Toca-discos: o preço Brasil

Você que é fã dos discos de vinil sabe que há uma enorme diferença entre os preços dos toca-discos vendidos no Brasil e os dos EUA e Europa. Porém, precisamos fazer uma ressalva nesta diferença de preços: TODOS (em caixa alta para chamar a atenção) toca-discos vendidos no Brasil são importados. Nossa indústria de tocadores de vinil fechou faz muito tempo e nunca mais foi reaberta (diferente dos discos de vinil, onde hoje temos duas fábricas em pleno vapor) e aqueles que compramos são, portanto, importados.

Obviamente que por serem importados, os toca-discos vendidos em nosso solo contém alguns agravantes nestes preços altos: dólar nas alturas, impostos sobre importações e outras tarifas. Costumamos dizer que o preço em dólar ou Euro de um toca-discos vendido no exterior ao chegar no Brasil tem um aumento aproximadamente 90% do valor convertido para nosso Real por causa destas tarifas e impostos. Ou seja, se lá fora custa 80 dólares, aqui fazendo a conversão do dólar em 4,07 Reais, teremos o seguinte preço (cálculos de acordo com o site tributado.net):

IMPOSTOS DE IMPORTAÇÃO
VALOR (R$)
———————————————-
Taxa de conversão monetária:
4.07
Valor total:
325.60
—————————————————–
Imposto de importação:
195.36
ICMS:
0.00
IOF:
20.77
Total de impostos:
216.13
———————————————-
TOTAL A PAGAR:
541.7

Uma questão importante é que estes cálculos são apenas da importação e não acrescentamos os lucros que as lojas deverão ter sobre seus produtos. Desta forma, além dos impostos e taxas também incidirão os lucros do vendedor.

Sabendo disso começamos a procurar mercados mais próximos do nosso e que também não têm fábricas de toca-discos em seus solos. Fomos ver no Chile, na Argentina e na Índia – este último, além de tudo, está muito mais atrasado que nós na cultura do vinil (neste quesito não estamos entre os últimos do mundo! Ainda bem!)

Encontramos um anúncio de hoje (06/01/2020) que diz da “chegada” de um toca-discos “revolucionário” em solo indiano: o Stag Superb Plus vendido pela Claw (uma empresa das Terras do Gandhi). E para nossa surpresa ele é o mesmo Ion que encontramos por aqui, o Ion Archive LP que já faz um tempinho que é vendido em solo brasileiro e também é vendido em solo chileno e argentino (como poderão ver abaixo).

Claw
Archive LP

Mas a diferença entre Brasil, Chile, Argentina e Índia começa a aparecer no preço. Lá, na Índia, este Ion que é Claw será vendido por 8990 Rúpias que equivaleria a R$ 506,42. Só que no Brasil, este mesmo toca-discos é encontrado entre R$ 800,00 e R$ 900,00. Uma diferença que é superior a mais de 300 Reais. E venhamos e convenhamos, com 300 Reais dá para comprar uns bons discos…

Para aumentarmos nossa história fomos também pesquisar em lojas online chilenas e argentinas (Mercado Livre de ambos países). Nestas nações os preço são bem parecidos com o brasileiro.

Continuamos com o exemplo do Archive LP.  Tanto no Chile (lá se chama Ion Archivo LP) como na Argentina (Ion Max  LP) e no Brasil os preços são muito coincidentes. No Chile coisa de 134.936 pesos chilenos e na Argentina 12.562 pesos argentinos. No Brasil, como dito acima 800,00 a 900,00 Reais. Todos estes três valores são muito parecidos quando comparamos os pesos chilenos e argentinos com o real brasileiro, todavia, no Chile é um pouco mais barato, sai por volta de R$ 710,00.

Pois é, assim com estes preços a Índia que anda atrás de todos estes mercados do vinil poderá em muito breve ter uma cultura do bolachão bem mais inserida na sociedade. E reparem, para efeito de comparação nós não conseguimos verificar o salário mínimo na Índia, já que este tipo de pagamento ao trabalhador é diferente de região para região. Por isso, fomos procurar algo que nos desse a condição de equiparar custos de vida e achamos o salário médio do pedreiro. No país de Gandhi, mais especificamente em Calcutá, um pedreiro ganha em média 429.87 Euros. Aqui, nas Terras Tupiniquins, de acordo com a convenção trabalhista para 2020 a média do piso salarial (de acordos, convenções coletivas e dissídios) do pedreiro é de R$ 1.583,39 ou 349,57 Euros.

Ainda nas comparações podemos concluir que no Brasil o preço se torna mais pesado quando avaliamos o poder de compra. Já vimos na Índia e agora vamos verificar no Chile e na Argentina: o salário mínimo no Chile é de 241.000 pesos chilenos que equivale (hoje, 06/01/2020) a mais de R$ 1200,00 e na Argentina é de 4.400 pesos, valor convertido a mais de R$ 1100,00.

Assim, podemos terminar este papo pensando muito no nosso poder de compra. Mesmo que os preços sejam similares no Chile e na Argentina a nossa capacidade de adquirir produtos é menor, portanto, o valor do toca-discos passa a pesar muito mais no bolso do comprador do solo que Cabral descobriu. No caso da Índia, nem se fala. Este toca-discos vai bombar lá!

Pois então… este é mais um exemplo do “preço Brasil”!!

Que saber sobre o “toca-discos indiano” leia no original: http://www.asianage.com/technology/gadgets/060120/innovative-turntable-with-speakers-makes-its-way-to-the-indian-market.html

 

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