Eric Clapton (I Still Do) x Bob Dylan (Fallen Angels)

Este é o artigo inaugural do UV sobre crítica musical.

Divirtam-se!!!

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Por Valdeck Júnior

Coleciono discos há mais de 30 anos, tenho algumas centenas de LPs e outras tantas de CDs, alguns títulos de Bob Dylan e dezenas de Eric Clapton.

Comprei recentemente os novos discos de ambos, mas confesso que não tive o mesmo prazer ao escutá-los.

Não costumo comparar artistas, não acho isso legal, mas nesse momento talvez o seja. Comparar a obra de dois artistas que têm inúmeras semelhanças não é algo absurdo, muito embora, em se tratando de dois dos maiores, melhores, mais importantes, mais respeitados e mais reconhecidos artistas do mundo seja uma ousadia da minha parte, por isso, nesse momento, vou me ater aos seus dois mais recentes lançamentos, estimulado por um artigo que li recentemente onde havia um comentário que me alfinetou: “É triste ver dois artistas do calibre de Eric Clapton e Bob Dylan chegarem ao final de carreira gravando discos ridículos só para atender aos seus contratos com as gravadoras”. É tão pouco, algo tão insignificante, para tão muito, algo tão relevante.

fallen-angels

Quando li isso já tinha escutado parte do novo disco de Dylan, e não tinha gostado do que ouvi. Sei que muitas vezes acontece realmente o que o cidadão falou com relação aos contratos, muitos artistas já não têm mais inspiração, nem disposição para produzir, estão esgotados, mas mesmo assim precisam honrar o compromisso com as gravadoras e fazem coisas descartáveis, às vezes até ridículas. Porém, não acho que seja o caso desses dois.

Bob Dylan é americano, um artista completo, compõe, canta, toca, atua, pinta e escreve; Eric Clapton é inglês, também compõe, canta e é considerado um dos maiores guitarristas do mundo. Ambos têm quase a mesma idade e começaram a gravar quase no mesmo ano, Dylan em 62 e Clapton em 63, porém divergem no que diz respeito às opções que fizeram para suas carreiras, pois enquanto Clapton começou tocando em bandas(Yardbirds, John Mayall & Bluesbreakers, Cream, Blind Faith, Delaney & Bonnie), Dylan já partiu para carreira solo. Clapton aparece em mais de 70 discos; Dylan tem uns 40, são diferenças a se considerar.

Feitas essas considerações, vamos aos atuais trabalhos.

Como sempre admirei muito esses dois senhores, o comentário atiçou minha curiosidade e voltei a escutar “Fallen Angels”, o disco de Dylan,  e corri atrás do novo álbum de Clapton, “I Still Do”. Precisava tirar minhas conclusões.

i-still-do

Confesso que não me agradei com o “Fallen Angels”, por duas vezes tentei, mas não me convenceu ser um trabalho à altura do grande Bob Dylan. Chega a ser cansativo, preguiçoso, arrastado e triste, melancólico demais. Não há um momento sequer de brilho, a chama ardente daquele Dylan que conhecemos parece ter se exaurido. Ao contrário, fiquei muito surpreso ao escutar “I Still Do”, pois já tinha um pré-conceito, mas foi logo afastado com a primeira música do álbum, “Alabama Woman Blues”, uma música fantástica, um blues clássico como Clapton sempre fez. Com “Can’t Let You Do It”, a segunda, abri um sorriso, lembrou-me na hora as maravilhosas parcerias de Clapton com J.J. Cale. Na sequência, “I Will Be There”, uma linda balada, como tantas que Clapton já fez. Poderia discorrer sobre todo o álbum, faixa a faixa, mas é desnecessário e ficaria cansativo, pois seria uma sucessão de elogios, deixo esse prazer da descoberta para quem tiver a possibilidade de escutá-lo.

Assim, fica aqui minha impressão sobre esses dois discos bem distintos desses dois ilustres senhores. Quanto a Bob Dylan, não sei o porquê desse disco tão fraco, descartável dentre tantas obras que ele já produziu. Mas quanto ao Eric Clapton, desconsiderei totalmente o comentário inadequado citado no início, respeitando, contudo, a opinião de quem o fez, pois este seu último trabalho é simplesmente excelente, à altura de toda sua gigantesca discografia, magnífica e impecável carreira.

Espero que esse não seja o último disco de Dylan, que pelo menos ele solte mais um antes do fim da sua belíssima carreira para que sua imagem não fique manchada. Clapton pode pendurar suas lindas guitarras, já fez muito pela música e como ele mesmo já anunciou, sua aposentadoria está garantida.

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O autor:

valdeck

Valdeck Junior é um sergipano apaixonado por música e surf. Nasceu e se criou em Aracaju, mas morou um tempo em Recife. Formado em Gestão de Empreendimentos Turísticos pela UNIT, atualmente cursando Direito, é servidor público do Poder Judiciário. Coleciona discos desde muito cedo, encantou-se pelos “long plays” ainda criança. Sempre curtiu rock e suas vertentes, principalmente os artistas mais antigos, a música da década de setenta. Tem mania de “garimpar”, descobrir aquilo que fora esquecido, resgatar preciosidades perdidas e buscar pérolas novas, ainda não apreciadas e difundidas pela maioria. É um jovem senhor bastante amigável, aberto a novas ideias e desafios, gosta de escrever e compartilhar suas experiências com quem se interessar. [email protected]

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