A fita cassete voltou – como comprar fitas usadas

Este é um artigo especial sobre a volta das fitas cassetes no mercado mundial e brasileiro. Será dividido em duas partes, esta sobre como comprar fitas usadas no comércio em geral e a outra sobre como recuperar uma fita antiga.

O mercado de música analógica está aquecido. 2020 foi o ano que mais vendeu discos de vinil no planeta desde a década de 1980, e junto com o aquecimento do comércio de discos de vinil veio também o de fitas cassetes.

Segundo o maior marketplace do mundo de música física, o Discogs, em 2020 foram comercializadas mais de 280 mil fitas cassetes na sua plataforma. Um aumento superior a 30% relativo a 2019.

Se vocês começarem a observar bem, uma parte considerável dos vendedores de vinil nas redes sociais começaram a postar também ofertas de K7. Assim como, a Polysom vem colocando milhares de fitas novas no mercado brasileiro e está cheio de selos independentes apresentando álbuns no formato, sem contar uma infinidade de fitas sendo ofertadas no Mercado Livre. Em suma: a fita cassete está aí para todo mundo ver e comprar.

Algumas usadas, inclusive, chegam a ter preços que podem ser mais altos que de um disco de vinil, principalmente, se for considerada como rara.

A fita cassete voltou

Não só existe oferta de fitas como também existe demanda e, observando este ponto, algumas grandes empresas passaram a colocar nos seus portfólios de vendas tocadores de fitas, como no caso a Amazon que já tem dois modelos estilo retrô dos anos 80 sendo comercializados e portáteis que nos lembram os saudosos Walkman da Sony . E a falta de tocadores de K7 era um dos problemas que atravancavam este mercado. E hoje ele é sanado por alguns modelos de vitrolas retrô (aquelas “tudo em um” muito vendidas no varejo brasileiro) e pelos exemplos da Amazon.

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Todo cuidado é pouco ao comprar fitas usadas

Como a fitinha passou a ter lugar de destaque nas vendas de mídia usada e tornou-se objeto de desejo de muitos amantes do som analógico, o ideal é o(a) comprador(a) verificar as fitas antes de adquiri-las, de preferência, num comércio físico, pois, muitos vendedores não têm tape-decks para verificar o produto a ser vendido e a grande maioria desconhece o universo das fitas e os problemas que elas podem ter no decorrer do tempo. Exceto (e lógico, obviamente) se o vendedor(a) for de sua confiança e você acreditar piamente no que ele(a) informa e ser um(a) real conhecedor de fitas cassetes.

A grande maioria dos vendedores de fitas são vendedores de discos de vinil e acreditam que o formato segue a mesma lógica do vinil velho de guerra. Mas não é bem assim! E você corre o risco de receber em casa um produto que pode ter defeitos e, talvez, nem funcione mais. Mas, se isso acontecer não se desespere, o Universo do Vinil já está organizando a segunda parte deste artigo que ensinará passo a passo como recuperar uma fita cassete danificada. Aguarde!

De todo modo, se você realmente quer muito uma fita e desconhece o(a) vendedor(a) verifique sua reputação (na Amazon e no Mercado Livre tem como verificar isso) e faça perguntas sobre o estado da fita (não se acanhe, pergunte mesmo!) seguindo os parâmetros abaixo.

Possíveis problemas nas fitas antigas que pedem uma observação apurada

As fitas são diferentes do vinil em tudo. Desde seu modo de operação até como é reproduzida. E, por ser diferente, tem problemas específicos.

Pontos que necessariamente precisam ser observados:

  • O estado geral da caixa plástica
  • A almofada de pressão
  • A sujeira no rolo e no interior da fita
  • A fita adesiva que segura a parte gravável da não gravável (talvez este seja o maior problema, pois pode ser um fator “invisível”)
  • Escutar a fita

O estado geral da caixa plástica

A caixa precisa estar firme e bem constituída. Se possível adquira cassetes que usem parafusos para juntar ambas as partes da caixinha plástica, pois, caso haja algum problema e precise abri-la, fica mais fácil de ser consertado.

A almofada de pressão

Conjunto da almofada oxidado

Esta parte é muito importante, pois é ela que “segura” a fita quando é pressionada pelo mecanismo interno do tocador para o cabeçote e, assim, este faz a “leitura” do som gravado na fita e emite-o para o restante do sistema de áudio.

Com o tempo, a parte metálica pode oxidar (aquele metalzinho que segura a almofada) e danificar seu aparelho de som, afinal, estará “distribuindo” partículas de ferrugem para o interior de seu sistema, ocasionando uma séria possibilidade de “forçar” a parte leitora do cabeçote, podendo até numa situação muito extrema, “arranha-lo”, bem como desalinha-lo, obrigando você achar um técnico para o conserto e/ou substituição do cabeçote (boa sorte!). Sem contar que pode danificar a própria fita, sujando-a por dentro e até mesmo, se o metal soltar pode auxiliar naquilo que chamamos por “embolar” a fita no cabeçote e nas roldanas do tape-deck.

E sem almofada de pressão muito provavelmente sua fita não alcançará o cabeçote e, assim, não tocará!

