As fábricas de fábricas de discos de vinil estão na maior produção da história atual

Fábrica de fábrica soa engraçado mas é esta a verdade. A indústria do vinil até bem pouco tempo, para sermos sinceros até meados de 2016, amargava uma situação preocupante: só existia maquinário antigo e não havia indústria capaz de desenvolver tecnologias para que novas fábricas surgissem.

Quando falamos de maquinário estamos referindo neste caso ao coração das plantas industriais de discos: as prensas ou prensadoras. É por elas que cada disco é feito, colocando a matéria prima que é o PVC (um plástico que somado com alguns aditivos dá a aparência e dureza necessária para o disco) entre moldes de metal com os lados A e B da mídia (matrizes) e como se fosse uma espécie de sanduicheira, exerce uma pressão sobre este plástico (ainda mole e quente) e cria finalmente nosso disquinho.

Até este período cada vez que se abria uma nova fábrica de bolachões, com certeza, era oriunda de máquinas recauchutadas das antigas plantas de gravação de discos dos anos 50 até 80. A demanda em alta e a incapacidade de substituir maquinário defasado, com dificultosa manutenção, bem como, a falta de técnicos capazes de operarem essas engenhocas tecnológicas demonstravam um futuro incerto para o vinil.

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Aproveite e veja este vídeo que mostra como um disco de vinil é fabricado

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Enquanto as vendas de discos permaneciam em alta ano a ano, tendo aumentos substanciais e contínuos nos EUA, na Europa e até no Brasil, onde a parca produção vem sendo absorvida rapidamente, ficava sempre uma pergunta no ar: como aumentar a produção mediante uma demanda sempre crescente e ávida de novos títulos e reedições se não existiam condições técnicas de abertura de novas fábricas já que a produção de maquinário para as fábricas era nula?

Antigo parque da Turikafon

Para se abrir uma nova planta a “caça ao tesouro” era uma atividade real e nada fantasiosa em se usar este nome. Os empresários do setor “fuçavam” o mundo à procura de máquinas em ferros-velhos, abandonadas, jogadas e esquecidas e aí vinha outra função: procurar manuais de operação, reviver as máquinas, achar técnicos que soubessem operacionalizá-las e isso poderia ser uma “caça” em vão ou um sucesso, pois encontrar uma máquina não era sinônimo de que tudo daria certo, afinal, eram enormes sucatas com tecnologia defasada, cheias de problemas e nem sempre encontrar alguma era sinônimo de que tudo seria 100%. Era uma loteria e uma procura de agulha no palheiro.

Mas, 2016 já estava em curso e em 2015 apareciam os primeiros sinais de que o empresariado mundial estava atento à demanda crescente dos discos de vinil e ao problema da escassez de maquinário. Começavam a pipocar na mídia e sempre anunciado pelo UV (como por exemplo aqui) que existiam pessoas que estavam levando essa questão a sério. Da Alemanha e no Canadá vinham notícias de que este período de escassez estaria no fim. A alemã Newbilt Machinery e a canadense Viryl Tecnologies mostravam ao mundo que existia luz no fim do túnel.

Em 2017 o que era sonho se tornou realidade e as primeiras fábricas de discos com maquinário novo começaram a abrir. Abria-se a Hand Drawn Records com a tecnologia da Viryl, a Third Man Records com tecnologia da Newbilt (ambas nos EUA) e no Canadá a Microforum Vinyl, também com tecnologia da Viryl e o anúncio quase que mensal da abertura de novas fábricas. É, o universo do vinil está cada vez com mais força, mas isso não parou por aí…

Ano passado uma empresa sueca de maquinário para fabricas de vinil, a Toolex Alpha,  anunciou a retomada da fabricação de suas prensas e já está 100% operacional e entregando suas encomendas. Diz a Toolex que até o momento, a empresa vendeu cinco das novas prensas AD 12, para prensagem de discos de 12″, sendo que uma já foi entregue e quatro estão sendo fabricadas.

Toolex Alpha

 

Toolex Alpha

Pois é, o mundo do vinil está crescendo, novas tecnologias, novas fábricas e junto novos discos e uma reviravolta nos  costumes para audição de músicas, implantando uma nova (mas já antiga) forma cultural de perceber a música e curti-la.

Vida longa ao vinil!

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