Nos EUA as receitas de vinil são as mais altas desde 1988

O Universo do Vinil já vinha avisando aqui: 2019 seria o ano do streaming, mas também dos discos de vinil. E a poderosa associação das gravadoras dos EUA –  RIAA – divulgou seu relatório de final de ano referente a 2019 para receitas de música gravada.

Um dos maiores e principais tópicos do relatório é o quão dominante o streaming se tornou para o negócio da música e a mostra ano a ano da queda nas vendas e receitas dos CDs e a subida pelo 14º ano consecutivo nas vendas de vinil e de sua receita.

A receita total de streaming de música cresceu 19,9%, para US $ 8,8 bilhões em 2019, representando 79,5% de todas os dividendos da música gravada. O mercado de streaming sozinho em 2019 foi maior do que todo o mercado de música gravada nos EUA há apenas 2 anos em 2017.

Um bom sinal é que mais pessoas estão assinando serviços de streaming e isso está impulsionando o aumento da receita. A arrecadação total de assinaturas de 2019 foi de US $ 6,8 bilhões, aumentou 25% em relação ao ano anterior e representou 61% da receita total de música gravada nos EUA. 93% do crescimento do faturamento dos serviços de streaming veio de assinaturas.

Segundo o relatório, agora existem 60 milhões de assinantes pagos nos Estados Unidos. Não está claro quantos estão vinculados a planos familiares ou a preços reduzidos para assinaturas, como planos para estudantes. 1,5 trilhão de músicas foram transmitidas (muitas mais de uma vez, obviamente).

Porém, pergunta-se: para onde está indo todo esse dinheiro? As empresas de tecnologia e uma infinidade de intermediários, como distribuidores, editores, gravadoras e outras empresas, estão capturando muito dinheiro antes de chegar ao artista. E, mais importante, a desigualdade que permeia o mundo hoje é encontrada na música, já que alguns artistas estão ganhando muito e o grande contingente de músicos, cantores, cantoras e bandas estão brigando pelos restos. Para obter uma grande renda, o músico da Era do Streaming precisa ser global, pois, o faturamento vem da quantidade de vezes que a música é ouvida nestes serviços e cada fluxo (ou música transmitida) é pouquissimamente remunerada.

Os downloads digitais continuam em queda, 18%, para US $ 856 milhões em 2019. É a primeira vez desde 2006 que as receitas com faixas e álbuns baixados caem abaixo de US $ 1 bilhão.

O lucro de produtos físicos em 2019 caiu menos de um ponto percentual ano a ano, para US $ 1,15 bilhão. Um declínio de 12% na receita de CDs para US $ 615 milhões compensou um aumento de 19%, para US $ 504 milhões em receitas de discos de vinil. Isso representa a maior arrecadação por parte dos discos de vinil desde 1988 e 14 anos consecutivos de crescimento dos disquinhos pretos (e às vezes coloridos) de plástico, mas a categoria representa apenas 4,5% do faturamento total.

Todavia não foi desta vez que o valor das vendas de discos de vinil ultrapassou o de Compact Discs, porém, este relatório refere-se a discos e CDs novos, muito provavelmente, com quase 99% de afirmativa correta, se casarmos as vendas de vinil e CDs usados com os novos (apesar de não existir uma estatística oficial, mas embasa-se em amostras de sites como Discogs) é possível que hoje o mercado de mídias físicas tenha os discos de vinil como seu maior expoente em matéria de vendas e dividendos.

O ano de 2019 nos mostra claramente que streaming e vinil são as duas principais áreas de crescimento para a indústria da música e a tendência que vem desde o início dos anos 2000 de quedas vertiginosas nas vendas e receitas dos CDs é real e seguramente é consistente ano a ano – uma triste notícia para os fãs destes disquinhos prateados.

Leia o relatório da RIAA completo aqui.

 

 

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