Capas, encartes e embalagens para vinil: que papelão!

A cultura do vinil está aí firme e forte. Cada vez tem mais gente comprando discos, toca-discos e tirando dos guardados as coleções antigas, isto é, aqueles que não jogaram fora seus disquinhos pretos de plásticos ou coloridos, né? O fato é que os discos de vinil estão numa subida vertiginosa em matéria de vendas (novos e usados) seja no Brasil, seja no mundo.

No planeta nunca se vendeu tantos álbuns em vinil desde o fim dos anos 80 como se vende agora. Países como EUA, Inglaterra, França, Alemanha e Japão, entre outros, mostram estatísticas de comercialização de vinil subindo a cada ano. O Brasil está um pouco longe dessa realidade estrondosa de vendas, mas não deixa de mostrar um potencial mercado que, de fato, vem subindo e poderia estar muito mais enraizado nesta cultura se não fossem alguns empecilhos – apesar de mostrar avanços ano a ano.

Um dos maiores problemas é a falta de uma indústria local para toca-discos. Com isso ficamos à mercê dos importados e com o dólar nas alturas cada vez se torna mais caro adquirir um player de vinil.

Outro fator que preocupa – e também está ligado ao dólar – é o preço do plástico. Por este químico ser dolarizado (é feito a partir do petróleo) cada dia fica mais caro, e as duas indústrias brasileiras de vinil vêm sendo obrigadas a repassar o preço da subida dos derivados do óleo mineral combustível na fabricação dos novos discos – sem contar o plástico para embalagens e para proteção do bolachão.

Nem vamos falar muito sobre o preço dos discos importados terem subido, pela simples lógica também do dólar alto – sem contar que o preço dos discos no exterior também subiu.

Ainda poderíamos colocar nesta lista a dificuldade que as indústrias de discos de vinil estão sofrendo no mundo todo ocasionado pelo incêndio da maior fábrica de másters do planeta, a Apollo Masters em Banning que fica na Califórnia (EUA) e até hoje este problema não foi solucionado e continua dando trabalho paras as fábricas mundiais resolverem este “pepino”.

Bom, acho que já demos uma lista bem grande de situações que corroboram para que o vinil não vença no país como desejamos, mas engana-se quem pensa que isso é tropeço para os adeptos da cultura do vinil. Os “vinyl lovers’ continuam firmes e fortes em manter viva essa mídia musical analógica que para muitos (se não for a maioria dos entendidos) é tida com a que tem o melhor som para se escutar uma música.

Mas, aí, como na vida desta cultura analógica nem tudo são flores, vem mais uma pedra no caminho: o preço e a falta de papelão no mercado brasileiro.

Obviamente, com o aumento das entregas domiciliares e compras online, este tipo de fibras de celulose foi mais requisitado neste período que vivemos, por isso, é natural que ele se torne mais escasso, já que nunca foi tão utilizado como tem sido nestes últimos 12 ou 10 meses. E matéria escassa, pelas leis da oferta e procura, é aumento de preço.

Em suma, o aumento do preço do papelão vai atingir também os discos de vinil, seja na embalagem, seja nas capas, encartes e todo o material gráfico. Resumindo: “mais uma pedra no caminho vinílico”, porém, como adeptos do vinil já adiantamos: nada nos tira do caminho desta cultura! Vai ser “mais uma pedra que vamos pular”! Não é mesmo?

Reparem nos aumentos do papelão nos últimos meses:

2020:  

01/agosto      = 4,4%
01/setembro = 3,8%
01/outubro    = 6,4%
01/novembro = 24%
01/dezembro = 20%

2021 

01/janeiro = 12 %

De acordo com um fabricante de embalagens para discos, o papelão está em falta desde julho, por este motivo, o prazo de entrega deles para lojistas, selos e o comércio em geral pode ser até 45 dias. E ainda dizem: “pedimos também que programem os pedidos o quanto antes, pois agora temos quota mensal de compra, caso ultrapassemos a quota, a entrega fica para o próximo mês”. Num exemplo prático, uma embalagem para enviar vinil pelos Correios ou transportadora custava em agosto de 2020 uns R$2,40 e agora em janeiro de 2021, R$ 5,60. Difícil, não acham?

Desta forma, nunca foi tão necessário repensar em novas formas de utilizar os derivados da celulose para a confecção de capas, encartes e embalagens para o vinil, talvez, esteja na hora de pensarmos mais seriamente na reciclagem e em outros materiais. Todavia, é fato: embalagem mais cara irá incidir no preço final do vinil nas vendas online, e olha que nem tocamos no assunto frete…

Contudo existe algumas coisas que nos confortam em matéria de vivência na cultura do vinil (se é que podemos falar assim, pois afetam nossas vidas em outros flancos da existência), o dólar alto afeta tudo na nossa vida, do supermercado ao preço da gasolina e gás de cozinha. E a falta de papelão, pasmem, pode afetar até nossa entrega de pizza nos finais de semana. Ou seja, tá feia a coisa para todos os lados e estes problemas não são específicos do vinil. É de tudo na vida!

Mas vamos em frente, sem esmorecer!

 

 

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