outros itens essenciais da casa.

No Brasil ainda não temos uma lei oficial sobre condutas no comercio a respeito do avanço do coronavírus, e todos nós sabemos que quem segura a economia do vinil no nosso país são os pequenos lojistas, seja online ou loja física. Por isso, se confirmar no Brasil o que está acontecendo nos outros países do mundo, há chance de sofrimento por parte de nossos lojistas não apenas com a eminência da doença, mas também com a perda de receitas.

Independente de anuncio de governo, as pessoas já estão diminuindo suas saídas de casa e ficando, portanto, mais reclusas em seus ambientes domésticos, e isso pode ser um problema muito sério para a maioria dos nossos lojistas que são pequenas e microempresas. Muitos não terão capacidade econômica para conter a crise e ao mesmo tempo dar conta de seus pagamentos de água, luz, internet, fornecedores, empregados e etc. A quebradeira pode ser grande!

Nós do Universo do Vinil não temos uma solução, muito menos sugestões para dar neste momento. Pensamos que deveria existir algum mecanismo governamental para dar suporte aos nossos comerciantes neste período, bem como, pensar em situações de entregas de mercadoria via correios ou transportadoras mais rápidas, baratas e menos contagiosas.

Como isso pode ser feito? Não sabemos! Porém, trazemos este artigo para solidarizar com nossos vendedores e importadores de discos de vinil, toca-discos e coisas semelhantes, pois, a música não pode parar e o comércio precisa de todo apoio nesta hora.

E também não podemos deixar de nos solidarizar com os artistas que estão sofrendo com perda de trabalho, já que muitos shows estão sendo cancelados, bem como, aqueles que se ocupam na noite em bares e restaurantes estão, paulatinamente, sendo dispensados.

A coisa está séria!