Ícones da cultura do vinil brasileiro: Vinil Brasil

Na procura por 3 empreendimentos que poderiam ser considerados como os ícones da cultura do vinil nesta nova Era do Vinil que vivenciamos, o Universo do Vinil já apresentou dois e agora vamos apresentar o terceiro.

Nesta “checagem” do que poderia ser mais substancioso para a manutenção e para a efervescência atual da cultura dos discos de vinil, existe um ponto que faz com que o bolachão se diferencie bastante das outras mídias: o vinil precisa de fábricas! Não existe o vinil “caseiro” como poderiam existir as fitas cassetes, os CDs e os arquivos musicais digitais.

A importância das fábricas de vinil

Dos mais antigos (e também uma moçada nova hoje em dia), quem nunca fez sua própria fita k7 ou gravou músicas num CD gravável e, assim, construiu seu “álbum” no estilo “faça você mesmo”? E sobre criar músicas ou fazer “playlists” no formato digital, basta um “home estúdio” ou, até mesmo, apenas um software de edição de áudio e está aí, a música pronta para ser upada num serviço de streaming ou enviada por MP3 (ou similar) para os mais chegados no WhatsApp, por exemplo.

O vinil para se tornar um produto final precisa de fábricas de discos com maquinário pesado, muita tecnologia e insumos que vão desde o plástico usado a metais para a confecção dos masters para prensagem. Não é fácil e barato o caminho traçado pela música até ser soada num toca-discos. Na hipótese menos cara, alguém poderia dizer que basta ter uma máquina de corte de acetato para discos e fazer o seu vinil. Mas e daí? Quem é que tem e quanto isso custa? Ou seja, vinil precisa ser construído por terceiros para chegar até nossas residências.

Mesmo compreendendo que quem nos proporciona vivenciarmos os discos de vinil são os artistas que fazem as músicas (cantando, tocando ou compondo) e que existem selos e gravadoras que estão há anos no mercado lançado discos de vinil – inclusive, quando o vinil foi “decretado” como obsoleto e sumido do mercado – na cadeia produtiva do vinil, as fábricas são pontos preponderantes e só existe o vinil por causa delas. Sem elas, a música estaria em outra mídia…

Um salve!

Como nos artigos anteriores que apresentamos os dois ícones da cultura atual do vinil (que podem ler aqui e aqui) daremos neste também um salve em alto e bom som para os artistas maravilhosos que acreditam na mídia vinil, e um muito obrigado aos selos e gravadoras que investem no bolachão. Nós, amantes e fãs do vinil, somos muito gratos a estes empreendimentos que nunca desistiram ou voltaram a empreender no disquinho preto (e às vezes colorido) de plástico!

Vinil Brasil: patrimônio da cultura do vinil brasileiro

Nascida oficialmente em setembro de 2017, a partir, da descoberta de antigas prensas da gravadora Continental em 2014, surge a Vinil Brasil na cidade de São Paulo, capital do estado homônimo.

De acordo com o site da Vinil Brasil, de 2014 “para cá foram necessários (e continua sendo) muito estudo, aprendizado, trabalho, dedicação, tempo e investimento para que hoje possamos atender padrões e normativas da indústria internacional de discos de vinil e estejamos entre as melhores fábricas do mundo. Equipamentos novos, máquinas reformadas e atualizadas compõem o cenário de onde a magia de transformar música em vinil acontece”.

A fábrica é comandada por Michel Nath que é, além de empreendedor, poeta, músico, compositor e DJ, tendo lançado o vinil SolarSoul em 2014.

SolarSoul, obra de MIchel Nath
Acervo do UV

Segundo uma entrevista de Michel Nath na Veja São Paulo de 25/12/2020, “a Vinil Brasil, já pôs nas ruas 300 títulos e 200 000 cópias de álbuns. Parece pouco se comparar com épocas em que a Xuxa tinha 1 milhão de discos vendidos, mas hoje é um produto artesanal, feito para um nicho que realmente aprecia e exige qualidade. E faço por amor mesmo: não sou ingênuo, ter empresa no Brasil não é fácil, mas penso que é um legado para a cultura.”

O que oferece e o que vem fazendo

A Vinil Brasil atende grandes e pequenas gravadoras e selos, artistas do mainstreaming ou não. Fabrica discos pretos ou coloridos (e até mesmo com efeitos holográficos – veja no vídeo abaixo) em 7”, 10” ou 12”, além de ter sua loja online, selo próprio e o Vinil Brasil Clube – que é seu clube de assinaturas de vinil.

Prensados pela Vinil Brasil temos como exemplo, Sambolero de João Donato; A Mulher do Fim do Mundo, de Elza Soares; … Sweet Edy… de Edy Star; Dancê, de Tulipa Ruiz; o box com quatro compactos Onisciente Coletivo, do Ratos de Porão; o compacto Pra Iemanjá, do DJ Tudo e sua gente de todo lugar convida Dona Anecide Toledo; O Amor no Caos – vol 1 do Zeca Baleiro e muitos outros.

Do próprio selo da Vinil Brasil temos (em associação com selos distintos ou não), por exemplo, Antigamente Quilombos hoje periferia do Z’África Brasil; A dança dos não famosos do Mundo Livre S.A e o primeiro disco de 10” fabricado no Brasil nesta nova Era dos discos de vinil, Arthur Joly e Convidados do Arthur Joly.

O portfólio da fábrica é vasto e chega até a fabricar discos promocionais para empresas como o 10” “Do Leme ao Pontal” do Tim Maia, que foi ação da Cervejaria Colorado em parceria com a Elemess.

Pessoalmente, nós do Universo do Vinil já visitamos a fábrica e conversamos com seu idealizador e gestor Michel Nath, e podemos afirmar que a Vinil Brasil é, realmente, como diz seu lema: “vinil feito com alma”!

UV na Vinil Brasil
Glaucio Machado, Michel Nath e Andrea Mendes

Vida longa à Vinil Brasil! Ícone da cultura do vinil brasileiro!

Para saber mais sobre a fábrica de discos, o selo e o Vinil Brasil Clube, acesse: https://www.vinilbrasil.com.br/

Exemplos de discos produzidos na Vinil Brasil
Acervo do Universo do Vinil

disco “compacto” ou 7″

Disco holográfico

 

 

 

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Todo domingo às 19h na Rádio UFS FM 92,1 tem o programa Conversa de Vinil
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