Taxação de impostos sobre streaming de música pode aumentar a pirataria e o preço dos discos de vinil

Na quarta-feira, dia 14/12, o Senado brasileiro aprovou a taxação de impostos sobre serviços que incluem streaming de vídeo e música. Resumindo, são acréscimos de impostos e, obviamente, o aumento dos preços das assinaturas de plataformas como Netflix, Deezer, Spotify e outros.

O que isso significa para o fã dos discos de vinil? Podem crer, significa aumento nos preços dos discos. Vamos entender isso e falando especificamente da nossa praia que é música:

Pesquisas apontam que o vinil também cresce à medida que o público de streaming de música aumenta. É uma questão muito lógica, pois, o(a) ouvinte(a) passa a gostar do álbum ou do single e acaba resolvendo comprar um vinil – quando fã deste modelo de mídia.

Numa reação à aquisição ilegal de música, o streaming vem ajudando a diminuir a pirataria e o download de arquivos ilegais, pois, é um serviço barato que dispõe para o usuário uma infinidade de músicas e ele pode escutar online ou offline, facilitando muito sua vida musical.

Por outro lado, empresas como Google e Facebook estão em ações firmes e atentas contra o upload e a disponibilização pública de conteúdos sem direitos autorais e isso vem dificultando escutar músicas gratuitamente que não estejam enquadradas nas diretrizes da legalidade da propriedade intelectual.

Juntando, impostos que resultarão em aumento do preço final dos serviços de streaming e a guerra na Internet pelos direitos autorais, podemos começar a sentir problemas para os vinis, sem contar, um possível aumento na pirataria de música que andava nos últimos tempos decaindo – streaming caro, menos usuários; menos usuários, mais pirataria. É óbvio!

O streaming é sucesso para o utilizador, mas, para os artistas não é a mesma coisa, já que muitos reclamam do baixíssimo retorno financeiro que este tipo de negócios resulta para eles. Portanto, se diminuir o público, com certeza diminuirão os parcos ganhos dos artistas – o maior lucro do artistas vem sendo nas mídias físicas e particularmente no vinil.

Isso tudo vai afetar diretamente nosso bolachão:

No cenário mais catastrófico: provavelmente os artistas e a indústria fonográfica precisarão repor o prejuízo que poderá surgir caso diminua o número de usuários dos streamings. E, neste caso, qual o local mais propício para repor prejuízos? Nas mídias físicas e, possivelmente, nos preços dos ingressos de shows! Sem contar a queda do poder da “propaganda” que o streaming faz objetivando compras de vinil por intermédio da escuta prévia.

No cenário menos catastrófico: a queda de usuários dos streaming decorrente do aumento dos preços das assinaturas, poderá brecar possíveis quedas dos preços dos vinis, mantendo-os, no caso brasileiro, na altura que já se encontra.

Resumindo:

Acrescentar impostos que resultarão no aumento do preço da assinatura do streaming de música só resultará prejuízos para todos, somado ao potencial aumento da pirataria. Tanto o consumidor, as empresas e os artista sairão perdendo e isso só gera negatividade para a cadeia da indústria fonográfica num todo e aí inclui o vinil. Aumentar impostos em certas situações não acarreta ajuda alguma – nem para o governo – e muito pelo contrário, faz diminuir a amplitude do negócio criando situações adversas que podem chegar ao desemprego e, no nosso caso, a reposição dos lucros que foram retirados pelo possível decréscimo de usuários das companhias de streaming atingirão diretamente no aumento de preços de outros produtos – inclusive no vinil.

Por fim, enquanto lutamos para preservar a cultura do vinil e mostrar que ele é fator importante e fundamental para a indústria da música, vem agora mais esta atitude que, com certeza, não traz benefício algum para este setor.

Este é o maior presente de grego para o Natal do vinil! Durmamos com essa!