Aí, meus caros, babau fitinha! Exceto se você souber a arte de “ressuscitar fitas mortas” – que não é difícil, pode ser até 100% eficaz, porém, perde o valor histórico, já que o K7 passará por transformações – e basta ter paciência  para realizar a “operação” (isso mostraremos no artigo sobre como consertar fitas cassetes).

Exemplo de um “transplante de corpo” do acervo do UV. Caixa externa, encartes e fita gravada originais. Caixa plástica do K7 e roldanas provenientes de um cassete virgem novo. Rótulo do K7 refeito

Almofada de pressão oxidada é problema à vista! Não compre, exceto se você souber, como fazer um “transplante de corpo” de fitinha ou como trocar a almofadinha e o metal que a suporta.

A sujeira no rolo e no interior da fita

Este problema é muito sério e é bem visto a olho nu em fitas de caixas transparentes (em fitas opacas verifique bem a “janela” – que dá para ver as roldanas). Se estiver muito suja, a fita pode estar danificada para sempre. Se for “bolor” fica mais complicado ainda realizar uma limpeza.

Sem contar que o cassete pode ser feito de produtos de segunda linha e apresentar problemas de “decomposição” do material da fita em si. E ninguém quer por uma fita imunda naquele seu tape-deck vintage sensacional ou no seu retrô comprado a pouco que é a paixão do momento. E sujeira em cassetes não é fácil de ser resolvido. Fuja de fitas sujas!

A fita adesiva que segura a parte gravável da não gravável (talvez este seja o maior problema, pois pode ser um fator “invisível”)

Fita adesiva rompida e danificada

Esta é uma questão muito complicada. Todo cassete tem dois tipos de fitas na sua constituição. A escura (normalmente marrom) que é a parte gravada e a clara que não é gravada (algumas são transparentes, outras vermelhas e esta coloração varia muito de fabricante para fabricante). Esta clara fica sempre no início dos rolos.

O que une a parte escura com a clara é uma fita adesiva. Esta fita com o tempo pode perder sua cola e desprender as partes e assim você não terá como bobinar mais a fita. Seu aparelho fica rodando o suporte do rolo e a fita não vai mais para frente nem para trás, já que se se separou do suporte.

Esta fita adesiva independe do tempo de vida do K7 (tudo vai depender da qualidade do adesivo), não é facilmente visível, exceto se você tiver como bobinar e rebobinar a fita e verificar se ambas as partes continuam coladas, e ela pode (mesmo fitas novas) num belo dia desprender os dois tipos de fitas existentes no interior do cassete.

Por isso é importante sempre perguntar ao vendedor(a) se ele rebobinou as fitas algumas vezes para ver se o adesivo está em perfeito estado. E se ele não fez isso, não se acanhe de realizar este ato no momento da compra. Caso o comerciante não tenha um aparelho para executar esta tarefa na sua frente, fica a seu critério arriscar a aquisição ou, se for um vendedor sério, entender que você pode devolver a fita após a verificação num momento oportuno.

Este problema é muito bem sanado se a caixa da fita for de parafusos. Basta abrir o cassete, e com cuidado usar uma fita adesiva especial para cassetes e juntar as partes novamente (a galera dos anos 90 para baixo sabe fazer isso com maestria).

Escutar a fita

Parece lógico que toda fita gravada virá com as informações sonoras que você espera que estejam contidas nela e de acordo com o rótulo do K7. Não se iluda, isso não é sempre verdadeiro.

Como não sabemos como esta fita usada foi armazenada durante os tempos e por onde ela passou, uma fita bacanona no aspecto, limpa, sem oxidação e possível perfeitamente de ser bobinada e rebobinada, pode de repente ao apertar o play do tape-deck não sair som algum ou soar outro completamente inesperado.

Parece estranho isso, né? Mas não é.

As fitas não podem chegar perto de campos magnéticos, por exemplo, e elas podem ser “desgravadas” apenas por estarem expostas a estes campos. Pergunte à sua galera que viveu dos anos 90 para baixo se era aconselhável colocar as fitas em cima das caixas de som? Muitos vão dizer que jamais poderia sequer passá-las perto dos alto-falantes por causa dos seus poderosos imãs. Portanto, se não soubermos a história dessa fita podemos ter surpresas pela frente.

Sem contar que a fita é regravável e alguém poderia muito bem ter gravado algo por cima. O rótulo e os encartes da fita não são situações sine qua non de que o que dizem é o que está nela. Abra o olho, aliás, os ouvidos!

Já pode comprar

Se você levou em consideração estes cinco pontos, pode comprar sua fitinha sem medo de ser feliz.

As fitas de qualidade quando bem armazenadas e manuseadas como devem ser são perfeitas para você curtir um som analógico de primeira.

E não caia no conto do vigário que fita tem um som ruim. O som ruim, normalmente, vem da qualidade inferior do aparelho que tocará a fita ou se ela foi realmente mal gravada. Bons tape-decks e fitas bem gravadas soam um som sensacional, de primeira e, muitas vezes, melhor que qualquer outra mídia que você possa imaginar.

A fitinha é top!

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Todo domingo às 19h na Rádio UFS FM 92,1 tem o programa Conversa de Vinil
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