O comportamento do consumidor de música frente às diferentes mídias

Ok, ok, ok, como diria Gilberto Gil, aqui falamos de música analógica, mas precisamos entender o todo da indústria da música para compreendermos nosso vinil, cassete e tudo que envolve este vasto mundo dos discos de vinil e da música analógica. E entender o comportamento do fã de música frente aos diferentes tipos de mídia é importante e fundamental, afinal, o consumidor é o “carro chefe” da indústria fonográfica, não é mesmo? E também serve para posicionarmos o lugar do vinil nesta grande indústria.

Pensando assim, a partir do relatório da IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica) referente ao ano passado (2017) fomos analisar algumas questões importante para entendermos os diferentes comportamentos dos amantes da música nos dias de hoje e, assim, avaliarmos o andamento desta indústria. Obviamente, nos tempos de hoje não “inventamos a roda” e fomos direto nas análises realizadas pelo Digital Music News – um site americano do norte especializado em música.

O certo é que o streaming domina e isso todo mundo já sabe, mas muitos não sabem que a garotada a partir de 13 anos compra vinil e o rádio não está morto e muito menos imaginam que a popularização do streaming está fazendo com que a pirataria cresça novamente, sem contar que o grande e principal aparelho para escutarmos um som hoje é… pasmem… os smartphones!

Quanto ao Brasil, somos um dos maiores consumidores de música por streaming – realmente, caiu no gosto popular –  e um dos países que mais usa o smartphone para ouvir música. Aliás, sabemos bem o quanto o brasileiro adora seu celular! Mas, um fato deve ser observado:  o uso do streaming por parte do brasileiro teve seu maior incentivo (e tem até hoje) feito pela telefonia celular – foi ela que incentivou o uso do streaming ao oferecer pacotes de telefonia móvel com serviços de streaming embutido. Por isso, a relação streaming e smartphone é quase uma coisa que nasceu junto – é uma coisa imbricada!

Vejam as análises:

1 – Quase metade de todo o streaming  é feito pelo YouTube.

A IFPI descobriu que o streaming de vídeo representa mais da metade de todas as horas de streaming de música sob demanda. O YouTube sozinho representa 46% do tempo gasto ouvindo músicas sob demanda.

Globalmente, 45% dos usuários da Internet em todo o mundo ouvem suas músicas favoritas através de um serviço de streaming de áudio licenciado. Esse número aumentou 8% em relação a 2016.

Além disso, 23% dos usuários ouviram música por meio de assinaturas de streaming de áudio pagas. 22% usaram um serviço gratuito com suporte a anúncios.

2: Quase todos os usuários da Internet em todo o mundo consomem música licenciada.

A IFPI descobriu que os consumidores de música se tornaram mais engajados do que nunca com músicas licenciadas. As estatísticas são surpreendentes: 96% de todos os usuários da Internet consomem música licenciada. Isso inclui streaming de áudio e vídeo, compras físicas, downloads digitais e rádio (transmitidos e online).

Nos Estados Unidos, 48% de todos os usuários da Internet se envolveram com streaming de áudio licenciado. Embora significativo, esse número não é nada comparado ao México, Suécia e Brasil. A IFPI descobriu que 75% dos usuários de internet no México se envolviam com músicas licenciadas. Na Suécia e no Brasil, 66% se envolveram com streaming licenciado. Canadá e Japão classificaram como os países com o menor engajamento musical on-line, com participação de 39% e 18%, respectivamente.

3: O rádio está longe de estar morto.

O consumidor de hoje se envolve com música através de um dos quatro métodos.: 44% compraram cópias físicas de música ou downloads pagos. Desses 44%, 32% compram CDs. 28% de pagamento por downloads digitais. 17% compraram discos de vinil.

Com base no que  IFPI observou acima, 45% de todos os consumidores pesquisados ​​usam serviços de streaming de áudio para música. Desses 45%, 39% transmitem suas faixas e álbuns favoritos por meio de um serviço gratuito com suporte a anúncios. 27% usam uma plataforma de streaming paga.

75% usam serviços de streaming de vídeo, como o YouTube. 87% ouvem música no rádio. Desses 87%, 68% usam rádio e 35% usam rádio na internet.

Globalmente, o rádio teve uma participação de 40% no consumo de música. A música comprada, incluindo downloads digitais, teve uma participação de 22%. Os maiores consumidores de música gastaram 20% do seu tempo total de audição de música em serviços de vídeo e 18% em plataformas de áudio.

Na Alemanha, os grandes consumidores de música preferiam ouvir música no rádio. Os 10% dos consumidores de música japoneses e sul-coreanos gastaram mais tempo ouvindo músicas compradas. Consumidores de música mexicana altamente envolvidos usavam plataformas de streaming de vídeo como o YouTube.

4: Quase todo streamer de áudio pago usa o smartphone para ouvir música.

Hoje, mais pessoas de todo o mundo preferem ouvir música no smartphone. A IFPI viu esse aumento em todos os grupos etários de 16 a 54 anos.

No uso de smartphones para música, o México ficou em primeiro lugar. 91% de todos os consumidores mexicanos usam seus smartphones para ouvir suas músicas favoritas. O Brasil e a Coreia do Sul ficaram atrás do México com 85% e 80%, respectivamente. Os Estados Unidos ficaram em sétimo, com 63% dos consumidores ouvindo música através de seus smartphones. Canadá e Japão foram os últimos colocados com 52% e 44%, respectivamente.

5: Um número significativo de adolescentes paga por streaming.

Em seu estudo, a IFPI descobriu que pessoas entre 13 e 15 anos demonstraram altos níveis de engajamento musical.

85% dos adolescentes dessa faixa etária usam plataformas de streaming para curtir a música. Desses 85%, 79% usam um serviço de vídeo e 67% uma plataforma de áudio.

A IFPI também quebrou o número daqueles que usaram plataformas de áudio. Desses 67%, 37% usam serviços de streaming pagos. 62% usaram plataformas gratuitas suportadas por anúncios. 33% das pessoas que usam plataformas de streaming de áudio pagaram por sua própria assinatura de streaming de música. 36% fazem parte de um plano de assinatura familiar.

53% de todos os jovens de 13 a 15 anos também compraram música física ou fizeram downloads de música. Eles preferiam downloads digitais em CDs e discos de vinil. No entanto, dos 53%, 19% compraram discos de vinil.

6: A extração do stream tornou-se a maneira preferida de baixar músicas

Hoje, mais usuários preferem ouvir música por meio de plataformas de streaming pagas ou gratuitas. No entanto, a IFPI descobriu que a pirataria aumentou este ano.

35% de todos os usuários de internet têm stream copiado. Este número subiu 5% em relação a 2016. Entre os jovens de 16 a 24 anos, esse número subiu para 53%. 45% dos millennials e 32% dos usuários do Generation X também transmitem rip.

Os mecanismos de pesquisa, especificamente o Google, desempenham um papel fundamental na ativação da violação de direitos autorais. A IFPI descobriu que 54% daqueles que baixam ativamente músicas com direitos autorais usaram o Google para encontrar e transmitir músicas.

Então? Será que neste ano de 2018 alguma coisa mudou? Nós do UV duvidamos muito e achamos que o cenário continua bem como estava em 2017. Vamos esperar o relatório do IFPI para 2018 e assim confrontarmos. Por enquanto, valem os dados de 2017!

Mais detalhes: http://www.ifpi.org/

 

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