Em 2019 as vendas de vinil podem ser maiores que as de CD nos EUA

Sim, você leu bem o título e não está doido ou com problemas de vista. Pela primeira vez, talvez desde 1986, o mercado dos Estados Unidos de mídias musicais físicas tenha como maior vendedor os discos de vinil.

O raciocínio é do crítico e jornalista Alan Cross que discorre seu pensamento embasado nas vendas de vinil e CDs nos últimos anos.

Segundo ele, de acordo com o número de vendas de música da Associação da Indústria Fonográfica dos Estados Unidos em 2018, as vendas de CDs nos EUA caíram 34%, para US $ 698 milhões, enquanto as vendas de vinil aumentaram 8%, para US $ 419 milhões. Se a tendência continuar – e não há razão para pensar que não – as receitas de vinil poderiam superar a dos CDs antes mesmo de chegarmos a 2020.

A última vez que os discos de vinil vendem mais do que os CDs foi por volta do ano de 1986 .

Na verdade, o mercado de vinil é, sem dúvida, já maior do que CDs se você levar em conta o comércio de vinil usados em lojas de discos e online. E não se esqueça que muitas lojas independentes que vendem discos novos de vinil não se reportam ao SoundScan – o contador oficial de todas as músicas vendidas nas Terras do Tio Sam.

O motivo da morte lenta do CD para Cross é o streaming de música. Havia 1.2 trilhões de fluxos nos Estados Unidos no ano passado, representando 75% de toda a receita de vendas de música. Compare isso com formatos físicos (CDs, vinil) a 12% e downloads digitais a 11%. Um pouco mais de 50 milhões de americanos estão pagando assinanturas de serviços como o Spotify e o Apple Music, com uma média de um milhão de novos assinantes entrando online todos os meses.

Não há dúvidas de que o streaming é o melhor para o consumo diário de música. Ele fornece tudo o que você quer – a maioria dos serviços contém mais de 50 milhões de músicas – com pouco (ou nenhum) custo. É um negócio muito melhor do que os CDs podem oferecer.

Cross também indica uma entrevista na Forbes onde o colunista Bill Rosenblatt ao analisar os números da IFPI (o sindicato mundial das gravadoras) diz: “na verdade, os CDs estão no caminho certo para cair abaixo do vinil até o final deste ano – especialmente contando o mercado de vinil usado, que é aproximadamente igual ao vinil novo na receita total”. 

E o colunista da Forbes, vai além: “ao todo, a indústria fonográfica continua as tendências que temos visto nos últimos dois anos, a caminho de um novo estado de estabilidade estrutural com o streaming interativo no topo. Observadores da indústria costumavam se perguntar se os consumidores adotariam o modelo de assinatura mensal sobre produtos físicos ou a “propriedade” de downloads permanentes. Ninguém mais se pergunta sobre isso; em vez disso, nos perguntamos quanto mais streaming pode crescer. E os números de 2018 nos dão uma pista um tanto sinistra: o crescimento da receita de streaming interativo com assinatura paga está claramente diminuindo”.

Resumo da ópera: estaríamos iniciando a curva descendente do streaming e o vinil entrando cada vez mais na vida das pessoas como objeto e como “local de armazenamento de música”?

Bom… quem viver verá. Mas, o fato é que, se não for em 2019, pode ser que já em 2020 venda-se mais discos novos de vinil nos EUA e assim sabemos onde essa história vai acabar:  provavelmente, vai abrir uma tendência mundial, como tudo que acontece nos EUA.

E no Brasil? Ah! No Brasil? Só Deus sabe!

Imagem da capa: StockSnap – Pixabay

 

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